segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CORDEL EM PORTO ALEGRE




No dia 13/11, fizemos nossa primeira apresentação na TENDA DE PASÁRGADA, onde o público de Porto Alegre nos deu as boas vindas com aplausos calorosos e boas risadas, quando declamamos poemas engraçados como PROEZAS DE JOÃO GRILO e CHEGADA DE LAMPIÃO NO INFERNO.
Logo depois, realizamos oficina de cordel na sala de vídeo da 60 Feira do Livro de Porto Alegre, para um público pequeno, porém interessadíssimo no assunto.
No dia seguinte  (14/11) tivemos uma tarde/noite memorável, de grande interatividade com os alunos do EJA da escola José Loureiro, em Porto Alegre-RS, durante a programação da 60a. Feira do Livro de POA. A direção da escola nos deu uma maravilhosa acolhida e ainda contamos com a presença da cantora/compositora Marisa Rotemberg que deu um show, interpretando canções de Lenine, Zeca Baleiro, Elba Ramalho e Ednardo, enquanto eu fazia meu repertório de declamações. Na lista dos mais aplaudidos: O batizado do gato e O jumento Melindroso desafiando a Ciência, de minha autoria, seguido de Me enganei com minha noiva (Luiz Campos), Eu e Maria (Geraldo Amâncio) e Idéias de Caboclo (Alberto Porfírio). Para encerrar, trechos do novo cordel Queixas de uma vaca a Roberto Carlos (parceria com Klévisson Vianna).



Na Biblioteca Moacir Scliar, com Rafael Cardoso 
e Sônia Zanchetta (organizadora do evento)

Com Maria Helena, da Editora CORAG

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

CORDEL CEARENSE EM PORTO ALEGRE


Arievaldo Viana ministra oficina Cordel na sala de aula na Feira do Livro, dia 13/11

Fonte: Fonte: http://www.feiradolivro-poa.com.br/noticias/arievaldo-viana-ministra-oficina-cordel-na-sala-de-aula-na-feira-do-livro

Escritor, poeta popular, radialista, ilustrador, chargista e xilogravador, o cearense Arievaldo Viana ministrará na 60ª edição da Feira do Livro de Porto Alegre a oficina Cordel na sala de aula, no dia 13 de novembro, às 18h, na Sala de Vídeo.
Viana, que já escreveu mais de 100 livretos de cordel e publicou, como autor e ilustrador, cerca de 30 obras – sendo cinco lançadas em 2014 –, trará para a Feira as experiências do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula, a partir do livro homônimo de 2005. Em pauta, as origens de cordel, suas modalidades, principais expoentes e regras básicas. “Tudo isso com  interatividade com o público e, no final, faço uma aula-espetáculo declamando alguns clássicos do gênero”, explica o cordelista.
Criado em 2002 em Canindé, no Ceará, o projeto propõe a utilização da poesia popular como ferramenta auxiliar na educação, através de oficinas de capacitação para professores e de cursos de iniciação à Literatura de Cordel para educadores e estudantes, assim como de estudos a partir da linguagem e informações diversas contidas nos folhetos.
O crescente interesse pela Literatura de Cordel pode ser medido pelo avanço do projeto em outras cidades cearenses, assim como em outros estados, e pela participação do autor em evento literários em todo o Brasil. Em 2014, Viana virá para a Feira do Livro pela terceira vez.
Segundo ele, um ponto alto  das participações anteriores foi o lançamento de alguns folhetos pela editora Corag, com adaptações de contos de Simões Lopes Neto para o cordel, além do Estatuto do Idoso e do Estatuto da Criança e do Adolescente nesse formato. “Gosto muito da receptividade do povo de Porto Alegre e da forma como a Feira [na Área Infantil e Juvenil] vem sendo organizada pela Sônia Zanchetta e toda a sua equipe. Espero dar continuidade ao meu projeto editorial nas editoras do Rio Grande Sul, pois sou fascinado pela cultura gaúcha e, principalmente, pelos livros do escritor Simões Lopes Neto, que tenho adaptado para o cordel”, conta.
A atividade integra a programação do ciclo A Hora do Educador. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail visitacaoescolar@camaradolivro.com.br. É necessário informar nome completo, profissão, e-mail e telefones


Do Sertão para o mundo
Nascido no Sertão Central do Ceará, criado com feijão de corda, cuscuz e rapadura, à luz de lamparina e bebendo água de pote, como faz questão de ressaltar na sua biografia, Viana é mais do que conhecedor, é um apaixonado pela poesia popular nordestina.
Alfabetizado em meados da década de 1970, graças ao valioso auxílio da Literatura de Cordel, teve como referência o seu pai, Evaldo Lima e sua avó, Alzira de Sousa Lima, que liam folhetos de cordel em voz alta para ele e outras crianças da família.
Uma vivência que virou marca do seu trabalho. “Minhas primeiras incursões no mundo das letras já estavam relacionados com o cordel. Em 1986, lancei uma HQ intituladaCanindé – da lenda à realidade, que mesclava a linguagem dos quadrinhos com a literatura de cordel. Nos anos seguintes, publiquei algumas crônicas em jornais e revistas e alguns folhetos de cordel que resolvi enfeixar num livro chamado O Baú da Gaiatice (hoje na terceira edição), que foi um sucesso. Em 2002 surgiu o projeto Acorda Cordel na Sala de Aula e começaram a surgir convites de editoras para publicação de textos em cordel no formato livro infantojuvenil ilustrado”, lembra.
“A princípio, houve alguma resistência por parte de pesquisadores alegando que isso descaracterizaria o cordel. Isso não é verdade. O que determina a autenticidade do cordel é a sua LINGUAGEM e não seu SUPORTE.
Eu sempre procurei ser fiel à escola de Leandro Gomes de Barros e José Pacheco da Rocha, pioneiros e grandes expoentes desse gênero”, defende.
Em 2000, Viana foi eleito para a cadeira de número 40 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, cujo patrono é o poeta João Melchíades Ferreira (1869 – 1933), um dos pioneiros desse gênero.  Em 2002, conquistou o prêmio Domingos Olimpio de Literatura, promovido pela Prefeitura de Sobral-CE, com uma adaptação do romance Luzia Homem para o cordel.
O autor já recebeu selo “altamente recomendável” da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e teve livros incluídos no catálogo da Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália, uma das mais importantes do mundo. Alguns dos seus livros também foram adotados pelo Ministério da Educação (MEC), através do PNBE (Programa Nacional da Biblioteca Escolar). São eles: A Raposa e o Cancão (Editora IMEPH, 2007), Ilustrado por Arlene Holanda, A ambição de Macbeth e a maldade feminina (Editora Cortez, 2009), ilustrado por Jô Oliveira, João de Calais e sua amada Constança (Editora FTD, 2012), em parceria com Jô Oliveira. Lançado em 2014 em parceria com Arlene Holanda, O beabá do sertão na voz de Gonzagão (Editora Armazém da Cultura), também integra a relação.
Mais sobre a Literatura de Cordel
Considerada a mais legítima manifestação cultural do povo nordestino, a Literatura de Cordel representa um poderoso veículo de comunicação de massas. Oportunamente batizada de “professor folheto”, foi responsável, durante muitos anos, pela alfabetização de milhares de nordestinos, constituindo, em muitos casos, o único tipo de leitura que tinham acesso as populações rurais na primeira metade do século 20.
A poesia popular nordestina, que ainda sobrevive nos dias de hoje, é herdeira direta da tradição grega, eivada de influências dos trovadores medievais da Península Ibérica. Essa poesia, antes difundida pela tradição oral, passou a ser publicada sistematicamente a partir da última década do século 19, pelo poeta paraibano Leandro Gomes de Barros.
Aliás, o poeta, que completa 150 anos de nascimento em 2015, é tema de uma biografia ainda inédita de Viana, intitulada Leandro Gomes de Barros – Vida e Obra.


Para saber mais sobre Literatura de Cordel, acesse o blog do autorhttp://www.acordacordel.blogspot.com.br/.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

CAVALARIA EM CORDEL


MEU CORDEL DE CARLOS MAGNO

De todos os temas versados pela Literatura de Cordel, os folhetos de cavalaria estão entre os que mais me fascinam. Quando menino, eu gostava de ouvir meu pai declamar trechos e mais trechos de "A BATALHA DE OLIVEIROS COM FERRABRÁS", do grande Leandro Gomes de Barros. Recentemente, lendo um conto de Alexandre Dumas (Pai) encontrei assunto para mais um cordel de CAVALARIA, do qual publico a introdução:



O SONHO MISTERIOSO
DO IMPERADOR CARLOS MAGNO
Autor: Arievaldo Vianna


Dos romances que eu li
Nos meus tempos de criança
Existe uma bela história
Que não me sai da lembrança
“A vida de Carlos Magno
E os Doze Pares de França”.

Viveu na Idade Média
Esse grande imperador:
França, Alemanha e Itália
Reconhecem o seu valor;
Inspira gestas guerreiras
Na lira do trovador.

“Eram doze cavaleiros
Homens fortes, destemidos”
A sua guarda de elite
Como se lê nos “Corridos”
E nos “Cordéis” que propagam
Seus feitos mais conhecidos.

Nos sertões do meu Brasil
Inspirou as cavalhadas
De Mouros contra Cristãos
Velhas lendas repassadas
De beleza e misticismo
Como nos Contos de Fadas.

Pretendo citar agora
Alguns de seus cavaleiros
Todos eles destemidos
E valorosos guerreiros
Dos quais destaco Roldão
E o corajoso Oliveiros.

Rolando e Olivier
Chegaram aos nossos sertões
Vindos da Península Ibérica
Nos folhetos e canções
Que os colonizadores
Declamavam nos serões.

Muitos bardos nordestinos
Sentiram-se fascinados
Por esta saga guerreira
E por serem inspirados
Contaram tudo a seu modo
Em belos versos rimados.

Leandro Gomes de Barros
Poeta muito capaz
Transpôs pro mundo das rimas
De um modo que satisfaz
“A Batalha de Oliveiros
Com o turco Ferrabrás”.

João Melchíades também
Nesse mesmo bebedouro
Procurando inspiração
Achou ali um tesouro
E versou, com muita ação,
“Roldão no Leão de Ouro”.

E nem em tempo vindouro
Eles serão esquecidos...
Leandro porque foi mestre
De méritos reconhecidos;
Melchíades, por Zé Garcia
De feitos tão conhecidos.

Eu venho da mesma cepa
Sou poeta e trovador
Pretendo contar em versos
Como fiel narrador
O sonho misterioso
Que teve o imperador.

O conto maravilhoso
Da memória não me sai
Desde que o conheci
Sua beleza me atrai;
É o seu autor, em prosa,
Alexandre Dumas, pai.

É o autor consagrado
De “O Conde de Monte Cristo”
Seguindo, pois, esta fonte,
Da empreita não desisto
E traço um roteiro em versos
Conforme estava previsto.

No tempo em que Carlos Magno
Consolidou seu império
À noite, no seu palácio,
Deu-se um caso muito sério
Teve um sonho atribulado
Encoberto de mistério.

(...)