quarta-feira, 20 de março de 2019

CORDEL DE MARCUS LUCENNA





Xilogravura: ERIEVALDO

O blog MALA DE ROMANCES publica em primeiríssima mão o novo cordel do poeta MARCUS LUCENNA, O CANTADOR DOS QU4TRO CANTOS:


OPERAÇÃO PAVÃO MISTERIOSO
AUTOR: MARCUS LUCENNA

EU VOU CONTAR A HISTÓRIA
DO PAVÃO MISTERIOSO
QUE DECOLOU DE UM CORDEL
NUMA ESTÓRIA DE TRANCOSO
PARA NUM SONHO DE UM BARDO
O CANTADOR EDNARDO
CUMPRIR DESTINO EXITOSO


O PAVÃO MISTERIOSO
DEU NOME À OPERAÇÃO
CUMPRIDA POR UM COMANDO
COM UMA HONROSA MISSÃO
RESGATAR URGENTEMENTE
UM LÍDER, UM BOM PRESIDENTE
DA CELA DE UMA PRISÃO


ELE FORA CONDENADO
SEM PROVAS,  INJUSTAMENTE,
E ERA MANTIDO PRESO
EMBORA FOSSE INOCENTE
E PARA SER LIBERTADO
TINHA QUE SER RESGATADO
NUMA   AÇÃO INTELIGENTE


SEUS PIORES INIMIGOS
PARA CHEGAREM AO PODER
MENTIRAM, TRAPACEARAM
TIVERAM QUE LHE PRENDER
E TENDO AO PODER CHEGADO
QUERIAM VÊ-LO TRANCADO
ATÉ O DIA DE MORRER


SEM PODER SE DEFENDER
SÓ RESTOU UMA SOLUÇÃO
SER RETIRADO DE LÁ
DE DENTRO DESSA PRISÃO
OS QUE NELE ACREDITAVAM
UMA   FORMA  IMAGINAVAM
DE CUMPRIR ESSA MISSÃO


MAS NINGUÉM CONTAVA NÃO
PARA ELE O PLANEJADO
SABENDO-SE  INOCENTE
APESAR DE APRISIONADO
ELE QUERIA PROVAR
SUA INOCÊNCIA E MOSTRAR
SER DIGNO, HONESTO E HONRADO


MAS DIANTE DESSE ESTADO
DA MAIS COMPLETA EXCESSÃO
ELE JAMAIS PROVARIA
A INOCÊNCIA EM QUESTÃO
POIS PARA LHE CONDENAR
SÓ PRECISARAM TROCAR
PRÊMIOS BONS,  POR DELAÇÃO


UNS COVARDES APONTARAM
P’RA ELE  COM DEDOS SUJOS
UNS MAIS COVARDES  JULGARAM
 E CONDENDENARAM,  ESSES CUJOS
NUM LAMAÇAL CHAFURDARAM
SERVINDO AOS QUE LHES USARAM
IGUAIS CACHORROS SABUJOS


AGIRAM COMO OS MARUJOS
QUE QUISERAM ELIMINAR
O COMANDANTE COLOMBO
QUE ESTANDO A NAVEGAR
NO RUMO DE UM MUNDO NOVO
FOI VISTO COMO UM ESTORVO
QUISERAM LHE ASSASINAR


NO SONHO DO EDNARDO
UM COMANDO ORIGINAL
FORMADO  POR BEM TREINADOS
FILHOS DO POVO EM GERAL
LEVARAM A CABO A MISSÃO
DE RETIRAR DA PRISÃO
ESSE LÍDER ESPECIAL


NO PAVÃO MISTERIOSO
BELO PÁSSARO  DE METAL
UM PODEROSO HELICÓPTERO
EMBARCA ESSE PESSOAL
ENQUANTO UMA MULTIDÃO
FAZ UMA MANIFESTAÇÃO
COMO NUNCA VIU-SE IGUAL


ESTOU SOMENTE A NARRAR
O SONHO DE UM GRANDE ARTISTA
PORÉM QUEM TEM CONSCIÊNCIA
TEM ESSE PONTO DE VISTA
NOSSO MELHOR PRESIDENTE
É PRESA DE INCONSEQUENTE
PERSEGUIÇÃO ARRIVISTA


HOMENS, MULHERES,  MENINOS
FIRMES, NÃO TINHAM SENÕES
BRADAVAM: JUSTIÇA URGENTE!
DIZENDO EM MANTRAS,  REFRÕES
NOSSO LÍDER É INOCENTE
QUEREMOS  ELE SOMENTE
PRESO EM NOSSOS CORAÇÕES


O PAVÃO MISTERIOSO
PAIROU POR SOBRE A PRISÃO
OS GUARDAS NÃO REAGIRAM
PARADOS NA EMOÇÃO
DE VER  TANTA GENTE UNIDA
P’RA MENTIRA SER RENDIDA
MESMO COM ARMAS NA MÃO


DO HELICÓPTERO DESCERAM
COM A TÉCNICA DO RAPEL
UNS HOMENS E UMA MULHER
ELA CUMPRIA O PAPEL
DE TIRAR O PRESIDENTE
ALI DAQUELE AMBIENTE
MISTO DE CELA E QUARTEL


ELA SE CHAMAVA CREUZA
ERA LINDA E SENSUAL
MAS LUTANDO ERA UMA FERA
NO MUNDO NÃO TINHA IGUAL
NO TIRO, FACÃO , PERNADA
A MOÇA ERA ENDIABRADA
EM TODA ARTE MARCIAL


MAS NEM PRECISOU USAR
SEUS DOTES NA OCASIÃO
OS GUARDAS  COLABORARAM
GUIARAM ELA AO  SALÃO
ONDE ESTAVA APENADO
O LÍDER INJUSTIÇADO
ALVO DA SUA MISSÃO


ELA DISSE: “PRESIDENTE
 VIM AQUI LHE RESGATAR
EU VOU LEVÁ-LO COMIGO
O SENHOR VAI DESCANSAR
DEIXAR DE CORRER PERIGO
ACABAR  ESSE CASTIGO
QUE NÃO MERECES PAGAR”


ELE RESPONDEU: “NÃO DÁ
NÃO PENSO EM FUGIR ASSIM
VOU SAIR INOCENTADO
LIMPO, TIMTIM,  POR TINTIM
PROVANDO QUE SOU HONRADO
QUERO MEU POVO AO MEU LADO
PRONTO P’RA  VOTAR EM MIM”.


ELA RETRUCOU: “ MEU LÍDER
VEM COMIGO, VAI POR MIM
NÃO ESPERE POR JUSTIÇA
VINDO DESSA CORJA RUIM
PRESIDENTE,  ESSA MUNDIÇA
QUE ESSA BESTA FERA ATIÇA
SÓ QUER  VER O VOSSO  FIM”


OS GUARDAS GRITARAM  ASSIM
PRESIDENTE VÁ S’IMBORA
NÓS FACILITAMOS TUDO
TEM MUITA GENTE LÁ FORA
UMA MULTIDÃO VIBRANDO
CANTANDO, RINDO E  CHORANDO
NA EMOÇÃO DESSA HORA


“DESCULPE MEU PRESIDENTE
MESMO QUE O SENHOR NÃO QUEIRA
EU VOU LEVAR O SENHOR
ELA TIROU DA ALGIBEIRA
UM SPRAY, NELE APLICOU
O PRESIDENTE INALOU
E CAIU NUMA SONEIRA

JUNTO COM OS COMPANHEIROS
DAQUELA OUSADA MISSÃO
LEVARAM ELE DORMINDO
DALÍ DAQUELE SALÃO
PARA O PAVÃO VOADOR
QUE GIRANDO SEU ROTOR
VOOU PARA A AMPLIDÃO


FORAM EMBORA P’RA BEM LONGE
PARA UM PAÍS BEM LEGAL
PODEROSO E RESPEITADO
O TERRAL LAND OU TERRAL
FICANDO  ALÍ  EXILADO
PARA UM DIA SER JULGADO
NUMA CORTE IMPARCIAL


EDNARDO ACORDOU
DESSE SONHO INUSITADO
E POSTOU NO FACEBOOK
TUDO QUE TINHA SONHADO
EU QUE SEMPRE VIVO ATENTO
VERSEI NO MESMO MOMENTO
ESSE CORDEL INSPIRADO


L UCENNA É UMA LUZ QUE ANDA
U M LUME NA ESCURIDÃO
C OM O LUME  DESSA LUZ
E NCHE DE LUZ A AMPLIDÃO
N A BUSCA PARA ENCONTRAR
N ALGUMA ESTRELA A BRILHAR
A LUZ DA INSPIRAÇÃO.



Biografia
 Marcus Lucenna
O CANTADOR DOS QU4TRO CANTOS


Arte: Arievaldo Vianna


Cantor, compositor, poeta e músico por profissão, Marcus Lucenna é conhecido como “O Cantador dos Qu4tro Cantos” pela  sua trajetória no ramo artístico e andanças pelo Brasil. Marcada pelo ecletismo, sua jornada musical passa pelo pé-de-serra e segue pelo brega, cantoria de viola, tango, rumba, lambada, chorinho e tudo mais que representa a alma do povo brasileiro e latino-americano.

Natural da cidade de Mossoró, no Rio Grande do Norte, adquiriu gosto pela música por influência do pai, que, além de radialista, era poeta, repentista e cordelista. E também do seu “heroivô”, como costuma chamar seu avô, com quem ouviu, em um showmício na cidade natal, em 1968, “Asa Branca” pela primeira vez. A música vinha diretamente da voz daquele que viria ser a sua principal inspiração: Luiz Gonzaga do Nascimento, o Rei do Baião.

CHEGADA AO RIO – Em 1977, aos 16 anos, desembarcou no Rio de Janeiro com o sonho de fazer carreira na vida artística. Além de Luiz Gonzaga, sua inspiração vinha dos cantadores-repentistas, dos emboladores de coco, dos cordelistas e de nomes como Jackson do Pandeiro, Raul Seixas, Belchior, Fagner, Ednardo, no Brasil, e Bob Dylan, Charles Aznavour e Jaques Brel, no exterior.

Começou cantando no calçadão de Copacabana, onde com seu carisma e qualidade musical encantou cariocas e turistas. Ali conheceu gente influente do meio musical e da sociedade carioca. Entre eles, os atores e cantores Mário Lago e Zezé Mota, Zé do Norte – o autor de “Mulher Rendeira”, trilha do filme O Cangaceiro, premiado em Cannes – e Jaguar, editor dO Pasquim, jornal que lhe prestou os primeiros louros da carreira.

PRODUÇÃO FONOGRÁFICA – O primeiro LP (Cantolínia Psicordélica) veio em 1989, pela Polygram, uma das maiores gravadoras do mundo à época. O álbum foi gravado na companhia de grande artistas da MPB, como Joca de Natal, Zé Américo e Severo do Acordeon. O disco foi o pontapé inicial para uma produção fonográfica que envolve 4 vinis e 11 CDs.

PARCERIAS – Embora se considere um artista um tanto solitário, acumula na carreira diversas parcerias importantes. Musicou letras ou teve poemas musicados por nomes como Luiz Vieira, Mirabô, Capinam, Mario Lago Filho, Maria Rio Branco, Vicente Telles, Zé Lima, Roque da Paraíba, Edson Show, Chico Pessoa  e Zé do Norte.

No mais recente CD, Marcus Lucenna na Corte do Rei Luiz, que será lançado dia 18 de agosto, contou com a companhia do poeta-cantador Maciel Melo, autor do grande sucesso Caboclo Sonhador, que Lucenna acrescentou ao disco; do maestro Adelson Viana, considerado sucessor de Dominguinhos; Marcelo Mimoso, que interpretou Luiz Gonzaga no teatro; e Chambinho do Acordeon, que viveu o Rei do Baião no cinema. As vozes de Neidinha Rocha, integrante da Orquestra Sanfônica do Rio, e do cantor, compositor, radialista, produtor cultural e coordenador do Forum Forró de Raiz RJ, Jadiel Guerra, também podem ser ouvidas no novo álbum.

Muitos desses artistas já dividiram palco com Marcus Lucenna, assim como fizeram músicos como Fagner, Elba Ramalho, Ednardo, Geraldo Azevedo e Tânia Alves.

Mas além da trajetória musical, Marcus Lucenna se destaca pelo engajamento em ações que valorizam e dão visibilidade ao seu ofício – a música e a poesia – e a cultura popular.

NA MÍDIA – No rádio, dirigiu e apresentou os primeiros programas regulares de forró em horário nobre no Rio, em emissoras como Imprensa FM e Tropical FM. Também esteve à frente dos programa “Nação Nordeste”, na Rádio Viva Rio, do Sistema Globo, e “Marcus Lucenna – a Voz do Povo”, na Rádio Carioca AM. Na TV, dirigiu, produziu e apresentou  “Marcus Lucenna De Repente”, programa da NGT (canal 17 da NET). E em jornal, assinou a coluna “Canto do Povo Nordestino”, do Povo do Rio, e fundou o “Nação Nordeste”. Também esteve “do outro lado do balcão”, como entrevistado e artista convidado em importantes programas televisivos, como Jô Soares e Domingão do Faustão, da TV Globo.

FEIRA DE SÃO CRISTÓVÃO – Idealizador de projetos de valorização da cultura popular e em defesa das causas do migrante nordestino, ocupou por 6 anos o cargo de gestor do Centro Municipal Luiz Gonzaga de Tradições Nordestinas, a famosa feira de São Cristóvão, no Rio de Janeiro. Não só impediu que a Feira fosse retirada do bairro por força da especulação imobiliária, como liderou o movimento que a levou para dentro do Pavilhão de São Cristóvão, onde está localizada até hoje.

Amante das letras, principalmente das manifestações literárias nordestinas, Marcus Lucenna ocupa a cadeira número 7 da Academia Brasileira de Literatura de Cordel (ABLC). Morador do bairro do Flamengo, no Rio, foi condecorado com os títulos de Cidadão Fluminense, pela Assembléia Legislativa, e Cidadão Carioca, pela Câmara de Vereadores.



Aos 59 anos, é pai de cinco filhos, avô de quatro netos e um súdito fiel do Rei Luiz Gonzaga, levando seu legado artístico e de vida aos qu4tro cantos do país.

sábado, 16 de março de 2019

MAIS UM SONETO DE CHUVA



(https://jornalggn.com.br/musica/se-acontecer/)



TI-LI-LINGO E BUCO-BUCO

São seis horas da manhã e eu escuto
Um batuque tão suave, um “ti-li-lingo”
É a chuva que desce pingo a pingo
Reina a paz, um sossego absoluto!

Na delícia desse encanto eu desfruto
A carícia adorável de um respingo...
De repente, porém, eu grito e xingo
O descanso é violado por um bruto!

Um sujeito idiota num possante,
Talvez filho de quenga com eunuco,
Conduzindo um maldito paredão

Rasga um som de trombeta de elefante!
Pois a praga só escuta “buco-buco”.
E conspurca o silêncio do sertão.

ARIEVALDO VIANNA





domingo, 10 de março de 2019

SONETO



Serra dos Três Irmãos, divisa dos municípios de Madalena e Canindé-CE. Na foto, Messias e Panchico.


MEMÓRIA SERTANEJA

Sertanejo que sou, eu acho impossível,
Alguém gostar mais do nosso sertão
Nasci e criei-me num palmo de chão
Que a mim sugere beleza indizível.

A serra, o roçado, o verde aprazível,
Mas também na seca, o sol na amplidão,
Aquece a ternura do meu coração
E até nesse estágio o sertão é incrível.

O trinar da cigarra no velho arvoredo
E o galo campina que cedo desperta
Tem sonoridade que sempre me encanta.

O curral, a cozinha, na faina bem cedo,
A chuva voltando e na cova aberta,
Eu ponho a semente da futura planta.


Arievaldo Vianna

quinta-feira, 7 de março de 2019

SONETOS DA INVERNIA




ARANDO A TERRA

Montei muitas vezes guiando um cavalo
Que tão paciente puxava o arado,
E ao vê-lo na faina, de suor banhado
Fazia um jeito de não maltratá-lo.

Arando o terreno, para então plantá-lo
Nos braços do arado, meu pai fatigado
Cantava, pois via o solo molhado
Prevendo a fartura a recompensá-lo.

Mas o tempo passou, não pude domá-lo,
Tive de seguir por uma nova estrada
Pegando com jeito a rédea e a brida...

Minha alma é quem guia o velho cavalo:
Meu corpo cansado da longa jornada
Puxando com jeito o arado da vida.

Arievaldo Vianna – 07.03.2019




CANTIGA DE UM SAPO URBANIZADO | Janeiro de 2019


O rebento de um bardo sertanejo
Que jamais se comove com a chuva
É pior que os filhos da viúva
Que nasceram da raspa ou do sobejo

Dos batráquios, se escuto o harpejo
Eu não pego jamais num guarda-chuva
Não preciso de toalha, capa e luva
Tomo banho, bebo cana e até gracejo!

Dona rã, raspa a cuia, que beleza
Como é belo este som da Natureza
O inverno só nos traz lembrança boa...

Chuva aqui, para nós, é tempo bom
E no asfalto eu não posso ouvir o som
Dos batráquios que cantam na lagoa.



quarta-feira, 6 de março de 2019

05 de março de 2019


Ilustração: ARIEVALDO (Direitos Reservados)

CENTO E DEZ ANOS DE NASCIMENTO 
DO POETA DE ASSARÉ
Autor: Arievaldo Vianna



Patativa: CENTO E DEZ
ANOS DO CABRA DA PESTE,
Foi o bardo que cantou
O roceiro do Nordeste
Foi poeta e lavrador
Um caboclo lutador
Desde o sertão ao agreste.

Ceará, o nosso Estado,
Seguindo esse itinerário
Reconhece a sua luta
E seu valor literário
Seu sucesso é merecido
Jamais será esquecido
É jóia do meu sacrário.

No dia 5 de março,
Mil novecentos e nove,
Nasceu Antonio Gonçalves
Poeta que nos comove
Tenho tudo na memória
E vou contar sua história
Para que ninguém reprove.

Filho de pais lavradores
Lá em Assaré nasceu
No meio daquela gente
Nosso menestrel viveu
Transformando em poesia
As lutas do dia-a-dia,
Só parou quando morreu.

Deixou verdadeiras pérolas
Da poesia matuta
Como o belo “Ingém de ferro”
Cuja força absoluta
Venceu o “Ingém de pau”…
O mestre achou isso mau
Condenou a força bruta.

“Triste Partida” é a página
Do nosso cancioneiro
Que se tornou conhecida
Por este Brasil inteiro
Na voz de Luiz Gonzaga
Narrando a penosa saga
De quem parte sem roteiro.

Com “A morte de Nanã”
Patativa denuncia
O descaso dos políticos
E a grande tirania
Dos senhores abastados
Que tratam seus empregados
Com desprezo e soberbia.

Rolando Boldrin gravou
“Vaca Estrela e boi Fubá”
Onde o poeta matuto
Não nega o seu “naturá”
Quem a conhece, que diga:
É a mais bela cantiga
Nascida no Ceará!

“Cabôca dos zói redondo”
É outra canção gravada
Por nosso Téo Azevedo
Foi a mesma musicada,
O Chico Salles gravou
E em sua obra deixou
Essa pérola registrada.

Gereba então musicou
“A festa da natureza”
Na voz de Raimundo Fagner
Ficou mesmo uma beleza…
Para quem ama este chão
Ele cantou o sertão,
Cariri e Fortaleza!

O Patativa não foi
Propriamente um cordelista
A poesia matuta
Tem outro ponto de vista
A linguagem é diferente
Mesmo assim a gente sente
A grandeza desse artista.

Ele fez alguns cordéis
E fez sonetos também
Numa linguagem correta
(Que talvez passem de cem)
Lia Camões, Castro Alves,
Os poemas de Gonçalves
Por isso escrevia bem.

O seu linguajar matuto
Foi mesmo uma opção
Pois não era analfabeto…
Mas por amar seu torrão
E toda a classe matuta
Descreveu a sua luta
Com singular expressão.

Por essas e muitas outras
PATATIVA tem respaldo
Deixou uma bela obra
Onde o lirismo é o saldo
Nesse tempo e nesse espaço
Receba, pois, o abraço
Do poeta ARIEVALDO.


Xilogravura: ARIEVALDO VIANNA