terça-feira, 25 de abril de 2017

RECUERDOS DA BIENAL

Algumas imagens marcantes do Espaço do Cordel, na XII BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ (2017)
















domingo, 23 de abril de 2017

ÚLTIMO DIA

ENCERRA HOJE, 23/04, A XII BIENAL 
INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ




segunda-feira, 17 de abril de 2017

CORDEL DE LUTO



ENCANTOU-SE O POETA GONZAGA DE CANINDÉ

Faleceu na madrugada do último domingo (16/04), no Hospital Regional São Francisco de Canindé, vítima de úlcera no estomago, o Cordelista José Maria Gonzaga Vieira (Gonzaga Vieira), 70 anos, nascido aos 20 de setembro de 1946. Conheci Gonzaga em 1980, no Salão Arte Canindeense, que funcionava próximo ao Convento Santo Antônio, em Canindé. Era um artista talentoso e possuía uma visão crítica do mundo, embora fosse de uma humildade franciscana.
O corpo do poeta Gonzaga de Canindé foi velado na sede da Associação da Cultura de Canindé, ao lado da Policlínica, na Av. Francisco Cordeiro Campos, no bairro do Monte. Juntamente com seu primo Lisboa e outros artistas canindeenses, lutava pela criação de uma entidade para congregar os artista de sua terra, sendo que as primeiras tentativas foram o Salão Arte Canindeense e depois a PROARTCA - Projeção Artística Canindeense, que infelizmente nunca se consolidou. Mais tarde, esse mesmo grupo fundaria a Associação de Artesãos de Canindé, que existe até os dias de hoje.
José Maria Gonzaga Vieira era artesão, radialista, cordelista, escritor, poeta popular e representante regional da Associação Cearense de Jornalistas do Interior ACEJI. Seus trabalhos mais conhecidos como cordelista eram O ABC do Consumidor, Assim era São Francisco, Canindé da Lenda à Realidade, Peripécias da Vaqueira Rozadina, A lida de Conrado ou a honradez sertaneja e História de Aparecida, a Menina Perdida nas Matas do Amazonas. Muitas dessas obras foram publicadas pela Tupynanquim Editora, do poeta e editor Klévisson Viana.
De acordo com pessoas mais próximas a Gonzaga, ele vinha lutando contra uma enfermidade na próstata, inclusive já estava com uma cirurgia marcada para ser realizada nas próximas semanas em Fortaleza; porém, não foi esse o motivo de sua morte; de acordo com levantamentos feitos junto aos parentes de Gonzaga, ele passou mal na última sexta-feira (14), sendo socorrido para a Unidade de Pronto Atendimento UPA 24 Horas e depois encaminhado ao Hospital São Francisco, onde veio a falecer por volta das 4 horas da madrugada deste domingo (16), e de acordo com laudo médico, vítima de complicações em úlcera no estômago, a qual já se encontrava em estágio bastante avançado.
Segundo informações do PORTAL CANINDÉ, o sepultamento de Gonzaga Vieira aconteceu no Cemitério São Miguel, em Canindé,  às 16 horas deste domingo (16).


RESUMO BIOGRÁFICO DO POETA

GONZAGA VIEIRA 
(Gonzaga de Canindé)

José Maria Gonzaga Vieira nasceu em Canindé no dia 20 de setembro de 1946. Autodidata, milita na imprensa escrita e falada. Pertence à Associação de Arte e Cultura de Canindé. É correspondente de vários grêmios culturais de Fortaleza, Natal, Campina Grande e Brasília. É autor de quase duas dezenas de folhetos rimados, com destaque para “A HISTÓRIA DE APARECIDA, A MENINA PERDIDA NAS MATAS DO AMAZONAS”.  Participa do projeto “Acorda Cordel na Sala de Aula”, criado pelo poeta Arievaldo Viana e implantado em Canindé, em parceria com a Secretaria de Educação do Município.
Começou escrevendo folhetos de oito páginas, principalmente no gênero ABC, tendo publicado O ABC DO MOBRAL, dos “TUBARÕES”, do “CONSUMIDOR” e outros de cunho político e social. No gênero romance, seu melhor trabalho é “A LIDA DE CONRADO E A HONRADEZ SERTANEJA” que foi ampliado de 16 para 32 páginas pelo poeta Arievaldo Viana. Também em parceria com Arievaldo, produziu uma graphic novel em quadrinhos e cordel, intitulada “CANINDÉ, DA LENDA A REALIDADE”, em 1986.
Habitante de um dos maiores centros religiosos do Nordeste, já escreveu diversos folhetos tendo São Francisco das Chagas de Canindé como tema principal. É citado em artigos da escritora francesa Sylvie Debs, publicado nas revistas LATITUDES e QUADRANT. Também já teve a sua obra pesquisada por outra francesa, Martine Kunz, que reside atualmente em Fortaleza.
Atualmente, ministra palestras e oficinas sobre Literatura de Cordel nas escolas de Canindé. É autor, dentre outros, dos seguintes folhetos:

1 – ABC DO MOBRAL
2 – ABC DO CONSUMIDOR
3 – ABC DOS TUBARÕES
4 – APARECIDA, A MENINA PERDIDA NAS MATAS DO AMAZONAS
5 –  PROEZAS DA VAQUEIRA ROSADINA
6 – CANINDÉ, DA LENDA A REALIDADE
7 – A LIDA DE CONRADO OU A HONRADEZ SERTANEJA
8 – HISTÓRIA DO ROMEIRO DA CRUZ
9 – LULA: DE RETIRANTE A PRESIDENTE
10 – PREVISÕES ASTROLÓGICAS (OU A FACE DO PODER DIVINO), editado anualmente, desde 1999.
11 – A VIA SACRA EM CORDEL
12 – ENCONTRO DE SÃO FRANCISCO COM PADIM CIÇO DO JUAZEIRO
13 – CAPITÃO PEDRO SAMPAIO DA SERRA BRANCA (inédito).
14 – AS PERIPÉCIAS DA VAQUEIRA ROSADINA 
15 – A MORTE INGLÓRIA DE JOÃOZINHO ABOIADOR
16 – ALAN KARDEC EM CORDEL
17 – O PLANTIO DO OURO BRANCO
18 – O CAMELÔ E O TREM
19 – A PELEJA DO VIGÁRIO E DO PREFEITO POR CAUSA DA CONSTRUÇÃO DA ESTÁTUA DE SÃO FRANCISCO (inédito)
20 – O ABC DO ALGODÃO.
21 -  A VIDA DE ALLAN KARDEC EM CORDEL
22 - A GALINHA DE RERIUTABA

Fonte: www.acordacordel.blogspot.com.br


Em 2016, realizamos entrevista com o poeta para o IPHAN, material este
que se encontra preservado em áudio e vídeo.

quarta-feira, 12 de abril de 2017

UM ANO SEM AZULÃO



Esta semana (dia 14/04, sexta-feira) faz um ano da partida do cantor, compositor, poeta, cordelista e repentista José João dos Santos, o famoso "Mestre Azulão", de quem tive a honra de ser amigo e admirador. Presenciei (e participei como entrevistador) de uma de suas últimas entrevistas, feitas por Fernando Assunção, na Barraca da Chiquita (Feira de São Cristóvão) para um projeto de memória do cordel realizado pela Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC.

Um dos ícones da cultura nordestina, Mestre Azulão, tinha 84 anos e foi um dos fundadores da Feira de São Cristóvão, que é um Centro de Tradições Nordestinas na Zona Norte do Rio.

José João dos Santos nasceu em Sapé, na Paraíba. Mas foi com o apelido de Mestre Azulão que se tornou conhecido em todo o Brasil.



ARIBU

Era o mestre Azulão quem me contava essa deliciosa anedota, com sua prosa fácil, encantadora e verve aguçada.

O 'causo' refere-se a um sujeito do brejo paraibano, chamado Ari – e por conta de ser meu xará é que ele me contou isso umas cinco ou seis vezes, morrendo de rir.

Segundo o Azulão, o  cabra era morto de preguiça e totalmente despreocupado com o futuro da prole. Pai de uma récua de filhos, passava as tardes sentado num banco de aroeira, suspenso por duas forquilhas, posto à frente do casebre de taipa, dedilhando uma viola velha e desafinada, com pretensões de cantador. Num extremo da cerca, onde haviam jogado um gato morto, baixou um urubu. Um dos pequeninos, admirados de ver um bicho daqueles assim de perto, exclamou:

— Pía, pai! Olha acolá, um ARIBU.


— Olha acolá o quê, menino?!

— Um ARIBU, pai...

O sujeito meio agastado, segurou o braço da viola bruscamente, parando a toada e, em tom professoral, explicou:


— ARI, não, meu filho! Aribu não! ARI é seu pai. A pessoa que lhe deu a vida, que lhe gerou e  lhe sustenta com tudo que há de bom e de melhor! Aquele peste acolá é um URUBU. Um bicho nojento, asqueroso, fedorento, que vive unicamente de comer carniça, de remexer nos monturos, de beliscar coisa podre, de meter o bico aonde não deve... Ari... Ari é seu pai, meu filho!

terça-feira, 11 de abril de 2017

Cordel na Bienal do Livro



Vem aí a XII BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ. Estaremos lá, mais uma vez, no ESPAÇO DO CORDEL E DO REPENTE!

Referência no calendário cultural nacional, a XII Bienal Internacional do Livro do Ceará é um grande espaço de encontros entre diversos públicos e grandes autores e convidados do Ceará, do Brasil e do mundo, promovendo a reinvenção da vida por meio da arte, do conhecimento, da palavra em seus múltiplos meios e possibilidades. Com o tema "Cada pessoa, um livro; o mundo, a biblioteca", esta nova edição da Bienal, com o renomado escritor Lira Neto assinando a coordenação da curadoria, da também integrada por Kelsen Bravos e Cleudene Aragão, é um momento de culminância da política estadual de livro, leitura, literatura e bibliotecas, de acordo com as diretrizes  de democratização do acesso à cultura e à arte, valorização da produção cearense e diálogo com o Brasil e o mundo. Sempre com grande participação popular.

PARA SABER TUDO SOBRE A BIENAL, CLIQUE AQUI: 

http://www.secult.ce.gov.br/index.php/latest-news/46106-xii-bienal-internacional-do-livro-do-ceara-anuncia-novos-convidados-e-detalha-programacao-e-espacos


Com Stélio Torquato e Carlos Vazconcelos, no Espaço do SESC.
Lançaremos este ano a biografia do poeta SANTANINHA.

quinta-feira, 30 de março de 2017

O SANTANINHA



PESQUISA JOGA NOVAS LUZES SOBRE OS PRIMÓRDIOS DO CORDEL BRASILEIRO

Alguém já ouviu falar do Santaninha? Os pesquisadores Arievaldo Vianna e Stélio Torquato seguiram as pegadas desse poeta popular citado por Sílvio Romero, Mello Moraes Filho, Barão de Studart e José Calazans (dentre outros) como um dos precursores da Literatura de Cordel. A pesquisa abrange citações em livros do século XIX e primórdios do século XX, notas publicadas em dezenas de jornais e revistas do Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro e narra a saga desse poeta potiguar, natural da Vila de Touros-RN, nascido em 1827, autor de, pelo menos, 10 folhetos de cordel publicados entre 1873 e 1883. Com muito esforço os autores obtiveram também o texto integral de quatro poemas de Santaninha, todos em sextilha!
Trata-se de uma biografia e alentado estudo sobre a obra de Santaninha, acompanhado de uma Antologia com os quatro poemas já mencionados, a saber: O Imposto do Vintém, A Guerra do Paraguai, A Seca do Ceará e o Célebre Chapéu de Sol.  O livro sairá em breve pela META EDITORIAL. Lançamento previsto para a BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DO CEARÁ.


Os pesquisadores Arievaldo Vianna e Stélio Torquato, com alunas do Curso de Letras da UFC

O OVO E A GALINHA: UM ESTUDO SOBRE OS PRIMÓRDIOS DA LITERATURA DE CORDEL

HOJE 18/04 - terça-feira, na XII Bienal Internacional do Livro do Ceará: Mesa Redonda SANTANINHA - UM POETA POPULAR NA CAPITAL DO IMPÉRIO. AMANHÃ, 19/04, às 16 horas, lançamento do livro na PRAÇA DO CORDEL.
A incrível saga de um retirante da Seca de 1877 que fez sucesso como CORDELISTA em pleno Rio de Janeiro! Embora seja desconhecido pela maioria dos pesquisadores atuais, João Santana de Maria - O SANTANINHA é citado por Sílvio Romero, Mello Moraes Filho, Barão de Studart e José Calazans (dentre outros) como um dos precursores da Literatura de Cordel. É citado também por JOSÉ DE ALENCAR numa caderneta de anotações que utilizou para composição do romance O SERTANEJO e para o livro O NOSSO CANCIONEIRO! Essa caderneta faz parte do acervo do Museu Histórico Nacional (RJ).
A pesquisa de Arievaldo Vianna e Stélio Torquato abrange citações em livros do século XIX e primórdios do século XX, notas publicadas em dezenas de jornais e revistas do Ceará, Maranhão, Pernambuco e Rio de Janeiro e narra a saga desse poeta potiguar, natural da Vila de Touros-RN, nascido em 1827, autor de, pelo menos, 10 folhetos de cordel publicados entre 1873 e 1883. Com muito esforço os autores obtiveram também o texto integral de quatro poemas de Santaninha, todos em sextilha!

Quem surgiu primeiro? A grande polêmica entre alguns pesquisadores é saber quem publicou folhetos primeiro, se Leandro Gomes de Barros, considerado o ‘pai da Literatura de Cordel’, ou se tal primazia coube a Silvino Pirauá de Lima, ambos paraibanos. Contando em desfavor do segundo está o fato de não terem se conservado seus folhetos mais antigos, ao passo que boa parte da produção de Leandro está preservada no acervo da Casa de Rui Barbosa e na Biblioteca Átila de Almeida, em Campina Grande, com folhetos datados da primeira década do século XX. Antes desses pioneiros, entretanto, um bardo e também rabequista veio a publicar folhetos populares em sextilhas, através da Livraria do Povo, de Pedro Quaresma, no Rio de Janeiro, com formato muito aproximado do autêntico cordel nordestino, quase duas décadas antes de Leandro.
Trata-se do poeta João Sant’Anna de Maria, o Santaninha, autor do folheto O Imposto do Vintém, publicado em 1880. Antes desse cordel, já havia publicado um poema sobre a Guerra do Paraguai. Santaninha revendia seus folhetos no centro da então Capital do Império, cantando-os ao som da rabeca. Parte do conteúdo desses folhetos encontra-se registrada nos Anais do Museu Histórico Nacional. Também tivemos acesso a um folheto integralmente preservado, com quatro poemas de Santaninha, no acervo da Biblioteca Nacional, publicados entre 1879-1881.
Os cronistas daquela época e até mesmo alguns editores classificavam a produção de Santaninha e outros poetas populares como livretos de “modinhas” à falta de melhor definição, pois o termo Literatura de Cordel, trazido de Portugal, ainda não havia se popularizado no Brasil. Essa, aliás, era prática comum, como ratifica Vicente Sales, informando que a editora Guajarina, de Belém-PA, ao divulgar, por volta de 1920, um catálogo de 35 títulos de autores como Leandro Gomes de Barros, João Melchíades Ferreira e Firmino Teixeira do Amaral (entre outros), classifica os folhetos como “literatura sertaneja” ou “coleção de modinhas”. (SALLES, 1985, p. 152)
Sílvio Romero, contudo, já classifica a produção de Santaninha como Literatura de Cordel. Desde a primeira edição do livro Estudos sobre a Poesia Popular do Brasil, publicada em 1879-1880, Silvio Romero já faz uma leve referência ao “pequeno poeta”:

A literatura ambulante e de cordel no Brasil é a mesma de Portugal. Os folhetos mais vulgares nos cordéis de nossos livreiros de rua são: A história da Donzela Theodora, A Imperatriz Porcina, A Formosa Magalona, O Naufrágio de João de Calais – a que juntam-se Carlos Magno e os Doze Pares de França, O testamento do Galo e da Galinha, e agora bem modernamente – as Poesias do Pequeno Poeta João Sant’Anna de Maria sobre a Guerra do Paraguay [ROMERO, 1977, p. 257]

Da biografia de Santaninha, muitos dados eram desconhecidos até recentemente, a começar pela data e lugar de seu nascimento. O que nunca foi questionado foi o fato que viveu no Ceará, onde acompanhou atentamente o desenrolar da Guerra do Paraguai (1864-1870), escrevendo um longo poema que era uma espécie de carro-chefe de suas apresentações, antes de se mudar definitivamente para o Rio de Janeiro. Sabe-se a data em que teria se fixado na Capital do Império: 1877, como informa o célebre Dicionário Biobibliográfico Cearense, do Barão de Studart, no qual se registram outros dados sobre o autor:

João Sant’Anna de Maria – É o celebre Santaninha, afamado improvisador e tocador de rabeca. Foi trabalhador de um sitio da família Sombra em Maranguape, onde era muito popular, e, tendo se retirado para o Rio em 1877, ali faleceu alguns anos depois, após ter granjeado larga fama como rabequista popular. Publicou: — Guerra do Paraguai. Imposto do vintém. O Célebre Chapéu de Sol. A Seca do Ceará, folheto de pp., Rio de Janeiro, Livraria do Povo, Quaresma & C.a, Rua de S. José, 65 e 67. Além dessas suas afamadas cantigas, há mais Outras Poesias, que vi citadas em um catálogo da antiga livraria de Serafim José Alves, Rio. (STUDART, 1910-1915, verbete “João Sant’Anna de Maria”).



Página de um folheto de Santaninha sobre a Guerra do Paraguai, escrito em 1871.

JUSTIÇA PARA SANTANINHA
(trecho do prefácio do livro, assinado pelo pesquisador Marco Haurélio)

Os esforços envidados pelos poetas e pesquisadores Arievaldo Vianna e Stelio Torquato Lima para trazer à baila a fascinante e fugidia personagem Santaninha, pseudônimo de João Santana de Maria, pioneiro da literatura de cordel brasileira, representam um salto qualitativo poucas vezes visto nos estudos da poesia popular. A certeza fulminante advinda da pesquisa, agora transformada em livro, é a de que a cronologia do cordel precisa ser urgentemente revista. Santaninha antecede, em pelo menos duas décadas, Leandro Gomes de Barros (1865-1918), o paraibano genial que nos legou alguns dos maiores clássicos do gênero.
Por que, então, seu nome não consta ou é citado marginalmente por uma reduzida gama de pesquisadores? Por que não há qualquer referência a ele no Dicionário Biobibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada, de Átila Almeida e José Alves Sobrinho?

Bem, são muitas as perguntas, e os autores deste livro respondem à maior parte delas com a desenvoltura de quem foi além das fontes primárias. À parte a conhecida e repisada citação de Sílvio Romero em seus Estudos da poesia popular, Arievaldo e Stelio recorreram a acervos, recortes de jornal e obras de referência há muito fora de circulação. Se Santaninha, a princípio, era uma personagem distante, quase evanescente, a pesquisa criteriosa, deu-lhe um rosto, esboçou traços de sua personalidade e reconstruiu sua trajetória de migrante que deixou o Ceará e se instalou no Rio de Janeiro, tornando-se, na capital federal, um cronista popular. Citei-o brevemente, reproduzindo, em nota, o verbete do Barão de Studart que também consta deste volume. Sabia de sua importância, mas não fazia ideia de como inseri-lo no universo da literatura de cordel, tal como se estabeleceu a partir do modelo legado principalmente por Leandro Gomes de Barros. Este livro faz isso muito bem e vai além. (...)




MATÉRIA NO JORNAL DOS MUNICÍPIOS (Jornalista Zeudir Queiróz):  http://jmunicipios.com.br/noticias/municipios/fortaleza/pesquisa-joga-novas-luzes-sobre-os-primordios-do-cordel-brasileiro/

FOTOS DA MESA REDONDA 
SOBRE SANTANINHA (18/04)








terça-feira, 21 de março de 2017

A LIÇÃO DO PINTO



O amigo é um simples trabalhador brasileiro, assalariado e sofrido lutando para se aposentar? Está se sentindo mais apertado que um pinto no ovo? Então, esqueça a cagada do PATO e aprenda a LIÇÃO DO PINTO. Um belo poema do genial PATATIVA DO ASSARÉ!

Lição do pinto
(Patativa do Assaré)

(Versos recitados pelo autor em um comício em favor da anistia)

Vamos meu irmão,
A grande lição
Vamos aprender,
É belo o instinto
Do pequeno pinto
Antes de nascer.

O pinto dentro do ovo
Está ensinando ao povo
Que é preciso trabalhar,
Bate o bico, bate o bico
Bate o bico tico-tico
Pra poder se libertar.

Vamos minha gente,
Vamos para frente
Arrastando a cruz
Atrás da verdade,
Da fraternidade
Que pregou Jesus.

O pinto prisioneiro
Pra sair do cativeiro
Vive bastante a lutar,
Bate o bico, bate o bico,
Bate o bico tico-tico
Pra poder se libertar.

Se direito temos,
Todos nós queremos
Liberdade e paz,
No direito humano
Não existe engano,
Todos são iguais.

O pinto dentro do ovo
Aspirando um mundo novo
Não deixa de beliscar
Bate o bico, bate o bico,
Bate o bico tico-tico
Pra poder se libertar.
__


Poema publicado no livro Ispinho e Fulô, de Patativa do Assaré (1988).