terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

PARABÉNS



Hoje, 23 de fevereiro, quarto aniversário do JOÃO MIGUEL, a quem dedico trechos de um poema de OLAVO BILAC

O berço em que,adormecido
Repousa um recém- nascido,
Sob o cortinado e o véu,
Parece que representa,
Para a mamãe que o acalenta,
Um pedacinho do céu.

Que júbilo, quando, um dia,
A criança principia,
Aos tombos, a engatinhar...
Quando, agarrada às cadeiras,
Agita-se horas inteiras
Não sabendo caminhar!

Depois, a andar já começa,
E pelos os móveis tropeça,
Quer correr, vacila,cai...
Depois, a boca entreabrindo,
Vai pouco a pouco sorrindo,
Dizendo: "mamãe" ..."papai"...

Vai crescendo. forte e bela,
Corre a casa,tagarela,
Tudo escuta,tudo vê...
Fica esperta e inteligente...
E dão-lhe, então, de presente,
Uma carta de A. B. C...
("A INFÂNCIA ")

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

O CONTO DA SEMANA

Ilustração: Arievaldo Vianna


O CEARENSE QUE PROVOCOU 

A MORTE DE HITLER


Tenho um amigo que às vezes freqüenta a minha casa para trocar idéias sobre música, literatura e fotografia, três assuntos do nosso interesse comum e vez por outra ele me surpreende com uma história engraçada, melhor dizendo, um “causo”. Quase me acabo de rir com o último que ele me contou... Segundo me disse, um seu colega trabalho é filho de um pracinha, ex-combatente da Segunda Guerra Mundial e, por essa razão Hitler é um de seus temas prediletos. O pai conta dezenas de histórias do tempo da guerra, verídicas ou não, com uma convicção tão grande que se o interlocutor contestá-lo ou demonstrar o menor resquício de dúvida, o velho militar avança furioso, dedo em riste, exigindo respeito às suas cãs.
Numa visita a casa do veterano de guerra, o meu amigo foi surpreendido com a seguinte história, que o velhinho narrou mais ou menos nesse tom:
— Vocês querem saber a verdade sobre a morte de Hitler? Pois eu vou lhes contar a versão legítima de Braga! Os americanos se escoravam demais nos brasileiros. No dia 30 de abril de 1945 nós avançamos sobre Berlim, capital da Alemanha... Quando nós fomos prender o Hitler eles empurraram logo uma tropa de brasileiros no pelotão da frente. Eu era o cabeça da tropa e fui logo subindo uma escadaria, em busca do gabinete do temível ditador. Chutei a porta e fui logo gritando:
— Teje preso, ‘seu’ Adolfo!
 Hitler tomou um tremendo susto, levantou-se acuado e me disse em tom suplicante, com voz de mulher falsa quando é flagrada pelo marido:
— Oh!! Por favorrr non me mate, soldado Oliveirrra!!!
O meu amigo não se aguentou e resolveu aparteá-lo com uma pergunta:
— Como é que o Hitler sabia seu nome, ‘seu’ Oliveira? Ele falava português?
O velho ficou vermelho de cólera, avançou para ele e retrucou aos berros:
— Tá duvidando de mim? Tá duvidando da minha palavra? O Hitler sabia meu nome porque estava escrito no bolso da minha farda, ‘seu’ burro: SOLDADO OLIVEIRA! Tá ouvindo? — E virando-se para o filho: — É por isso, meu filho, que eu não gosto de contar essas histórias à gente ignorante!
— Que é isso, ‘seu’ Oliveira. Eu só lhe fiz uma pergunta... Perguntar não ofende. E daí, o que foi que aconteceu?
— Ora, quando ia avançar para prender o homem, ele abriu subitamente uma gaveta, retirou de dentro uma pistola cheia de balas, apontou para o próprio ouvido e PÁÁÁÁÁ! Caiu ciscando numa poça de sangue. Foi assim que morreu o Hitler, compreendeu?




* * *

Essa é boa para refletir sobre a índole do cearense. Ex-combatentes estrangeiros geralmente voltam doidos, invadindo escolas e supermercados e atirando a esmo, para tudo quanto é lado. Aqui no Ceará, os ex-combatentes, desde os tempos da Guerra do Paraguai, têm uma grande vantagem. Voltam mentindo. Ou melhor, fazendo humor de primeira linha.

ARIEVALDO VIANNA
(Todos os direitos reservados)

sábado, 13 de fevereiro de 2016

POR DENTRO DA HISTÓRIA



O BREVIÁRIO DE ANTÔNIO CONSELHEIRO E OUTRAS FONTES PARA A PESQUISA DA GUERRA DE CANUDOS

Por Arievaldo Vianna, da Aquiletras

Em agosto de 2012 estive na Bienal do Livro de São Paulo, realizada no Anhembi, lançando alguns livros em parceria com o meu ilustrador Jô Oliveira por editoras do Sudeste. É impressionante a diversidade e a quantidade de livros que abarrotam os “stands” daquela feira literária. O leitor fica com água na boca, se policiando para não gastar até o último centavo na aquisição de livros. Se bem que uma dessas aquisições me surpreendeu e eu pagaria até o dobro do que me foi cobrado para obtê-la. Trata-se da edição fac-similar de manuscritos de Antônio Vicente Mendes Maciel, o Conselheiro, escritos de próprio punho ou a mando deste, pelo seu secretário Leão de Natuba, que era um rapaz esclarecido e trabalhava também como guarda-livros do armazém dos irmãos Vila-Nova. Eis o que se encontra escrito no frontispício de um desses manuscritos, datado de 1897:
“A presente obra mandou subscrever o peregrino
Antônio Vicente Mendes Maciel
No povoado do Belo Monte, Província da Bahia
Em 12 de janeiro de 1897.”
Outro, mais antigo, data de 1895 e parece haver sido escrito pelo próprio Conselheiro, argumento que baseia-se na comparação com a sua assinatura constante em algumas cartas que escreveu:
“Apontamentos dos Preceitos da Divina Lei de Nosso Senhor Jesus Cristo,
Para a salvação dos homens.
Pelo Peregrino Antônio Vicente Mendes Maciel,
No povoado do Belo Monte, Província da Bahia, em 24 de maio de 1895.”
Os responsáveis pela publicação de parte desses manuscritos em edição fac-similar são os professores da UFBA Walnice Nogueira Galvão e Fernando da Rocha Perez, que o obtiveram num precioso acervo de mais de 4 mil peças deixadas pelo incansável pesquisador José Calazans. Antes de sua morte, Calazans doou esse material para o Núcleo Sertão, do Centro de Estudos Baianos da Universidade Federal da Bahia. O belíssimo exemplar que adquiri em São Paulo tem 152 páginas (uma pequena parcela das mais de mil páginas deixadas pelo Conselheiro), mas traz uma amostra bem significativa e faz alusões aos seus Sermões que deixam entrever um homem instruído, pacífico e bem intencionado, para quem era melhor servir a Deus do que aos tiranos da terra. Antônio Vicente Mendes Maciel, segundo os organizadores desta publicação, foi um dos primeiros pregadores sertanejos a se insurgir contra a escravidão, elogiando a Princesa Isabel e a abolição da escravatura num de seus sermões. Vale lembrar que boa parte dos seus seguidores eram ex-escravos que vislumbraram no arraial recém fundado um local apropriado para viver em comunidade  e começar uma nova vida.

Antônio Conselheiro - Museu da República-RJ


O mais surpreendente de tudo é que desta segunda edição, de 2011 (existe uma outra, datada de 2002), foi feita uma reduzida tiragem de apenas 300 exemplares, o que por si só já torna esta obra uma verdadeira raridade. A intenção da EDUFBA foi suprir uma lacuna, colocando ao alcance dos pesquisadores do assunto uma edição comentada dos preciosos documentos encontrados em Canudos, momentos antes de sua destruição.
O responsável pela conservação deste documento foi um soldado do 9º. Batalhão, chamado Eugênio Carolino de Sayão Carvalho, que doou os manuscritos a um jornal de Salvador. José Calazans conseguiu obtê-los no começo da década de 1970, dedicando-se à sua conservação e estudo, juntamente com outros papéis encontrados em Canudos, inclusive dezenas de versos populares que foram publicados no seu estudo “Canudos na Literatura de Cordel”.
Outra fonte assaz interessante é o blog de Maninho do Baturité, mais precisamente a postagem que traz como título “EXPEDIÇÃO DE PEDRO WILSON MENDES A CANUDOS”, realizada em 1949, quando este audacioso advogado e jornalista cearense, que era sócio de uma loteria, empreendeu uma viagem de jipe até a Bahia, onde fotografou e entrevistou diversos sobreviventes da chacina patrocinada pela República. Quem quiser conhecer este material basta acessar http://www.maninhodobaturite.com.br/?tag=canudos
Eis a apresentação que Maninho de Baturité faz deste intrépido aventureiro: “Aos 35 anos de idade, sem embargo da fama de ser um advogado que jamais perdeu uma causa, Pedro Wilson somava ao seu currículo a qualidade de jornalista combativo ininterruptamente disposto a denunciar falcatruas. Em 1949, contudo, o jovem jurista resolve dar um brevíssimo tempo às lides forenses e ao jornalismo para atirar-se na pesquisa histórica. Longe do o imediatismo das redações, Pedro Wilson se insurge como a primeira voz no deserto a abrir os olhos dos escritores com relação ao verdadeiro caráter de Antonio Vicente Mendes Maciel o Conselheiro.”

A guisa de conclusão, recomendamos ainda o recente livro publicado pelo escritor quixeramobiense João Bosco Fernandes Mendes, presidente da Aquiletras, que traz um minucioso estudo sobre o assunto em ordem cronológica, enfeixando as principais fontes que se ocuparam da Guerra de Canudos. A obra de Bosco Fernandes intitula-se “Antônio Conselheiro, memórias de família – Guerra de Canudos, levantamento cronológico.

(Artigo publicado no jornal O SERTÃO, de Quixeramobim-CE)

Página fac-similar do breviário de Antônio Conselheiro

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

SONETO

Baile na Roça - Cândido Portinari


De elo com a divindade a tortura psicológica

Dizem que a música é um elo entre os homens e o Divino. Nos livros sagrados da religião Hindu, inclusive no Kama Sutra, escritos cerca de mil anos antes de Cristo, a MUSICA é descrita como a mais bela entre todas as artes, ou o conhecimento dos deuses... "ela (a música) era considerada uma representação da beleza divina, uma mediadora entre a vida espiritual e a sensual. Uma linguagem universal usada para expressar a beleza e alegria, páthos enquanto oração, a música eleva a alma a um plano mais alto, possibilitando uma busca direta do divino."

Deve ser EXATAMENTE isso o que sentem os admiradores da música ENFINCA, DO BUCO-BUCO, do TRÁ e de outras brutalidades do gênero... Com certeza!

DO FORRÓ AO BUCO-BUCO

Que saudade dos forrós de antigamente...
No princípio, somente um sanfoneiro,
Um triângulo, um zabumba e um pandeiro,
E os casais festejando alegremente.

A cerveja se bebia mesmo quente
Nos salões, nas latadas, no terreiro,
No cangote se botava água de cheiro
Sob a luz do luar tremeluzente.

Hoje em dia tem guitarras metaleiras
Dez casais de baitolas e rameiras
No tablado requebrando o fiofó...

Umas letras horríveis, de mau gosto,
E eu escuto, traspassado de desgosto,

Essa porra ser chamada de FORRÓ.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

BLOGS, OS NOVOS ALMANAQUES



O que são os blogs, senão verdadeiros almanaques de variedades? Vejamos por exemplo o caso deste MALA DE ROMANCES… São centenas de postagens tratando dos mais variados assuntos: música, política, artes gráficas, cultura popular nordestina, história, curiosidades, enfim, um verdadeiro balaio de informações, com um ótimo diferencial que é a qualidade e bom humor com que cada assunto é tratado.


Almanaque O JUÍZO DO ANO, de Manoel Caboclo e Silva


Os ALMANAQUES POPULARES 
e a LITERATURA DE CORDEL

Essa ligação da Literatura de Cordel com os almanaques é muito antiga… Na primeira metade do século passado já circulava em todo o Nordeste o famoso ALMANAQUE DE PERNAMBUCO, do poeta e editor João Ferreira de Lima, que era um verdadeiro livro de cabeceira dos matutos de outrora. Basicamente eram informações sobre a quadra invernosa, os melhores dias para o plantio, receitas caseiras, plantas medicinais, astrologia, tábua das marés e curiosidades. A matriz parece ter sido o famoso LUNÁRIO PERPÉTUO que, segundo Câmara Cascudo, era uma das leituras prediletas do povo nordestino no século XIX, exercendo grande influência sobre os cantadores e poetas populares que exerciam o ofício de “cantar Ciência”, modalidade muito apreciada nos primórdios da cantoria.
No seu rastro surgiram outros almanaques similares, escritos e editados por poetas populares, como é o caso de Costa Leite, Vicente Vitorino de Melo e Manoel Caboclo e Silva. Destes, o único que ainda se encontra em atividade é Costa Leite, editando seu vetusto almanaque pela Editora Coqueiro.



O QUE É ALMANAQUE?


almanaque

substantivo masculino
  1. 1.
    calendário com os dias e os meses do ano, os feriados, as luas, as festas etc.; folhinha.
  2. 2.
    folheto ou livro que, além do calendário do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc.




O criador da palavra foi o filósofo e frei franciscano, Roger Bacon. Também conhecido como Doutor Mirabilis, que significa professor maravilhoso. Este Bacon foi homem da ciência e da fé, um luminar das falsas trevas da Idade Média. A palavra Almanac ou Almanach foi usada para designar textos relativos à astrologia e aos eventos ligados à passagem do tempo. Vem daí uma das fontes para o nome: al manak que significaria “a conta”, ou seja, a contagem dos dias, como um calendário. Mas não seria a única possibilidade: será que o nome não teria origem do pedaço de madeiro onde era traçado o curso lunar (al managht), ou a união de duas palavras egípcias (al + men, que seria cálculo + memória)? Mais ainda, em saxão al-monac seria uma variação de al-mooned (que significaria todas as luas). Existem ainda aqueles que admitem a palavra árabe “Manah”, uma variação encontrada na península espanhola, como sendo a fonte, e cujo possível significado seja calendário. E se olharmos em um dicionário, encontraremos a palavra “al-manakh”, que significa clima. Ainda assim, dois dicionários com o título de Dicionário etimológico da Língua portuguesa, mas de autores diferentes, identificam a palavra como tendo origem árabe, mas significando: lugar onde o camelo se ajoelha. Indicando os locais onde os camelos e os viajantes repousariam e trocariam informações. O grande problema é que qualquer que seja o significado, a palavra Almanaque não é encontrada em textos árabes, o que fez alguns linguistas sugerirem que Bacon inventou um neologismo, relacionando-o com árabe por meio do “al” por que no meio filosófico medieval, assuntos relacionados à astrologia e a matemática adquiriam status ao serem relacionados ao árabe, da mesma forma que a retórica é ainda muitas vezes relacionada com o latim.

Em Portugal, o primeiro almanaque foi publicado em 1496, em Leiria, por Abraão Zacuto e foi batizado de Almanach Perpetuum. Os almanaques foram se tornando cada vez mais populares, na medida na qual a ciência tornava-se mais exigente. Mesmo que Benjamin Franklin tenha editado seu próprio almanaque, quando chegamos ao século XX, o conteúdo havia se tornado mais e mais abrangente, apresentando curiosidades, com leitura simples e rápida. Não é tão importante a precisão acadêmica, é mais importante a forma de apresentar a curiosidade, portanto, o lugar onde o camelo se ajoelha é bem mais interessante que folhinha do tempo.

(Fonte: http://www.aletria.com.br/)



PHILOSOPHIA DE ALMANAQUE

Qualquer construção começa no chão...

• Pretensão e água benta, cada um tem quanto quer
• Preguiça não vai a missa
• Prece de pobre é pedido. Prece de rico é recibo
• Pra quem tem cavalo esperto, toda lonjura é perto
• Praga de urubu não mata cavalo velho
• Pra barriga cheia toda goiaba tem bicho
• Pequenos riachos formam grandes rios
• Pense rápido, fale devagar
• Passarinho que anda com morcego acaba dormindo de ponta-cabeça
• Parar é morrer
• O tempo é o senhor da razão
• O tambor é barulhento, mas por dentro só tem vento
• O que urubu não conhece não come
• O que o berço dá, a tumba leva
• O que é moda não incomoda
• O prometido é devido
• O pouco basta. O muito se gasta
• O pé do dono aduba o terreno
• O fácil de contentar tem menos para chorar.






segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ZÉ PACHECO, UM MESTRE DO CORDEL

A chegada de Lampião no Inferno 
(adaptação de uma gravura de José Guadalupe Posada)


JOSÉ PACHECO DA ROCHA

Segundo Átila de Almeida e José Alves Sobrinho, em seu Dicionário Bio-Bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada Volume 1, publicado em 1978 pela Editora Universitária de João Pessoa-PB, "José Pacheco da Rocha nasceu em 1890, em Porto Calvo (AL) e faleceu no dia 27 de abril de 1954, acidentado". Os autores não especificam as causas do acidente. As informações sobre a vida do grande poeta são escassas e cheias de controvérsia. Há quem afirme que ele era Pernambucano de Correntes. Segundo José Costa Leite, que o conheceu pessoalmente no final da década de 40, na feira de Itabaiana-PB, Pacheco era um camarada alegre, brincalhão e irreverente. Era acaboclado, de estatura mediana, e tinha um braço mais grosso que o outro. Gostava de trajar terno branco e promovia verdadeiros espetáculos recitando seus poemas nas feiras nordestinas. É autor de diversos clássicos da poesia popular como A chegada de Lampião no Inferno, A intriga do cachorro com o gato, A festa dos cachorros e A mãe do Calor-de-figo.
Os grandes poetas do presente e os pesquisadores que realmente entendem de Literatura de Cordel, consideram José Pacheco um dos grandes pilares da trindade máxima do cordel, ao lado de Leandro Gomes de Barros e José Camelo de Melo. Seu gênero preferido parece ter sido o gracejo, no qual nos deu verdadeiros clássicos. Escreveu também folhetos de outros gêneros, inclusive romances de grande repercussão, como “A princesa Rosamunda e a morte do gigante”.


Num folheto editado pelo próprio autor na década de 1940, encontra-se um AVISO na contracapa que fala de sua ligação com o editor João Martins de Athayde e dá como seu endereço residencial a Rua Primitivo de Miranda, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco. Poetas que o conheceram, como José Alves Sobrinho e João Firmino Cabral informavam que nos últimos anos de sua vida abraçou desregradamente o alcoolismo, sendo encontrado constantemente bêbado pelas feiras.

JOSÉ PACHECO NO TEATRO – Na década de 1970 o folheto mais famoso de José Pacheco inspirou o dramaturgo Sílvio Fróes a montar uma peça teatral com o mesmo título: A chegada de Lampião no Inferno, contando no elenco com o lendário Madame Satã, a cantora Elba Ramalho e o compositor paraibano Vital Farias.



Elba Ramalho, com Madame Satã e o "Grupo Chegança" em "Lampião no Inferno"

Veio uma diaba moça
com a calçola de meia
puxou a vara da cerca
dizendo: a coisa está feia
hoje o negócio se dana!
E gritou: êta baiana
agora a ripa vadeia!

(José Pacheco)


Na antologia de Literatura de Cordel lançada pelo BNB e organizada pelo saudoso Ribamar Lopes verificam-se as seguiantes informações sobre José Pacheco:

Há controvérsia sobre o lugar de nascimento de José Pacheco. Para alguns, ele nasceu em Porto Calvo, Alagoas; há quem afirme ter sido o autor de A Chegada de Lampião no Inferno pernambucano de Correntes. A verdade é que José Pacheco, que teria nascido em 1890, faleceu em Maceió na década de 50, havendo quem informe a data de 27 de abril de 1954, como a do seu falecimento. Seu gênero preferido parece ter sido o gracejo, no qual nos deu verdadeiros clássicos. Escreveu também folhetos de outros gêneros.
(...)

José Pacheco foi poeta fecundo. De sua considerável obra, apresentamos apenas alguns títulos.



GRACEJO:

· A Intriga do Cachorro com o Gato

· As Palhaçadas de um Caboclo na Hora da Confissão

· A Propaganda de um Matuto com um Balaio de Maxixe

· A Chegada de Lampião no Inferno

· O Grande Debate de lampião com São Pedro

· A Festa dos Cachorros

· A mãe do Calor de Figo

OUTROS GÊNEROS:

· A Beata que viu Meu Padrinho Cícero Sexta-feira da Paixão

· Grinaura e Sebastião

· A Mulher no Lugar do Homem

· A Princesa Rosamunda ou a Morte do Gigante

· Os Prantos de Cacilda e a Vingança de Raul

· Peleja de um Embolador de coco com o Diabo

· Os sofrimentos de N. S. Jesus Cristo.


Por: Arievaldo Vianna