domingo, 17 de maio de 2015

150 ANOS DE LEANDRO

Ilustração: Jô Oliveira


Por: Marco Haurélio (Cordel Atemporal)

Alguém é capaz de explicar como autores incensados em seu tempo, aplaudidos por um exército de sabujos, detentores de muitas láureas, hoje estão completamente esquecidos? Se conseguir, também explique como Leandro Gomes de Barros, poeta e editor nordestino, que enveredou pelas trilhas da literatura de cordel ainda não completamente definidas, morto em 1918, ou seja, há quase cem anos, mereceu de um público sempre renovado a imortalidade literária.

Nascido em 1865 no sítio Melancia, no município paraibano de Pombal, Leandro é, ao mesmo tempo, o grande desbravador da seara do cordel e sua melhor tradução. Não foi o primeiro a escrever e a publicar obras no gênero, mas, a partir dos temas explorados por ele e por seu conterrâneo Silvino Pirauá, dezessete anos mais velho, o cordel editado no Brasil achou o seu rumo. 

Sua obra abrangia desde os livros do povo, trazidos pelo colonizador luso, em versões fiéis ou recriações, a poemas que destacavam a gesta do gado, como a História do Boi Misterioso, ou relatos lendários, como o impressionante romance O Cachorro dos Mortos. Esta trajetória singular está bem esmiuçada na biografia do artista escrita pelo cordelista e admirador Arievado Viana, Leandro Gomes de Barros Vida e Obra (produção conjunta da editora Queima-Bucha e do Sintaf de Fortaleza).

Leandro inspirou grandes artistas, a exemplo de Ariano Suassuna, que, de duas obras suas inspiradas em contos tradicionais, O Dinheiro e O Cavalo que Defecava Dinheiro, além do poema de cunho religioso O Castigo da Soberba, de Silvino Pirauá, extraiu os motivos para a sua peça mais célebre, Auto da Compadecida. Inspirou outros cordelistas, apontando-lhes o caminho com suas obras consagradas por um público sempre ávido por histórias de temáticas variadas.
Leandro em linoleogravura de Jô Oliveira

Leandro, no entanto, tem brilho próprio e basta a leitura de seus textos mais célebres para entender o porquê de ele ainda ser lido, imitado, mas nunca igualado, ao passo que muitos de seus contemporâneos mergulharam nas águas do Lete para delas não mais emergir. 

A professora Ione Severo, de Pombal, pesquisadora do cordel e admiradora do poeta, prepara uma homenagem à altura de seu talento. Poetas, estudiosos e ilustradores da literatura de cordel se reunirão no berço do autor de Os Sofrimentos de Alzirae Cancão de Fogo para celebrar a passagem dos 150 de nascimento daquele que, quando vivo e mesmo depois de seu encantamento, foi cognominado, com justiça, O Primeiro Sem Segundo.

FONTE: Cordel Atemporal: www.marcohaurelio.blogspot.com.br

quinta-feira, 14 de maio de 2015

quarta-feira, 6 de maio de 2015

ACORDA CORDEL


Projeto do escritor Arievaldo Viana encanta alunos do Norte ao Sudeste do Brasil

Por: Pedro Paulo Paulino*

A Literatura de Cordel está reconquistando seu espaço nos mais diversos setores, com visibilidade na mídia e reconhecimento nacional e até internacional. O sucesso que esse gênero de literatura popular está atingindo deve-se principalmente a um movimento de ressuscitação do Cordel empreendido por artistas talentosos e dedicados que não medem esforços para mostrar ao público o valor da arte nordestina. Percebendo que a poesia popular tem uma densidade muito forte, não só em sua vasta temática mas como tradutora e guardiã fiel da nossa cultura, o cordelista Arievaldo Viana Lima foi um dos pioneiros a levantar a bandeira de reabilitação do Cordel que a cada dia se torna mais à mostra na simpatia do público.

O seu trabalho mais recente introduz o Cordel em um setor bem especial: a educação. Segundo Ari, no passado os estudantes da zona rural tinham contato com a leitura unicamente através dos folhetos comprados nas feiras das pequenas cidades. “Minhas primeiras leituras foram os ‘versos’ que eu lia para mim e para uma platéia que vibrava com as histórias de amor, de bravura, de gracejo, dos melhores autores, como Leandro Gomes de Barros, João Martins de Athayde, José Pacheco e muitos outros”, diz Arievaldo, referindo-se à sua infância na Fazendo Ouro Preto, em Quixeramobim, Ceará.

Partindo dessa constatação, ele caiu em campo e produziu agora um dos melhores trabalhos didádicos sobre o tema, o livro “Acorda Cordel na Sala de Aula”, publicado em parceria pelas editoras Tupynanquim e Queima Bucha, lançado no dia 05 de maio no espaço da livraria Livro Técnico, no Centro Dragão do Mar de Fortaleza. O trabalho, segundo o autor, está direcionado especialmente aos estudantes, e pode ser utilizado como ferramenta paradidática na alfabetização de crianças, jovens e adultos, pois traz explicações claras a respeito das técnicas do Cordel, versificação, rima, métrica, estrofes, modalidades, origens do Cordel e exercícios e atividades escolares baseados nessa literatura. A obra, ricamente ilustrada com reprodução de capas dos folhetos e xilogravuras dos melhores mestres, traz também biografia e antologia dos autores mais consagrados do gênero. “As experiências obtidas em cidades como Campina Grande-PB, Palmas-TO e Canindé-CE nos autorizam a afirmar que a receptividade entre os alunos é excelente, sobretudo em atividades como leitura em grupo e elaboração de novos folhetos entre os próprios estudantes”, explica. O livro acompanha ainda uma caixa contendo 12 folhetos de vários autores, inclusive canindeenses como Gonzaga Vieira e o próprio Arievaldo. O autor informa que em Londrina-PR, o Cordel está sendo trabalhado há mais de um ano pela profª. Bruna Scrivanti e na cidade de Palmas-TO, vem tendo grande destaque graças ao prof. Milton Félix, que participou de oficina realizada em setembro do ano passado, naquela capital. O projeto ACORDA CORDEL já foi destaque na imprensa nacional, com reportagens nas revistas Época e Palavra. Ainda este mês, segundo Ari, a revista Nossa História deverá trazer uma matéria sobre o Projeto Acorda Cordel. O próximo lançamento do livro será no dia 09 de junho em Mossoró-RN, a convite da Sociedade Brasileira de Estudo do Cangaço (SBEC).


O BE-A-BÁ VERDADEIRO


Uma avaliação recente do Ministério da Educação e Cultura (MEC), sobre as metodologias de ensino adotadas nas escolas, chegou a uma conclusão: é preciso mudar. Atualmente, mais de 60% das escolas em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, usa o método construtivista, criado pelo suíço Jean Piaget, no qual o professor mostra à criança um livro e a faz interessar-se pela história por meio de imagens. Ela é incentivada, inclusive, a adivinhar o enredo. Já pelo método fônico, o professor ensina o som de uma letra (B) e suas variações silábicas (BA, BE, BI, BO,BU). Pois agora o MEC reconhece que este é o método mais eficaz na alfabetização. Ora, através do método fônico um sem-número de gerações, inclusive a minha, alfabetizou-se, principalmente nas escolas informais da zona rural, pelas mãos da dedicada “professorinha que ensinou o bê-a-bá”, como disse Ataulfo Alves. E não resta dúvida que a alfabetização por meio desse método, além de direta, fixa muito mais a eufonia das palavras no ouvido do aluno, abrevia o aprendizado da leitura e ajuda a melhorar a ortografia, tão sofrível nos dias de hoje. Em nossas séries iniciais, numa dessas escolinhas domésticas do interior, aprendi, assim como o poeta Arievaldo, a ler e a escrever ouvindo e acompanhando a nossa mestra na soletração das palavras. Até mesmo uma cultura gráfica era desenvolvida naquele tipo de escola, pois se aprendia a rigor a desenhar cada letra - a mão da professora segurando a mão do aluno. Resultado era uma caligrafia artisticamente clara. Também meus primeiros livros foram os folhetos de Cordel, que os lia cheio de encantamento e expectativa. O Cordel estva atrelado à minha rotina escolar na infância. Era interessante, empolgava, remetia a temas épicos ou presentes no meu habitat. Era uma extensão da nossa cartilha. E talvez não é à toa que o seu formato padrão é o mesma da antiga Carta de ABC e da Tabuada na qual se aprendia aritmética e rudimentos da matemática. O escritor Arievaldo Viana teve um desses raros lampejos de inspiração ao conceber o Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula. Seu trabalho é tão substancial e atraente que à primeira vista prende a atenção e o interesse do leitor, especialmente do aluno. Não pude esconder o contentamento quando chegou às minhas mãos o exemplar do seu livro Acorda Cordel. Ao mesmo tempo, senti um profundo pesar íntimo, pois gostaria de ter recebido o seu belo livro na minha infância, quando aluno da minha primeira professora, Susana Viana, na Escolinha Particular de Campos.



* Pedro Paulo Paulino, cearense de Canindé, é jornalista e poeta popular. (Artigo publicado no Jornal DE MÃO EM MÃO, edição nº 100)




O AUTOR


Arievaldo Viana Lima, poeta popular, radialista, ilustrador e publicitário, nasceu na Fazenda Ouro Preto, Quixeramobim-CE, em 08 de setembro de 1967. Em 1980 transferiu-se com a família para Canindé. Em 1999, em parceria com o poeta canindeense Pedro Paulo Paulino, lançou uma caixa com 10 títulos denominada Coleção Cancão de Fogo. É o criador do Projeto Acorda Cordel na Sala de Aula. Membro da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, ocupa a cadeira nº 40. Em 2002 venceu o V Prêmio Domingos Olympio de Literatura (modalidade Cordel), da prefeitura de Sobral. Já lançou mais de 100 folhetos e 30 livros publicados.

CONTATO:  acordacordel@hotmail.com

PROJETO ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA

1 - LIVRO COM 144 páginas, tamanho 28x21cm, com a história da Literatura de Cordel, técnicas da poesia popular e exercícios para professores e estudantes.

2 - CAIXA COM 12 FOLHETOS, de autores diversos, incluindo a Gramática em Cordel e a Didática do Cordel.

3 - CD com 10 poemas musicados ou declamados por Arievaldo Viana, Geraldo Amâncio, Zé Maria de Fortaleza e Mestre Azulão.

Valor total do KIT - R$ 70,00 + DESPESAS POSTAIS. Enviamos pelo CORREIO para qualquer parte do Brasil.


DESCONTOS ESPECIAIS PARA REVENDEDORES.