sábado, 29 de agosto de 2015

CORDEL SERTÃO

SERTÃO CORDEL...




Oficinas de Cordel em Quixeramobim, patrocinadas pelo SESC, com apoio da AQUILETRAS - Academia Quixeramobiense de Letras, Artes e Ciência. Agradecimentos a Leni e ao Hugo (Sesc Quixeramobim), ao escritor João Bosco Fernandes, presidente da nossa Academia, ao amigo Bruno Paulino, vice-presidente da Aquiletras e ao professor João Paulo.  O tema das oficinas foi: O USO RACIONAL DA ÁGUA EM TEMPOS DE ESTIAGEM. Na sexta à noite, participamos do encerramento da programação do AO GOSTO DAS LETRAS, no SESC, numa sessão de contação de causos. Aí a voz pifou, por causa da virose que quase me deixou afônico, mas a platéia, composta por alunos do EJA, assumiu o microfone e espalhou a sua sabedoria sertaneja contando muitos causos e histórias. Aguardando novas fotografias, feitas no colégio Álvaro Carneiro e no SESC.







terça-feira, 18 de agosto de 2015

AGOSTO DAS LETRAS



ARIEVALDO VIANNA PARTICIPA EM JOÃO PESSOA DE OFICINAS E PALESTRAS NO ESPAÇO CULTURAL JOSÉ LINS DO REGO

Arievaldo, caricatura de William

Com palestras, feira de livreiros, oficinas, lançamentos de livros e de quadrinhos o projeto Agosto das Letras segue até sexta-feira (21), no Espaço Cultural José Lins do Rego. Entre atividades desta terça-feira (18) estão a oficina Biblioterapia, com Marília Mesquita, pela manhã. À tarde, o destaque da programação é a reabertura do Espaço Infantil da Biblioteca Juarez da Gama Batista, às 15h, com a presença da contadora de histórias Manu Coutinho.
A programação desta terça-feira inclui lançamentos simultâneos dos livros: “A Ditadura na Paraíba”, de Gilvan de Brito; Fotobiografia de José Américo, de Socorro Aragão, Neide Medeiros, Ana Isabel S. Leão. Destaque também para lançamentos dos quadrinhos “Augusto dos Anjos”, de Jairo Cézar e Luyse Costa; “Pedro Américo”, de Bruno Gaudêncio e Flaw Mendes; “Epitácio Pessoa”, de Neide Medeiros e Izaac Brito, “José Lins do Rego”, de Iranilson Burity e Megaron Xavier e “Ariano Suassuna”, de Bruno Gaudêncio e Megaron Xavier. A atividade acontece no mezanino 2, a partir das 19h.
Outra atração da Semana Literária é a roda de diálogo “Conversando sobre Zé Lins”, que acontece de terça (18) a sexta-feira (21), sempre das 9h às 12h, no museu que leva o nome do autor de “Menino de Engenho”. Diariamente, sempre a partir das 15h, acontece a Feira de Livreiros, no mezanino 2 do Espaço Cultural.
De acordo com Tatiana Cavalcante, coordenadora da ação, o Agosto das Letras pretende incentivar a aproximação da população ao conteúdo literário. “Por meio da leitura, contação de histórias, troca de livros e divulgação da produção dos escritores paraibanos, queremos estimular o consumo da literatura e ajudar a despertar nas pessoas, desde crianças a adultos, o interesse por essa arte que proporciona prazer e conhecimento”.

Quarta-feira – Além das atividades diárias, a programação da quarta-feira traz a oficina “A Objetividade dos objetos: procedimentos criativos para contar história”, com Heráclito Cardoso, no auditório 2. Na quarta (19) e quinta-feira (20), o escritor e cordelista Arievaldo Viana ministra a oficina “Acorda Cordel na sala de aula”, das 9h às 12h, na arena da Estação Ciência do Espaço Cultural. No mesmo horário, no auditório 1, Frederico Barbosa encerra a oficina “Som e imagem na poesia: como impactar com as palavras”. À tarde, a partir das 15h, as crianças experimentam o Momento Artes Visuais com Maurise Quaresma no Espaço Infantil da Biblioteca Juarez da Gama Batista. No mesmo horário, o grupo Sala Verde realiza uma contação de história no Teatro de Arena.
À noite, são lançados os livros “São Salabaussírio”, de Archidy Picado Filho; “A tragédia do Major Luís G. de Oliveira”, de Linalda de Arruda Melo; “Encontros e desencontros”, de Marisa Alverga; “Receitas de como se tornar um bom escritor”, de Linaldo Guedes; “Nunca me esqueça”, de Lara Corrêa; “Paixão segundo o metrópole”, de José Bezerra Filho e “Guarabira: missão, vila e cidade”, de Nonato Nunes. Os lançamentos são simultâneos e acontecem no mezanino 2, mesmo local reservado à Feira de Livreiros, às 19h. Logo após, às 19h30, Arievaldo Viana profere a palestra sobre Leandro Gomes de Barros no auditório 1. Na ocasião a biografia "Leandro Gomes de Barros - Vida e Obra" estará à venda ao público presente.
Quinta-feira - Segunda etapa da oficina ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA, com Arievaldo Viana, das 9h às 12h.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

QUIXERAMOBIM INSTALA ACADEMIA DE LETRAS



Na tarde da última sexta-feira, dia 14 de agosto, tendo como local o auditório da Escola Estadual Profissionalizante Dr. José Alves da Silveira, na cidade de Quixeramobim, região centro do estado do Ceará, aconteceu sessão solene para instalação da AQUILETRAS – Academia Quixeramobinense de Letras, Ciências e Artes. Ainda como parte integrante do evento, aconteceu o lançamento do livro “Antônio Conselheiro, Memórias de Famílias e Guerra de Canudos, Levantamento Cronológico”, da autoria do escritor João Bosco Fernandes Mendes.

A AQUILETRAS, de acordo com seu estatuto tem por finalidade promover, apoiar e incentivar as atividades literárias científicas e artísticas no município. A entidade será presidida pelo advogado e escritor João Bosco Fernandes Mendes e contará com os seguintes acadêmicos: Marum Simão, Francisco Rabelo, Moacir Simão, Bruno Paulino, Lindalva Teixeira, Gorethe Pimentel, Carlos Alberto Carneiro, Carlos Roberto Leite Costa, Ana Roberta Nógimo, Leorne Belém, Ana Claudia Oliveira, Arievaldo Vianna Lima, Graça Braga, Ricardo Machado, Azanias Henrique, José Artur Costa, Paulo Angelim, Mazé Damasceno, Elza Coutinho, Ana Maria Fernandes, Marcos Machado, Elistênio Alves, Terezinha de Oliveira, Vládia Simão, Gilberto Telmo, Zacarias Vasconcelos, Magno Barbosa e Osvaldo Costa Martins.

Fonte: blog do Crisanto Teixeira – Jornalista e Historiador.


João Bosco Fernandes, Prefeito Cirilo Pimenta e Dr. Ricardo Machado

RELAÇÃO DOS ACADÊMICOS

- João Bosco Fernandes Mendes - Presidente, ocupante da cadeira Nº 1, que tem como patrono Manuel de Oliveira Paiva.
- Marum Simão, ocupante da cadeira Nº 2, tendo como patrono Ismael Pordeus Costa Lima;
- Francisco Antonio Rabêlo, ocupante da cadeira Nº 3, tendo como patrono José de Alencar;
- Moacir Simão, ocupante da cadeira Nº 4, tendo como patrono Gustavo Barroso;
- Bruno Paulino do Nascimento, ocupante da cadeira nº 5, tendo como patrono João Brígido dos Santos;
- Lindalva Teixeira de Freitas, ocupante da cadeira Nº 6, tendo como patrono Euclides da Cunha;
- Maria Goreth Pimentel Nunes Amâncio, ocupante da cadeira Nº 7, tendo como patrono Antonio Conselheiro;
- Carlos Alberto Carneiro, ocupante da cadeira Nº 8, tendo como patrono Barão de Sturdat;
- Carlos Roberto Leite Costa, ocupante da cadeira Nº 9, tendo como patrono Antonio Bezerra de Menezes;
- Ana Roberta Nógimo Rodrigues Vasconcelos, ocupante da cadeira Nº 10, tendo como patrono José Aurélio Saraiva Câmara;
- Leorne Menescal Belém de Holanda, ocupante da cadeira nº 11, tendo como patrono Manuel Antonio de Andrade Furtado;
- Ana Claudia da Silva Oliveira, ocupante da cadeira nº 13, tendo como patrono Álvaro Otacílio Nogueira Fernandes;
- Arievaldo Viana Lima, ocupante da cadeira Nº 14, tendo como patrono Manuel Bandeira;
- Alfredo Ricardo de Holanda Cavalcante Machado, ocupante da cadeira nº 16, tendo como patrono Clodoaldo Pinto;
- Azanias Henrique da Silva, ocupante da cadeira Nº 17, tendo como patrono Antonio Furtado Bezerra de Menezes;
- José Artur Costa, ocupante da cadeira Nº 18, tendo como patrono Dom Antônio de Almeida Lustosa;
- Paulo Henrique Estevam Angelim, ocupante da cadeira Nº 19, tendo como patrono Américo Militão de Freitas Guimarães;
- Maria José Damasceno, ocupante da cadeira Nº 20, tendo como patrono Benjamin Liberato Barroso;
- Elza Pereira Bezerra Coutinho, ocupante da cadeira Nº 21, tendo como patrono Monsenhor Salviano Pinto Brandão;
- Ana Maria Fernandes de Almeida, ocupante da cadeira Nº 23, tendo como patrono Dr. Cornélio José Fernandes;
- Antonio Marcos Machado de Sousa, ocupante da cadeira Nº 24, tendo como patrono João Paulino de Barros Leal;
- Elistênio Alves da Silva, ocupante da cadeira Nº 25, tendo como patrono Fenelon Augusto Câmara;
- Terezinha de Jesus de Almeida Oliveira, ocupante da cadeira Nº 26, tendo como patrono Antonio Lemos Barbosa;
- Wládia Lúcia Brito Simão, ocupante da cadeira Nº 27, tendo como Eudoro Batista Santana;
- Gilberto Telmo Sidney Marques, ocupante da cadeira Nº 28, tendo como patrono Luís Costa Filho;
- Zacarias de Vasconcelos Barros, ocupante da cadeira Nº 30, tendo como patrono Sebastião Doth;
- José Magno Barbosa, ocupante da cadeira Nº 31, tendo como patrono Audifax Rios; e
- Osvaldo Costa Martins, ocupante da cadeira Nº 32, tendo como patrono Paulo Harding Júnior.

Logo após a posse da Academia, foi lançado o Livro “Antônio Conselheiro, Memórias De Família e Guerra de Canudos, Levantamento Cronológico” de autoria de seu presidente, escritor João Bosco Fernandes.


Fonte - Sistema Maior de Comunicação

quarta-feira, 12 de agosto de 2015

GLAUCO MATTOSO



GLAUCO MATTOSO, um dos maiores poetas brasileiros da actualidade saúda os membros da ACLAME (Academia Canindeense de Letras, Artes e Memória), após receber o título de MEMBRO HONORÁRIO. Eis o teor de sua correspondência, enviada ao presidente Silvio Roberto Santos, que será publicado aqui em duas partes...


[Communicação appresentada à ACLAME em agosto/2015]

Prezados confrades,

Segue minha contribuição para a memoria do sonnetto brazileiro, tal como Cruz Filho certamente continuaria a preservar si vivo fosse. A própria memoria do illustre canindeense, por sua vez, continua viva no espírito dos presentes apponctamentos, com os quaes  aggradesço a inscripção do meu nome entre os membros dessa relevante confraria litteraria.
Saudações paulistanas do
GLAUCO MATTOSO

ENGENHOSOS ENGENHEIROS DO ENGENHO

[1] Quando, em 2008, compuz o sonnetto catalogado como #2280 e superei a marca dos 2.279 attribuidos ao italiano Giuseppe Belli (1791-1863), alardeei que battia um recorde mundial, como si Belli ja fosse detentor do maximo premio quantitativo. A pilheria fazia parte duma estrategia de rehabilitação do tradicional molde tetrastrophico, a qual architectei durante a primeira decada do novo seculo e na qual se incluia uma anthologia virtual intitulada SONNETTARIO BRAZILEIRO (formatada pelos dedos do poeta Elson Fróes) e um sitio pessoal intitulado THE GUINNESS BOOK OF SONNETS. O presupposto era a provavel occorrencia de proezas semelhantes, ainda mais volumosas, contadas aos milhares, assignadas por outros poetas que - a exemplo dos 3.500 sonnettos eventualmente compostos pelo catharinense Luiz Delphino (1834-1910) e que, em sua obra completa, não passavam de 1.300 - não tivessem reunido tudo em livro e permanescessem na obscuridade, à espera da porta internautica que os legitimaria no pantheão dos expoentes do genero. Verbetei para o SONNETTARIO auctores vivos e mortos, fui ampliando meu proprio sitio com mais milhares... e nada de apparescerem os prodigiosos sonnettistas inveterados como eu! Consultei confrades de differentes gerações, dei buscas na rede virtual (antes e depois do advento do google)... em vão!
Pensei commigo: "Esses sonnettistas millesimaes, si existirem e forem vivos... ou não são da era digital, ou são tão caretas que só divulgam seu trabalho entre seus collegas de dilettantismo, talvez presos a pudores formaes e thematicos, ou temerosos das criticas e accusações de anachronismo, provincianismo, mediocridade ou pieguice." No fundo, era um pouco de tudo isso.

[2] Em outras etapas da estrategia, elaborei um TRACTADO DE VERSIFICAÇÃO e digitalizei (annotada e rebaptizada) a monographia do cearense Cruz Filho (1884-1974), HISTORIA E THEORIA DO SONNETTO, empreitadas que me fornesceram maiores subsidios e ampliaram meu campo de pesquisa. Ainda assim, nem signal dos millesimaes, tão discretos que estavam em sua clausura, ou tão secretos em sua confraria.
[3] Annos antes, emquanto ainda enxergava e não dependia do computador fallante, troquei correspondencia (manuscripta e dactylographica) com um desses laboriosos e silenciosos poetas, o paranaense Eno Theodoro Wanke (1929-2001), que, si não se destaccou pela quantidade, foi incansável auctor e pesquisador, tanto da trova quanto do sonnetto. Sua obra mais curiosa é o livro intitulado APPELLO, no qual o sonnetto homonymo, de cunho pacifista, figura em todas as paginas, vertido para 95 idiomas.
Eis o poema original:

APPELLO [Eno Theodoro Wanke]

Eu venho da lição dos tempos idos
e vejo a guerra no horizonte armada.
Será que os homens bons não fazem nada?
Será que não me prestarão ouvidos?

Eu vejo a Humanidade manejada
em prol dos interesses corrompidos.
É mester accabar com esta espada
suspensa sobre os lares opprimidos!

É preciso ganhar maturidade
no fomento da paz e da verdade,
na suppressão do mal e da loucura...

Que a estructura economica da guerra
se faça em pó! E que reinem sobre a terra
os fructos do trabalho e da fartura!


[4] Wanke era engenheiro de formação e sua vocação poetica foi tida por uns e outros como hobby de apposentado, coisa de vovô fazendo versos para a netinha. Na bitolada visão de taes criticos, uma carreira litteraria "maior" teria que passar pelo crivo academico, teria que furar o bloqueio dos patrulheiros ideologicos e methodologicos, esses pedantes obstaculos à diffusão, no patamar mais intellectualizado, de toda producção superficialmente rotulada de "maneirista" e "simploria".
Indifferente aos commentarios de que o sonnetto accyma seria "rhymaticamente pobre, syntacticamente primario e thematicamente ingenuo", considero-o estichologicamente correcto e litterariamente meritorio, no sentido de reflectir o pensamento do auctor e, portanto, ser fiel a uma biographia - o que, do poncto de vista existencialista, lhe confere a mesma authenticidade que reivindico para a minha própria obra em relação ao dicto "eu lyrico" ou à dicta "voz poetica". De resto, a erudição de Wanke nada deixava a desejar, comparada à de qualquer cathedratico em lettras, o que desarma as levianas accusações de amadorismo feitas por este ou aquelle desadvisado. Em summa, si quero para mim o reconhescimento da pornographia como legitima expressão da biographia e a acceitação da escatologia como legitima expressão da mythologia pessoal, coherentemente quero para Wanke a consagração do truismo como legitima expressão do altruismo.

[5] Si vivo fosse, Wanke seria necessariamente a fonte a quem eu recorreria para appurar e mensurar a obra de outro engenheiro subestimado como sonnettista mas digno da maior attenção como phenomeno creativo. Fallo de Jorge Tannuri (1939-?), sobre quem ja postei os
paragraphos abbaixo em meu blog de annotações e sobre quem tenho outros commentarios a adduzir mais addeante.

{Os maiores sonnettistas occidentaes (portanto mundiaes, ja que o sonnetto, ao contrario do macarrão ou do futebol, é uma typica invenção occidental) não são maiores pelo volume da obra, certamente, pois que a contam pelas centenas, não pelos milhares de sonnettos, a começar dos paes da creança: Petrarcha com trez centenas, Camões com duas. No Brazil, mesmo durante o apogeu parnasiano, a conta não inflaciona alem do excedido milhar que se attribue a Luiz Delphino, a julgar pelo balanço do tambem parnasiano Cruz Filho, cuja HISTORIA E THEORIA DO SONNETTO (que assim rebaptizei apoz annotar criticamente) credita mais de oito centenas ao arcadico José Maria do Amaral e evita maiores comparações numericas. Como ninguem aqui está fallando dos gols de Pelé nem de Friedenreich, a preoccupação quantitativa só faria sentido si o sonnettista fosse candidato a uma vaga, não na Academia Brazileira de Lettras, mas no Guinness Book. Pessoalmente, pilheriei bastante sobre um hypothetico recorde do genero emquanto, entre 1999 e 2012, compuz alem do quincto milhar e, mais acintosamente, quando superei os 2.279 sonnettos compostos pelo italiano Giuseppe Belli no seculo XIX, embora sciente de que, dentro ou fora do meu proprio paiz, haveria algum maluco que, anonymo ou não, se fixasse nesse molde ainda mais obsessivamente do queme fixei.






Ja na epocha (2008) em que eu andava pelos dois milhares, alguem me fofocou que um certo Jorge Tannuri passava dos quattro. Quando, finalmente, me "limpei" do vicio, em 2012, elle teria chegado aos seis milhares e, a menos que battesse as botas, estaria hoje pelos dez. O mais inaccreditavel nessa historia é que alguem com tamanha bagagem, si não entrasse para a ABL, teria de ser ao menos commentadissimo na rede virtual, como eu mesmo fui, ainda que pouquissimo lido... mas Tannuri não era encontradiço no cyberespaço. Seria um personagem da ficção internerdica? Só recentemente as buscas deram algum resultado, para meu allivio, pois eu temia que os boatos fossem alimentados apenas pela lenda dum auctor quantitativamente productivo mas qualitativamente inconsistente. Ainda bem que sua versificação se me revelou inteiriça e, o mais importante de tudo, não era assim tão oca. Não sei por que a midia especializada, os organizadores de anthologias ou os zineiros e blogueiros não ventilavam o nome de Tannuri. Publicar, elle publicava, fosse no formato livro ou folheto. Participar de encontros e debattes poeticos, que eu saiba, elle participava. Paresce que até fundou uma Sociedade Litteraria do Sonnetto, que seria a SOLIS, mas a sigla suggere um isolamento que não sei si chega às proporções do Gremio Recreativo e Eschola de Samba Eu Sou Mais Eu. Espero que não, mesmo sem ter sido convidado a me associar, pois sempre achei que o sonnetto precisava de mais defensores, ja que detractores não lhe faltam.

Agora que me livrei do TOS (transtorno obsessivo sonnettomaniaco), posso allegar, entre amigos, que isso de recorde é bobagem, ainda que o proprio Tannuri, ao que me relatam, fizesse questão de superar metas. Minhas allusões ao assumpto, alem de ironicas, serviam mais para emphatizar a compulsão sonnettistica como alternativa (no caso do cego emputescido e puteador) ao suicidio, ao alcoholismo, às drogas, ao jogo ou, simplesmente, à insomnia e à masturbação. Si eu realmente estivesse obcecado pelo recorde e dependente dessa insomne addicção, não teria parado de sonnettar em 2012 nem teria interrompido a producção tantas vezes para escrever romance, conto, chronica, motte glosado, pelleja ou tractados estichologicos e orthographicos. Peor, si eu de facto ambicionasse um logar no Pantheão dos campeões de productividade sonnetifera, minha insomnia não seria causada pela cegueira, mas pela paranoia de que, em qualquer poncto do paiz, uma Emily Dickinson da
vida, quem sabe la em Florianopolis, em Paraisopolis ou em Petropolis, tivesse deixado, manuscriptos em calhamaços, mais de dez ou vinte mil sonnettinhos psychographados, fossem assucarados ou amargurados, para desbancar Amaral, Delphino, Mattoso ou Tannuri sommados... Credo em Cruz, Filho!

Voltando ao Jorge, que felizmente não é tão aguado nem mellado quanto o J. G. de Araujo Jorge, achei delle, si não seus livretos, alguns exemplos que em nada desmerescem a reputação desse paulistano de 1939 que, radicado no Rio, formou-se pela Eschola Nacional de Engenharia da Universidade do Brazil (hoje UFRJ) em 1961, especializou-se na França em 1964 e, desde 1976, habituou-se a compor sonnettos, timidamente a principio e, depois de apposentar-se em 1997, capitulou à mania. Sei bem como é isso. Mas não é intrigante? Mesmo registrando seus livros na Bibliotheca Nacional e, ja em 2008, chegando aos cinco mil (emquanto eu ainda estava nos trez), seus sonnettos não eram divulgados siquer a poncto de chegarem-me às mãos... O caso de Tannuri me lembra o de outro profissional da area, Eno Theodoro Wanke, incansavel pesquisador da trova e tambem sonnettista, que só era bem conhescido em círculos alternativos, embora tivesse até suas connexões internacionaes.

A que se deve (perguntariam os adeptos da theoria da conspiração) tal ommissão, ou tal indifferença, ao caso de Tannuri? Seria por causa da thematica? Mas si até a minha, pornographica em grande parte, não permanesceu silenciada pelos puristas e puritanos! Ou seria por algum viez politico, ideologico ou sectario, vale dizer, as inexoráveis panellinhas e egrejinhas, que vivem a nos patrulhar? Quanto às egrejinhas, talvez uma pista para o hypothetico boycotte ao Tannuri fosse sua solidariedade ethnica e ethica ao povo palestino, ao qual tambem me solidarizei, como no caso do sonnetto "Damnações Unidas" que offeresci à anthologia POEMAS PARA A PALESTINA, organizada por Claudio Daniel e Khaled Mahassen. Não sei. Só sei que Tannuri maneja sem pejo a grammatica, a metrica, a rhyma e, principalmente, a thematica. Si não é desbragadamente debochado nem despudoradamente fetichista, isso até deveria ser tido na conta de virtude, por opposição ao vicio que me estigmatizou como pornographo. Algum mestrando ou doutorando provavelmente theorizará a respeito, ainda que tarde.

Examinemos, entretanto, o que temos à mão, attendo-nos aos contextos palestino e brazileiro. Intercalo sonnettos meus aos de Tannuri a fim de propiciar ao leitor uma base de parallelismo. Depois commentamos.

A HEROICA SAPATADA [Sonnetto 4630 de Jorge Tannuri, em 19/12/2008]

Ao fim dos seus ruinosos dois mandatos,
Resolve o abutre-mor inconsequente,
Chegar até Baghdad, onde seus actos
Deixaram morticinio deprimente...

Um jornalista adverso dos maus tractos
Impostos pelo biltre prepotente
No Irak, direcciona dois sapatos
E o chama de cachorro delinquente...

Na offensa contra o norte-americano,
Mostrou-se bem heroico o mussulmano,
Embora fosse amarga a recompensa

Da sapatada, com prisão, tortura,
Espancamento, abuso de censura
E desrespeito à livre acção da Imprensa.


LANÇAMENTO DE LIVRO [Sonnetto 3886 de Glauco Mattoso, em 17/10/2010]

Sapatos attirar no presidente,
si for americano, é o melhor gesto
de alguem que, revoltado, faz protesto
e, ao vivo, está das cameras na frente.

Mas gesto ainda mais intelligente
é aquelle do escriptor, tão immodesto
a poncto de esperar que o manifesto
lhe renda fama e gloria, de repente:

Seu proprio livro attira (e rente passa
ao rosto do estadista), emquanto a photo
lhe flagra a cappa e a imagem nem embaça.

Em todos os jornaes, depois, eu noto
que ommittem livro e auctor, ja que, de graça,
ninguem faz propaganda nem dá voto.


GAZA [Sonnetto 4635 de Jorge Tannuri, em 31/12/2008].

Que importa democratica victoria
Obtida num pragmatico escrutinio,
Si um povo é dizimado em morticinio
Por manu-militari peremptoria?

Que importa Mahomé, no vaticinio
Da crença mussulmana alcançar gloria,
Si a vida do Hamaz é merencoria
Com Gaza no calvario do exterminio?

Que importa existir ONU quando as guerras
Decretam-se, por ambições de terras
Tramadas pelos credos assassinos?

Que importa haver a Paz, si a humanidade
Condemna à morte e priva a liberdade,
Na patria dos heroicos palestinos?


SEMITA [Sonnetto 854 de Glauco Mattoso, em 28/8/2003]

"Shalom!" traduz "Salam!": todo opprimido
é primo do oppressor, com quem apprende
a lingua de quem compra e de quem vende
petroleo ou arma, a seita ou o partido.

Mais tempo a guerra aos bancos tem servido,
mais rende, emquanto a morte não se rende
à vida. Quando, emfim, alguem desvende
o enigma, já estará tudo perdido.

Salim e Salomão, Thorah e Corão.
Caim cahiu, e Abel é bellicista.
Javeh propoz, shiitas disporão.

Na areia, cada gotta é uma conquista.
Diluvios racionaram cada grão.
Divisa é linha. A paz, poncto de vista.


O VERO EIXO DO MAL [Sonnetto 4638 de Jorge Tannuri, em 2/1/2009]

Um eixo, para o mal, antes citado
Por Bush, o criminoso costumeiro,
No seu papel de estupido guerreiro,
Não teve seu perjurio comprovado...

Um vinculo deveras destinado
À morte, se appresenta sorrateiro,
Com Tel-aviv e Washington, certeiro
Em dizimar quem seja de outro lado...

Na ONU com o seu poder de veto,
Os norte-americanos dão concreto
Appoio contra a causa palestina

E as armas de Israel vão destroçando
Escholas, hospitaes, gente... em nefando
Terror que desaccapta a lei divina.


DAMNAÇÕES UNIDAS [Sonnetto 4713 de Glauco Mattoso, em 25/9/2011]

Questão controvertida! A Palestina
estado quer tornar-se. Tem direito,
é claro. Um bom accordo estava acceito
entre arabe e judeu, não fosse a mina.

A mina, subterranea, sibyllina,
symbolica, que impede esse perfeito
accordo, é o interesse do subjeito
que está, não la, nem perto, nem na China.

Quem mella qualquer chance de fronteira
commum haver alli, tem seu quartel
num banco americano, é o que me cheira.

Não só: tambem está botando fel
nas aguas, no petroleo, e vae à feira
vender metralhadora ao coronel.


HA... [Sonnetto 3850 de Jorge Tannuri, em 24/5/2006]

Ha récordes de imposto arrecadado
E o povo sobrevive na inquietude...
Ha nullo attendimento na Saude
E o pão de cada dia está minguado...

Ha tempos, o governo nos illude,
Mentindo ser precioso o resultado,
Mas só num raciocinio retardado
Cae bem esta banal similitude...

Ha pantanos nos leitos das estradas,
Ha escholas que estão sendo abandonadas
E o ensigno se degrada por inteiro...

Ha crime organizado e insegurança...
E deante desta homerica lambança,
Pergunta-se onde vae tanto dinheiro.


REDUNDANTE [Sonnetto 190 de Glauco Mattoso, em 1999]

Pediram-me um escandalo, e é p'ra ja.
Malversação de fundos? Nada disso.
O seio da modello, que é postiço,
tambem ja não excita a lingua má.

A droga nas escholas? Ninguem dá
a minima importancia ao desserviço.
Sequestro de empresario? Algum sumiço?
Remedio adulterado? Qua! Qua! Qua!

A fraude eleitoral virou roptina.
As contas no exterior não causam pasmo.
Ninguem extranha o cheiro da latrina.

Até Mathusalem ja tem orgasmo!
Só resta a commentar, em cada esquina,
que o cego é chupa-rola... Um pleonasmo!


Dirão os adeptos do rigor estichologico que, à primeira e superficial leitura, tudo paresce fluir bem nos versos tannurianos. Os decasyllabos, quasi todos heroicos, estão regularmente metrificados, rhymados e rhythmados. Mais attentamente observando, comtudo, verificarão que as rhymas são, por vezes, pauperrimas: no sonnetto 4630 de Tannuri, quattro substantivos dão versos graves em "atos", quattro adjectivos em "ente", mais dois adjectivos em "ano", dois substantivos em "ura" e dois em "ensa". A syntaxe delle, telegraphica, caresceria de artigos e
conjuncções que alliviassem a juxtaposição de tantos substantivos e adjectivos. Emfim, o effeito essencialmente poetico, que deveria ser obtido por meio das figurações metaphoricas ou anastrophicas mais typicas do discurso sonnettistico, deixa, diriam, a desejar, ficando apenas a impressão de obviedade simploria, aggravada pela ordem directa, fria e secca. Isso para não fallarem na sisudez casmurra, na ausência total de ironia, sarcasmo, emfim, senso de humor. Quanto a mim, que nunca estou livre de criticas, dirão que tambem no sonnetto 190 as
rhymas dos tercettos são pobres, que tambem commetto ellipses asyndeticas, e tal. Mas são os leitores que vão dizer si meus versos teem a cara do Mattoso e si os de Tannuri teem cara só delle.

Technicamente considerando, segundo os mais zelosos, os sonnettos de Tannuri seriam correctos. Poeticamente, porem, nem tanto. Ahi alguém poderá dizer que quaesquer sonnettos, de todos os auctores (inclusive os meus) incorreriam nos mesmos lapsos, uns mais, outros menos relapsos. De certo modo, sim. Em milhares de versos, por exemplo, fatalmente algumas rhymas mais recorrentes accabam por banalizar-se. Uns tantos logares communs, à força de reiteradamente empregados, desgastam o estylo e causam aquella monotona e tediosa impressão de autoplagio ao fim da leitura de poucas centenas de estrophes. Até Camões padesce de taes vicios durante a extensa jornada dos LUSIADAS. Mas cada poeta acha seu trunfo num estylema especial, numa "assignatura" discursiva pessoal, numa "tara" verbal particular, propria ou figuradamente fallando, que lhe "salva" a originalidade da composição, e Tannuri paresce resentir-se da falta dessa marca registrada. Um sonnetto seu poderia ser impessoalmente attribuido a qualquer outro auctor do genero, desses que pullulam obscuramente pelas anthologias, sem que ninguem desse pela coisa. Por essas e outras é que, alem do meu linguajar promiscuamente chulo e prophanamente castiço, faço questão de orthographar meus versos, tal como reorthographei os de Tannuri aqui exemplificados. E você,
leitor, seria capaz de confundir um deca delle com um meu? Peor que sim, alguem dirá que confundiu. E agora, Pedro José?

Si serve de consolo, não morri da sonnettomania que accompanharia ao sepulchro a mediunica senhorinha de Petropolis ou o hyperactivo engenheiro apposentado, pois o cego puto, debattendo-se entre a insomnia, o pesadelo e a phantasia masturbatoria, appegar-se-a desesperadamente ao motte glosado, ao madrigal, ao conto, ao romance ou ao ensaio, quando não ao buddhismo, ao fakirismo ou à automassagem linguopedal contorcionistica, a fim de preencher seus ultimos estertores antes do derradeiro suspiro... Ufa!}

(...)

Glauco Mattoso, pseudônimo de Pedro José Ferreira da Silva, (São Paulo, 29 de junho de 1951) é um escritor brasileiro.Seu nome artístico é um trocadilho com glaucomatoso, termo usado para os que sofrem de glaucoma, doença que o fez perder progressivamente a visão, até a cegueira total em 1995. É também uma alusão a Gregório de Matos, de quem se considera herdeiro na sátira política e na crítica de costumes [1] . (Fonte: Wikipedia)

terça-feira, 11 de agosto de 2015

LENDAS BRASILEIRAS EM CORDEL



Neste mês do FOLCLORE estou publicando postagens relacionadas com as lendas e contos populares brasileiros, que são realmente fascinantes. Já bebi muito nessa fonte para escrever minhas histórias em CORDEL. Citaria, dentre os primeiros textos, "A raposa e o cancão" e "O bicho folharal", livros lançados pela Editora IMEPH, ainda hoje adotados em escolas de todo o Brasil. 



Fiz também um volume para os CORREIOS, com diversas lendas brasileiras, dentre elas "A MÃE DO OURO", uma das que mais gosto. Essas lendas foram ilustradas magistralmente por Jô Oliveira, meu parceiro mais frequente nos últimos dez anos.

Vejamos, a seguir, o início da lenda A MÃE DO OURO:



A LENDA MÃE DO OURO

1 - Nos sertões de Mato Grosso
Um tropeiro, menestrel,
Lá das bandas de Rosário
Falou-me de um coronel;
Rico senhor de escravos
A quem tratava com agravos
Da maneira mais cruel.

2 - Junto ao Rio Cuiabá
Em tempos que longe vão
Este rico potentado
Ergueu a sua mansão,
Seus escravos trabalhavam
Dia e noite se ocupavam
Somente em mineração.

3 - Tinham por obrigação
Trazer para o seu senhor
Certa quantidade em ouro
E outros metais de valor,
Senão eram castigados
Em um tronco vergastados
Por mau e cruel feitor.

4 – Esse coronel vivia
Cheio de ouro e cobiça
Acusando os seus escravos
De lerdeza e de preguiça
Bastante ouro arranjava
Porém nunca se fartava
Pois a ganância o atiça.

5 - Tinha um escravo já velho
Que chamavam pai Antônio
E o pobre negro, coitado,
Andava muito tristonho
Por não encontrar o ouro
Queriam tirar-lhe o couro
Nesse castigo medonho.

6 - Certo dia, pai Antônio
Saiu a se lamentar
Andando à toa no mato
Em vez de ir trabalhar,
Então sentou-se no chão
Cobriu o rosto com a mão
E começou a chorar.

7 - Quando descobriu o rosto
Viu uma mulher formosa
Da cabeleira de fogo
Dizendo-lhe, muito jeitosa:
- Por quê choras, Pai Antônio?
Então o preto tristonho
Contou-lhe a vida amargosa.

(...)

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

AGOSTO, MÊS DO FOLCLORE


Cabeça de Cuia, Boto cor-de-rosa, Papa-figo
Curupira, Mula sem cabeça e Lenda da Iara

Versos de Moreira de Acopiara (Manoel Moreira Júnior)
Ilustrações de Arievaldo Viana


FOLCLORE, O QUE É?

Folclore é o conjunto
Das crenças e tradições;
Conhecimentos do povo,
Lendas e superstições,
Adivinhas, festas, causos,
Poesias e canções.

São anedotas, são gestos,
E histórias que causam medos;
Cantigas, jogos, parlendas,
Artesanatos, brinquedos,
Brincadeiras, danças, contos,
Vestuários e segredos.

São orações e crendices,
São ditados populares...
E ele está muito presente
Nos mais diversos lugares,
Desde as mais simples moradas

Aos mais suntuosos lares.


(...)

terça-feira, 4 de agosto de 2015

AGENDA DE OUTUBRO/2015

EM CAXIAS DO SUL-RS




Aula espetáculo do projeto 
ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA
no 22º PROLER, em Caxias do Sul-RS, 
dia 16 de outubro de 2015.