sábado, 20 de junho de 2015

NOVAS ILUSTRAÇÕES

O CASTIGO VEIO A CAVALO (conto)

CEGO ADERALDO canta para beradeiros 
(para o novo livro de Rosemberg Cariry)


O BESOURO

De vez em quando me dá na veneta e eu exercito o meu ofício de ilustrador, muito embora minha atividade principal seja escrever. Desenhar (e pintar) é como andar de bicicleta. Se não praticar todo dia a mão enferruja e o traço sai pesado, às vezes até grosseiro. Proporção, iluminação, perspectiva também são coisas que exigem estudo e paciência. Mesmo assim gostei do resultado desses desenhos.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

AS TRES VELHAS FIANDEIRAS


Um conto de Histórias do Arco da Velha, de Viriato Padilha

Rosália era uma rapariga muito preguiçosa, que não gostava de fiar.  Por mais que a tia Rita, sua mãe, se encolerizasse, nada podia obter dela. Um dia a preguiça da filha exasperou-a de tal forma, que chegou a espancá-la, e Rosália pôs-se a chorar e a gritar muito alto. Justamente nessa ocasião passava a rainha por ali.  Ouvindo os gritos, fez parar a carruagem, e entrando na casa, perguntou à tia Rita por que razão batia na filha com tanta crueldade, que até os gritos se ouviam na rua.
Tia Rita teve vergonha de revelar o defeito de Rosália, e disse:
— “Não posso lhe tirar o fuso da mão.  Ela quer sempre fiar sem cessar, e, como sou pobre, não lhe posso dar linho que chegue.”
A mulher respondeu:
— “Nada me agrada mais do que a roca, e o barulho da fiandeira me encanta. Dá-me tua filha.  Levá-la-ei para o palácio onde tenho linho em quantidade e assim, poderá fiar quanto quiser.”
A velha consentiu de muito boa vontade e a rainha levou Rosália.
Quando chegaram ao palácio, ela levou-a a três salas, que estavam cheias do mais belo linho, desde cima até embaixo, dizendo-lhe:
— “Fia-me todo esse linho, e quando tudo estiver terminado, far-te-ei desposar meu filho mais velho. Não te inquietes com a tua pobreza, pois o teu zelo para o trabalho ser-te-á dote suficiente.”
A moça não disse palavra, mas interiormente estava consternada, pois ainda que trabalhasse durante trezentos anos, sem parar, desde a manhã até a noite, não acabaria com aqueles enormes montes de estopa.
Quando ficou só, pôs-se a chorar, e assim ficou três dias sem iniciar o trabalho.
No terceiro dia a soberana veio visitá-la e ficou muito admirada vendo que nada havia feito; mas a moça desculpou-se, alegando o pesar de haver deixado a mãe.
Sua majestade teve que se contentar com aquela razão, mas disse ao retirar-se:
— “Vamos, amanhã é preciso começar a trabalhar”.
Quando a moça se achou só, não sabendo o que fazer, pôs-se à janela, muito angustiada.
Daí a pouco viu chegar três mulheres, das quais uma tinha um pé enorme, muito chato; a outra o lábio inferior tão comprido e pendente que cobria o queixo; e a terceira o dedo polegar extraordinariamente comprido e achatado.
Colocaram-se na rua, em frente à janela e perguntaram o que ela queria.
Rosália contou-lhes as suas mágoas e as três mulheres ofereceram-se para auxiliá-la, sob a seguinte proposta:
— “Se nos prometes convidar-nos para o teu casamento e nos chamar tuas primas, sem te envergonhares de nós, e nos fizeres sentar à tua mesa, vamos fiar o teu linho e em pouco tempo o trabalho estará terminado”.
— “De todo meu coração”, respondeu ela. “Podem entrar e começar já”.
Introduziu as três singulares mulheres e desembaraçou um lugar na primeira sala para as instalar.
Elas entregaram-se à obra; a primeira fazia girar a roda; a segunda molhava o fio, a terceira torcia e apoiava-o na mesa com o polegar.
Todas as vezes que a rainha entrava, a rapariga ocultava as fiandeiras, mostrava o trabalho feito, e a soberana não podia conter a sua admiração.
Quando a primeira sala ficou terminada, passaram à segunda e depois à terceira, sendo fiado todo o linho com a maior rapidez.
Então as três mulheres retiraram-se dizendo à moça:
— “Não te esqueças a tua promessa; pois hás de lucrar com isso”.
Quando Rosália mostrou à rainha as salas vazias e o linho fiado, fixou-se o dia das núpcias.
O príncipe ficou contentíssimo por ter uma mulher tão hábil e tão ativa, e principiou a amá-la com ardor.
— “Tenho três primas”, disse ela, “que me prestaram muitos serviços e não queria esquecê-las na minha ventura.  Permiti que as convide para assistirem ao casamento e que se sentem à nossa mesa”.



A rainha e o príncipe consentiram, pois não viam nenhum impedimento nisso.
No dia da festa as três mulheres chegaram em magníficas equipagens e a noiva lhes disse:
— “Queridas primas, sejam bem-vindas”.
— “Ah!” disse-lhe o príncipe, “as tuas parentas são horrorosas!”
Depois, dirigindo-se à que tinha o pé chato e comprido, indagou:
— “Como foi que a senhora ficou com o pé tão disforme?”
— “Foi de tanto fazer mover a roda da fiandeira”.
À segunda:
— “Como foi que a senhora ficou com o beiço tão caído?”
— “Foi por molhar o fio no beiço”.
E à terceira:
— “E a senhora por que motivo ficou com o dedo polegar tão comprido?”
— “Foi por haver torcido muito fio”.
O príncipe aterrorizado por tal perspectiva, declarou que não permitiria mais que a sua esposa tocasse num fuso, e assim ficou ela livre de tão odiosa ocupação.
* * *

Em:  Histórias do Arco da Velha, Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Livraria Quaresma: 1947
Ilustrações do conto, de Nadir Quinto.
As três fiandeiras é um conto muito antigo, transmitido pela cultura oral principalmente nos países nórdicos.  Foi registrado pelos Irmãos Grimm, mas uma versão mais antiga ainda um pouquinho diferente já aparece no livro de Giambattista Basile, [ Pentamerone] — uma coleção de histórias folclóricas para crianças — em 1634, publicado postumamente por sua irmã em Nápoles.  Os Irmãos Grimm conheceram esse trabalho e o elogiaram como uma excelente coleção de histórias.  Dando uma olhadinha na rede, podemos ver que mesmo em Portugal há algumas dezenas de versões com pequeníssimas diferenças.  Há outro conto Rumpelstiltskin semelhante mas menos divulgado no Brasil.
Viriato Padilha, pseudônio ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 – Fortaleza, CE 1924)   Pseudônimos: Aníbal Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança.  Contista, poeta, autor de literatura infantil, historiador, professor, tradutor.

Obras: [lista incompleta]
Histórias do arco da velha, 1897
Os roceiros, 1899
O livro dos fantasmas

Fonte: https://peregrinacultural.wordpress.com


segunda-feira, 15 de junho de 2015

O MEIO DA RUA

Guache sobre papel - tamanho 30 x 21cm

Meu filho caçula JOÃO MIGUEL tem uma precoce aptidão para as artes plásticas.
Rabisca desde a idade de um ano e meio. Atualmente tem três anos e quatro meses e começou a experimentar o guache. Esse é um de seus primeiros trabalhos, de tendência abstracionista. A principio eu imaginei se tratar de uma paisagem do fundo do mar mas ele teimou dizendo que o título do quadro era O MEIO DA RUA. Realmente a mãe dele fala sempre para ele ter cuidado e não ir para o meio da rua. Isso deve mexido com a imaginação do menino.