segunda-feira, 18 de junho de 2018

CORDEL DE JOSÉ PACHECO




A INTRIGA DO CACHORRO COM O GATO
Autor - José Pacheco

(fragmentos)


A intriga é mãe da raiva
O mal pensamento é pai
da casa da malquerença
o desmantelo não sai
enquanto a intriga rende
a revolução não cai.

Quando o cachorro falava
Gato falava também
Gato tinha uma bodega
como hoje os homens têm
onde vendia cachaça
recostado ao armazém

Com uma balança armada
para comprar cereais
na bodega ele vendia
bacalhau, açucar e gás
bolacha, café, manteiga
miudeza e tudo mais.

(...)

Rei Leão mandou o Cachorro
efeteuar uma prisão
e o cachorro passando
na venda do gato então
falou pra beber fiado
o gato disse pois não.

Embebedaram-se ambos
garrafas secaram três
cachorro fez um discurso
falando idioma inglês
gato embolava no chão
discursando em francês.

A gata mulher do gato
saiu de lá, veio cá,
e disse muito agastada
vocês dois procedem "má"
o gato disse - Mulher,
da porta do meio pra lá!!!



quarta-feira, 13 de junho de 2018

ENCONTRO DE POETAS



Gustavo Luz e a poesia na sombra
Visita de Bruno Paulino ao país de Mossoró-RN

Estive em Mossoró-RN, e depois de visitar alguns pontos históricos pela manhã fui num sebo do centro da cidade, o Resebo, comprar livros sobre o Cangaço e Lampião, e lá me deparei com o novo trabalho do Arievaldo Vianna, No tempo da Lamparina, e aí que liguei para o poeta e conversa vai conversa vem e ele disse que estando na cidade tinha que ir conhecer seu amigo, o editor Gustavo Luz.
E no fim de tarde depois de outras visitas no centro histórico encontrei com poeta mossoroense criador e chefe da editora Queima-Bucha, que tem fomentado sobretudo a literatura de cordel no Nordeste e em estados do sul como São Paulo.

Gustavo Luz é um sujeito tranquilo e de conversa agradável, um típico poeta, manso e cordato; resistente como todo mundo na cidade da chuva de bala, dos valentes que botaram o cangaceiro Lampião e seu bando pra correr; e desde 1983 que ele se aventura no mundo dos versos quando estreou com o livro: Chuvas de Palavras.
O vate, grande amigo de Arievaldo Vianna, logo me presenteou com seu último livro O Poeta na Sombra (2013), que trata-se de uma brochura com poucas páginas, mas que não significa obra menor, afinal, como dizem: são nos pequenos frascos que se guardam as melhores essências.
E os versos simples e laborados de Gustavo Luz contém a essência das coisas: "na sombra/na poesia/no mar/ e no sertão".


E é caminhando nas sombras, como um flâneur nos "arredores da cidade" que o poeta vislumbra os acontecimentos e filtra imagens para o seu artesanato verbal, cheio de sinfonia e ritmo fazendo do livro todo uma verdadeira viagem de saudades, memória e afetos nos caminhos da poesia.
E assim sendo, Gustavo Luz é um poeta-cronista do hoje, do ontem e do sempre.
Por fim, comprei ainda da edições Queima-Bucha uns cordéis sobre Conselheiro, Canudos e outras revoltas populares ocorridas no Nordeste, do poeta Medeiros Braga.

Por Bruno Paulino, escritor.

segunda-feira, 11 de junho de 2018

CÓDIGOS VISUAIS



ANÁLISE DE UMA XILOGRAVURA
DE ARIEVALDO VIANNA


Entre as várias artes que Arievaldo Vianna executa com destreza está a da xilogravura, e dentre as poucas que conheço existe uma que parece ser o "xodó" do artista. Podemos isso pela aparição dessa gravura em alguns trabalhos do autor e principalmente no papel que ela desempenha no livro “No tempo da Lamparina”. Trata-se da interessante imagem de um cavalo alado sobrevoando três monólitos, sendo montado por um homem de porte ereto.

             No referido livro, como se não bastasse a imagem em destaque nas folhas que abrem cada capítulo, está espalhada por todo o volume, como por exemplo no início e no fim do cordel ali transcrito e intitulado “O Marco Cibernético do Reino dos Três Monólitos”. A figura, por si mesma muito instigante, despertou minha curiosidade pela sua ocorrência frequente, sinal da importância da tal efígie para o artista. Isso tudo dá claro indícios de que a mesma contém uma mensagem pictografada, bem diferente de desenhos ocasionais, de mero valor ilustrativo. Resolvi atentar para os detalhes.

            Vemos um robusto cavalo, na verdade um equino desmedido, de pescoço musculoso e peitoral avantajado. Mas a força física que porventura isso venha a denotar não é aproveitada na simbologia. A musculatura aponta para a intrepidez, a capacidade de impulsão, de romper obstáculos, não no plano mais denso da vida, mas no campo do pensamento. O cavalo está voando; sua constituição é um de um ser voador, próprio das alturas. Não só as asas remetem a isso, que aliás merecem um tratamento à parte, como também as patas denunciam a sua predisposição aérea. Não tem os cascos próprios para firmar-se pesadamente o chão; suas extremidades são pontudas como a dos caprinos e outros animais herbívoros e saltadores. A propósito, a posição fixa do animal na representação artística tem a mobilidade do salto, como se tivesse sido flagrado em pleno ar. A testa avolumada do quadrúpede indica, talvez, que o pensamento naquele bruto misterioso seja de um desenvolvimento bastante apreciável.

            Não é necessário observar o traço, a parte técnica da gravura. Apesar das asas terem sido feitas com golpes rápidos do instrumento cortante, proporcionando um efeito expressionista, o que interessa é que elas são grandes o suficiente para sustentar o peso do animal em seu transcurso pelo ar. O cavaleiro que o monta não parece comandar. É desproporcionalmente pequeno, e sua elegância salta à vista. O elemento humano na figura é um mero passageiro, que nada pode fazer senão apreciar a experiência daquela montaria. Será levado para onde o cavalo quiser. Parece constituir parte do próprio cavalo, como as crinas e a cauda, esvoaçantes.

            Não sei em que eu deveria me fundamentar para explorar a riqueza simbólica dessa xilogravura. Mas o que imediatamente notório, o que aparenta significar é essa grandiosidade do processo criativo, algo incontrolável, mas que leva o autor por um caminho seguro, na indeterminação do espaço da ideação. Os três monólitos abaixo e à distância do equino alado são os únicos pontos de referência terrestres dessa viagem. Dizem das raízes telúricas, uma geografia e uma história cheia de importâncias pessoais. A propósito, no campo real das realizações, eram um desejo do autor ir até eles, os tais monólitos, o que só conseguiu no ano de 2017. O resto é pensamento, é memória, é a imaginação e o desejo de manter-se sempre acima da realidade, mas sem perder o contato com ela.

            Essa imagem visual, aparece não desenhada, mas descrita verbal e poeticamente, no cordel “O marco cibernético do Reino dos Três Monólitos”:  “Um cavaleiro chegou/ Num Hipogrifo montado/ Do reino de Avalon/ Veio tele-transportado/ Sua presença era um elo/ Entre o futuro e o passado”. Na sequência desses versos, encontramos toda a riqueza ideal e utópica talvez representada pela gravura que estávamos examinando. Aliás, o referido cordel é todo prova desse aspecto supra-real, mitológico, visionário de riquezas ocultas impossíveis de serem manifestadas agora. Na mitologia, o Hipogrifo é um animal hibrido, e vimos pela análise que também o cavalo alado é uma união de vários conceitos. Se o próprio autor insiste em se expressar por essa imagem, é porque ele, ou seu labor como escritor e artista, talvez sejam muito bem representados por ela.

Maércio Siqueira
Poeta e Xilogravador

domingo, 10 de junho de 2018

CONTO DE GUSTAVO BARROSO



Ilustração: Arievaldo Vianna (Direitos reservados)

MARIALVA SERTANEJO
Gustavo Barroso

Um touro grande, cor da treva, de aguçadas pontas ligeiramente recurvas. Chamava-se Azulão, como o pássaro do mesmo nome, que também e negro. Talvez o apelido lhe viesse dos reflexos espelhantes do pêlo à luz do sol, que às vezes davam levemente a impressão do azul. Animal bonito e, sobretudo, famoso. Conhecia-o de nome o sertão todo, como o mais terríivel e mocambeiro novilho dos que o coronel Paulo deixava amontados pelas senotas, a fim de prometer prêmios aos vaqueiros que os trouxessem mortos ou vivos, quando o tempo, a perseguição e a liberdade os tornavam verdadeiras feras.

Todos os anos, após a ferra do gado, o grande fazendeiro escolhia um novilhote entre os mais possantes e dava ordem para abandoná-lo nas catingas aos seus instintos. O animal ficava selvagem e ele tentava a vaqueirama das ribeiras próximas a dar-lhe caça. O vaqueiro que lhe trazia a "bassoura" do barbatão morto a tiros, ou o próprio pegado a laço derrubado a "mussica" recebia cinco patacões de velha prata portuguesa e divertia-se em grande festa, na fazenda, durante a qual os melhores cantadores o louvavam ao pé da viola. Havia quarenta anos que o coronel se dedicava a esse folguedo, começado logo que herdara as terras do pai, aos trinta de idade. Mas nunca espicaçara os sertanejos dos arredores atrás de bicho mais terrível que o Azulão.

Aquele touro bravo era o pior de que havia notícia nas tradições do sertão. Rápido como o pensamento e valente como as armas, já matara dois cavalos de campo e estripara um vaqueiro. O coronel Paulo prometera vinte patacões a quem o trouxesse vivo ao seu curral, cuja cerca de pau a pique, no alto dum teso, se mirava nas águas vagarosas do rio.

Dois vaqueiros irmãos, os melhores campeadores da região, Matias e Teófilo Sussuarana, puseram-se-lhe no piso, deram-lhe quedas e mais quedas nas várzeas para onde o tangeram e, depois de o fatigarem, o laçaram, trazendo-o para o curral, de madrugada, dificilmente, enleado em peias, de "máscara", e chocalho, para maior vergonha de sua denota.

Mal o dia amanheceu, preveniram o coronel que o Azulão estava ali. Saiu de casa radiante, os lábios vermelhos sorrindo entre as revoltas barbas brancas, e foi olhar a fera cativa, encerrada no menor dos currais de apartação, laivado o dorso negro de arranhões, olhos afuzilando por trás do couro cru da "màscara", escarvando o chão, enervado pelo continuo tinir do chocalho aviltante. E deu ordem para se convidar muita gente à festa que celebraria, desde a tarde até alta noite, o triunfo dos dois rapazes.

Horas depois, à sombra das árvores do terreiro, não havia mais lugar para amarrar cavalos. Celeremente se espalhara a nova da captura do animal e toda a vizinhança vinha ver o "fama" da ribeira.

O vento da tarde começara a rumorejar devagarinho na folhagem dos comarus e dos frei-jorges robustos, que circulavam o pátio, e a ardência do sol diminuíra, quando o cativo começou a dar sinais da terrível fúria. Passara o dia sempre escarvando o solo, porém embezerrado, acuado a um canto, olhos em brasa. Agora, não. Arremetia contra os "varaus" da porteira, agitava o "cupim", marrava a cerca, mugia lentamente, babava-se, estremecia todo, a complicada musculatura sacudida em crispações fugazes e violentas como descargas elétricas. E os olhares humilhantes de dezenas de vaqueiros, trepados nos moirões, excitavam magneticamente o animal prisioneiro.

O fazendeiro contemplava os progressos rápidos daquela raiva e, de repente, obedecendo ao seu temperamento estouvado e ardente, gritou:

- Duzentos mil-réis aos que pegarem o bicho a unha, dentro do curral!

A soma era por demais tentadora. Aqueles homens nunca tinham visto tanto dinheiro. Todos os olhos faulharam de cobiça. O vaqueiro da casa fez correr alguns paus da porteira, convidando sorridente:

- Vamos! Quem é homem para entrar?

O Azulão pareceu adivinhar o que contra ele se preparava. Recuou, bebendo mais, até o fundo do curral e ficou novamente imóvel, pontas em riste, sacudido pelos estremeções nervosos. Sentia-se do longe o fogo do seu olhar.

Os vaqueiros silenciosos, emocionados, olharam-no e não tiveram coragem de entrar. Então, o velho apregoou, sorrindo:

- Dou os mesmos duzentos mil-réis a quem o atacar peito a peito e o matar a faca!

Outra vez, o vaqueiro da casa fez o convite irônico:

- Vamos! Quem é homem para entrar?



Os vaqueiros levaram as mãos, maquinalmente, aos cabos das afiadas parnaíbas e logo as deixaram cair, sem ânimo de dar um passo. Os mesmos que o tinham perseguido e pegado no mato não ousaram mais que os outros. No campo, na primeira luta, o touro não tinha ainda a fermentada cólera de agora. Vendo aquela indecisão geral, o coronel encolheu os ombros e falou, com desprezo:

- Vocês são todos uns maricas! Súcia de medrosos!

Foi como uma chicotada que os vergastasse a todos, nas faces! Aqueles homens rudes, de rostos abaçanados sob os grossos chapéus de couro, não se atiraram ao insultador detidos pelo respeito feudal ao ancião, senhor da terra e do gado. Porém um, mais jovem e audaz, replicou:

- Se vosmicê não entra também, coronel, é tão medroso como nós.

O velho caminhava já para casa, em cuja alpendrada a mulher e a filha o esperavam para jantar. Deteve-se e fulminou o rapaz com um olhar formidável, arrancou do cinto do homem que lhe ficava mais próximo a comprida faca de arrasto e disse, serenamente, ao seu vaqueiro:

- Jerome, abra a porteira!

Fez-se grande silêncio. Ao fundo do curral, o touro negro arfava. E diante dos vaqueiros, respeitosamente descobertos, aquele homem de setenta anos de idade, de longas barbas brancas, penetrou sem medo no recinto temível!

A mulher e a filha deitaram a correr, gritando, da casa para os currais; mas, quando ali chegaram, já ele estava no meio do cercado, de faca nua na mão, olhando corajosamente o touro. Ninguém se atrevia a dar uma palavra. Pareciam suspensas as respirações e os arrulhos distantes das juritis ecoavam como gemidos fúnebres.

O Azulão distendeu a poderosa musculatura num salto felino sobre o fazendeiro, que evitou o bote, pulando de lado e golpeando-lhe com a faca o pescoço de aço. Num repelão, o monstro voltou à carga. Já o velho se encostava à cerca, defendendo as costas. Veio sobre ele numa investida delirante, não lhe dando tempo a esquivar-se. Houve um arrepio; depois, um grito de horror da assistência inteira.

O animal cravara as pontas finas no ventre do ancião, comprimindo-o de encontro aos moirões. Viu-se-lhe o braço nervudo erguer e abaixar a lâmina espelhante. Então, ficaram imóveis o homem e o touro.

Todos precipitaram-se no cercado e, quando se aproximaram do grupo petrificado, viram que o coronel estava morto, trespassado pelos chifres, cujas pontas fundamente se cravaram nos madeiros. Por isso, mantinha-se de pé o imenso corpo do Azulão; mas as pernas traseiras pouco a pouco cediam até que a vasta mole de carne e músculos abateu de vez. A facada do fazendeiro fora certeira e mortal: penetrara em cheio no cabelouro!

(Alma sertaneja, 1923.)

quarta-feira, 6 de junho de 2018

UM ÁLBUM HISTÓRICO





O DISCO DE ESTRÉIA DE BELCHIOR 

Continental, 1974 (Mote e Glosa)


Criei esse texto a partir de um desafio que me foi feito via Facebook pelo professor Washington Castro: postar dez discos que a gente ouviu até a agulha furar o vinil, e continua ouvindo até hoje. O oitavo álbum escolhido é o disco de estréia de BELCHIOR, pela gravadora Continental, em 1974. Trata-se de um álbum histórico, cheio de referências à CANTORIA e ao CORDEL.

E, de quebra, falo também de seu/meu parceiro Jorge Mello. 



A primeira canção de Belchior que prendeu a minha atenção foi o hit “Medo de avião”, lançado em 1979 pela WEA. Nesse tempo havia umas máquinas de ficha que tocavam a música que a gente escolhia no painel. A ficha custava centavos... Nessa época eu residia em Maracanaú, próximo à estação ferroviária, e bem na esquina da rua que desaguava no Instituto São José, colégio onde eu cursava a sexta série, havia uma dessas máquinas cheia de sucessos da época: Gilberto Gil, Frenéticas, Fagner, Belchior, Sidney Magal, Raul Seixas e Gonzaguinha estavam entre os artistas mais tocados. Eu ficava olhando aquilo tudo com olhos de menino pobre, longe da família, vivendo na casa alheia com dinheiro curto, que mal dava para o lanche da escola e a compra de algum material escolar. Mas sempre sobrava algum trocado e eu colocava a ficha naquela engenhoca para escutar MEDO DE AVIÃO. Achava a introdução lindíssima e o timbre de voz do cantor me recordava a toada dos violeiros e o aboio do vaqueiro sertanejo.

Quando pude comprar meu primeiro toca-discos, tratei de adquirir um disco desse grande artista cearense e o primeiro que me caiu mãos foi “BELCHIOR – UM SHOW – 10 ANOS” com regravações de seus sucessos, álbum lançado em 1986 pela Continental. Estranhei os arranjos da regravação de “Medo de Avião”, embora tenha uma levada bem contagiante. Mas a música que eu realmente curtia (e ainda curto) nesse disco é “Canção de gesta de um trovador eletrônico”, parceria do sobralense Belchior com o piauiense Jorge Mello, seu parceiro mais frequente ao longo da carreira. A regravação dessa música supera a versão original, lançada no álbum “Cenas do próximo capítulo” lançado por Bel em 1984. Então tratei de adquirir o álbum de 1979 para ouvir “Medo de Avião”, “Tudo outra vez”, “Comentário a respeito de John” e “Conheço meu lugar” na sua versão original. Eu trabalhava na Rádio Uirapuru de Canindé (atual Rádio Jornal AM) e na discoteca da emissora havia o antológico “Alucinação”, lançado pela PHILLIPS em 1976, considerado seu melhor trabalho pela maioria dos fãs.

Xilogravura: ARIEVALDO VIANNA


O ÁLBUM ESCOLHIDO

Depois de pensar, comparar e avaliar, resolvi escolher outro disco formidável,  seu álbum de estreia, lançado em 1974 pela Continental, disco que já sinalizava todo o seu potencial criativo.

Bel abria o seu primeiro disco em 1974 entoando “…É o novo, é o novo, é o novo, é o novo..”. O álbum que leva o seu próprio nome como título, ficou conhecido entre os colecionadores de discos como “Mote e Glosa”, música que abre o álbum e anunciava, mesmo que sem intenção, o aparecimento de uma nova estrela da música brasileira que emocionava com suas composições. Na sequencia vem “A palo seco”, “Senhor dono da casa” e “Bebelo”, uma faixa experimental com arranjo bem ousado sobre um poema concreto. Mas nesse gênero nada supera “Máquina I” e “Máquina II”, ambas do mesmo álbum: “Êêêê-me-a-MA-quê-u-i-QUI-ene-a-nê-a-NA... Máquina-maquina-máquina-maquina...” Belchior é quem tomou conta da direção de produção do álbum, com arranjos, direção artística e regência do incrível Marcus Vinicius.

O parceiro Jorge Mello lembra muito bem esse tempo de vacas magras, quando morava com a esposa e o amigo num kitnet, no Rio de Janeiro. Depois Belchior seguiu para São Paulo, sem dinheiro no banco e sem parentes importantes, e foi morar de favor na casa de um amigo, que estava em reforma, ocupando um dos últimos quartos da casa, embalado pelo som produzido por pedreiros e carpinas que trabalhavam na obra. Enquanto isso, Jorge Mello idealizava seu primeiro álbum, intitulado “Besta-fera” que é uma tijolada em matéria de som e poesia. Mas foi no álbum seguinte, “Integral”, lançado em 1977, que Jorge Mello acertou a mão valendo-se de toda nordestinidade dos cantadores, dos cordelistas, dos aboiadores e dos sanfoneiros de pé-de-serra. Seria uma injustiça falar aqui de Belchior sem citar esse parceiro, que foi também seu sócio na gravadora Paraíso, um selo que lançou diversos artistas no mercado.

Segundo seu biógrafo Jotabê Medeiros, autor de “Belchior – Apenas um rapaz latino americano” o artista seguia a pé para o estúdio onde gravou o seu primeiro disco.
O álbum traz 11 músicas que são de autoria do próprio Belchior, que entre elas destacam-se “Passeio”, “Na Hora do Almoço”, que foi vitoriosa no IV Festival Universitário da Música Popular Brasileira, e também o grande sucesso “A Palo Seco”.
Neste disco, Belchior deixa explicito nas melodias a sua raiz nordestina e, como sugerido no título da primeira música, o cuidado e valorização das letras.

Músicas:

LADO A
1. MOTE E GLOSA
2. A PALO SECO
3. SENHOR DONO DA CASA
4. BEBELO
5. MÁQUINA I

LADO B
1. TODO SUJO DE BATON
2. PASSEIO
3. RODAGEM
4. NA HORA DO ALMOÇO
5. CEMITÉRIO
6. MÁQUINA II


quarta-feira, 30 de maio de 2018

CARTAZES DE JÔ OLIVEIRA

Meu parceiro Jô Oliveira, ilustrador de diversos livros da minha bibliografia, acaba de produzir SEIS CARTAZES belíssimos para uma produtora de filmes da Bahia: Montanhas Filmes.








Fonte: https://www.obrasildejooliveira.com.br/

segunda-feira, 28 de maio de 2018

EM CANINDÉ

SOB A LUZ DA LAMPARINA



A greve dos caminhoneiros foi um dos fatores que resultou no adiamento do lançamento do livro NO TEMPO DA LAMPARINA. Sim, meus caros, querosene também é um combustível derivado de petróleo! O que não faltou foi cerveja, logo após esse encontro maravilhoso, no 'pré-lançamento' que ocorreu no auditório da CDL de Canindé, com a presença dos amigos Arlando Marques, Alfredo Paz, Toinho Pereira, Higino Luiz Barros de Mesquita (ex-prefeito de Canindé), Prefeita Sonia Costa, de Madalena e minha esposa Juliana Araújo. Outros amigos que compareceram (mas que não aparecem nessa foto): Izabel Pontes, Maria Clara Pontes, ex-prefeito de Canindé Celso Crisóstomo, Padre Moacir Cordeiro Leite, poeta Sílvio Roberto Santos, escritor Augusto César Magalhães Pinto, radialista Ney Alcântara, Pedro Adriano e algumas crianças que também abrilhantaram esse momento com a pureza de seus sorrisos infantis.