segunda-feira, 31 de outubro de 2016

SACI PERERÊ X HALLOWEEN

Ilustração: Arievaldo Vianna

Hoje eu estou com o Saci!
É que o brasileiro, na sua inocência de nativo deslumbrado com espelhos, penduricalhos e apitos, adora imitar o que vem de fora... Neve no Natal, Papai Noel vestidinho de vermelho, renas, trenós e, de uns tempos para cá, essa marmota que se chama "HALLOWEEN" ou Dia das Bruxas. As bruxas, como se sabe, são originárias da cultura Celta mas a Festa do Halloween que alguns brasileiros imitam com tanto prazer e alarde é apenas uma caricatura grotesca do que se faz nos EUA.
É muita besteira, subserviência e colonialismo para um povo só. Eu reconheço que a palavra folclore nada mais é que um abrasileiramento do termo inglês FOLK-LORE. Reconheço também que o nosso país é imenso e que fundiu muitas culturas e influências. Absorveu as lendas e costumes do árabe, do judeu, do europeu e, principalmente, do elemento indígena e do africano. Mas essa coisa de importar "folclore" a essa altura do campeonato é meio chiclete com banana. Que me perdoem os simpatizantes, mas isso é o tipo da coisa que não combina, nem dá liga...
Para contrapor a invasão do Halloween, defensores arraigados da cultura tupiniquim instituíram nessa mesma data O DIA DA SACI, um mito, supostamente, cem por cento brasileiro. Não deixa de ser uma proposta interessante a preservação da identidade nacional, tomando por base uma lenda que já vem sendo registrada em nosso meio há mais de duzentos anos, em contraponto a um modismo recente, de uns vinte anos para cá.
Se alguém discorda do meu ponto de vista ou se sente incomodado em ser chamado de alienado e entreguista, que vista a carapuça e saia por aí apitando num cachimbo, fumando numa quenga e pulando numa perna só!




Para os leitores que realizam pesquisa escolar sobre as lendas e mitos brasileiros, segue aqui a história do SACI PERERÊ em cordel... As estrofes a seguir, são da autoria do poeta MOREIRA DE ACOPIARA e a ilustração de ARIEVALDO VIANNA.


SACI-PERERÊ EM CORDEL

É mais um ente fantástico
Que tem forma de negrinho;
Possui uma perna só,
Acha bom andar sozinho,
Usa uma touca vermelha
E fuma num cachimbinho.

A tal touca lhe confere
Algum mágico poder;
Ágil, leve e brincalhão,
Gosta muito de correr,
Ou de pular pelo mato,
E, quando quer, se esconder.

É mesmo um negrinho esperto,
De modos interessantes.
Sobe e desce, esconde coisas,
Vai a lugares distantes,
Apaga fogo, e inda gosta
De assustar os viajantes.

Faz a comida queimar,
Gosta de espantar o gado,
Aparece de repente
E anda com muito cuidado.
Sobre ele o povo diz:
“Eita, negrinho danado!”.

Eu mesmo já pelejei.
Olhei daqui e dali,
Já revirei, serras, matos,
Estradas, mas nunca vi
Sequer um rastro, um sinal
Desse peralta Saci.

* * *

A simpática figura do SACI foi popularizada no Brasil por Monteiro Lobato, Ziraldo e outros escritores.




quarta-feira, 26 de outubro de 2016

HOMENAGEM A BELCHIOR




OS 70 ANOS DE BELCHIOR EM CORDEL


Um dos maiores compositores brasileiros de todos os tempos, gravado por Roberto Carlos, Elis Regina, Jair Rodrigues, Antônio Marcos, Ney Matogrosso, Maria Rita, Raimundo Fagner e outros medalhões da música brasileira está “desaparecido” há mais de cinco anos e já foi alvo de reportagens do programa ‘Fantástico’, da Rede Globo de Televisão e outros programas de TV. Estamos falando do cearense BELCHIOR (Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenele Fernandes), sobralense nascido aos 26 de outubro de 1946.
Durante esse período do “sumiço” do Bel, como é chamado carinhosamente pelos amigos de sua geração, travei uma sólida amizade com o músico piauiense Jorge Mello, o seu principal parceiro em mais de 20 composições. Eles começaram a carreira juntos, nos programas da TV Ceará e partiram para o Sudeste no começo da década de 1970. Chegaram a dividir a mesma “quitinete”, enquanto aguardavam ventos favoráveis para gravação dos primeiros trabalhos.
Jorge Mello é um cara muito organizado. Guarda todas as reportagens do período, depoimentos, gravações de programas de rádio e TV, cartazes e ingressos de shows e pretende escrever um livro sobre os artistas de sua geração, o chamado “Pessoal do Ceará”.
Jorge mora em São Paulo e passa a maior parte do tempo compondo, escrevendo ou desenhando num sítio que possui no interior paulista. O seu fabuloso acervo é frequentemente consultado por jornalistas, pesquisadores e também por estudantes que realizam pesquisas de mestrado e doutorado.
Ultimamente eu e Jorge Mello trabalhamos na produção de um folheto de cordel homenageando o grande compositor cearense. E, por que um cordel? Por vários fatores. Primeiro porque Jorge Mello é cordelista e repentista de talento. Segundo porque o próprio Belchior admite que suas maiores influências como músico foram os poetas e cantadores de feira.
Assim sendo, Jorge convidou-me para escrever esse trabalho em parceria e foi assim que nasceu o folheto “Peleja de um TROVADOR ELETRÔNICO com o ROBÔ GOLIARDO” dois personagens que aparecem em composições de Jorge Mello e Belchior. Eis alguns trechos do trabalho, ainda inédito:



HOMENAGEM A BELCHIOR – A INCRÍVEL PELEJA
DO TROVADOR ELETRÔNICO COM O ROBÔ GOLIARDO
Autores: Arievaldo Vianna e Jorge Mello


ARI - Vinda das constelações
Do espaço sideral
Uma estrela fulgurante
Clareou o meu quintal
Num instante de magia
Derramando poesia
E melhorando o astral.

E foi quem trouxe a notícia
Que para nós tem valor
Falando do paradeiro
De um genial trovador
Um repentista inspirado
Compositor renomado
Que se chama BELCHIOR.

JM - Sou feito do aço forte
Do aço bom de martelo
Também um compositor
Sou um poeta no prelo
E meu rebanho apascento...
Agora me apresento:
Eu me chamo Jorge Mello.

Meu filho ainda pequeno
Por muitas vezes dizia,
Em conversas de garotos,
Alunos da academia,
Falando de meu trabalho
Dos repentes que espalho
E a sua filosofia:

“Meu velho pai  já sabia
Toda  a batida do rock.
E a sua sabedoria
É cria de Woodistock.
Que a tal batida recria...
É,  que seu olho já via
Como enxergava  Sherlock.”

Tudo porque minha obra
Fundiu-se a de Belchior.
Esse poeta maior!
E grande compositor...
Então, por estas razões
Criamos muitas canções
Obras de muito valor.

“O som do alto-falante,
Rolava e me dava um toque.”
É o Trovador Eletrônico
Aqui berrando seu roque.
É o Robô Goliardo!
Eu nunca falho nem tardo
Mostrando  rock do estoque.

ARI - Feito bala de bodoque
A minha rima é certeira
Da arte de Zé Pacheco
A minha lira é herdeira
Sou poeta e menestrel
Nasci pra fazer cordel
E cantar no meio da feira.

Abrindo larga clareira
O meu estro sempre emana
Vou cantar com Jorge Mello
Poeta que não se engana
E também bebe cerveja
E topa nessa peleja
ARIEVALDO VIANNA.

 Como Poe, poeta louco
Eu pergunto ao passarinho:
E as velas do Mucuripe?
E o meu paletó de linho?
Black bird me responde
O passado nada esconde
Estás melhor que o vinho!

Mudando agora a toada
Novo caminho eu revelo
Chamo o Robô Goliardo
(E o bardo Jorge Mello)
A fim de mostrar seu dote
Cantando em cima do mote
Nos dez pés de um martelo.

D E C I M A S:

ARI  - Jorge Melo eu agora de previno
Pra mudar o estilo da toada
Preste bem atenção meu camarada
Na pisada do verso cristalino
Eu já sei que também és nordestino
E que sabes versejar com maestria
Nos segredos da velha cantoria
És um sol que rebrilha no quintal...
Belchior é poeta universal
Já criou e fez tudo em poesia!

JM - O talento é igual ao diamante
Não tem brilho, nem cor sem o trabalho
Vem da força da terra no cascalho
Só então o carvão fica brilhante.
Poetar é um pouco desse instante...
Quando ferve a palavra em agonia
Sai  a joia que só o poeta cria.
Escrever é o gozo triunfal...
Belchior é poeta universal
Já criou e fez tudo em poesia!

ARI – Se “El Condor” desliza sobre os Andes
E esparrama suas asas sobre nós
É preciso que se cante e solte a voz
Na toada da viola que expandes
Não se pode olvidar a obra dos grandes
Trovadores que divulgam a cantoria
Se agora estou por fora, um novo dia,
Vai surgir para afugentar o mal
Belchior é poeta universal
Já criou e fez tudo em poesia!

JM - Muito embora eu pareça um guerreiro
De origem  até de outro planeta
Tenho a força do rabo do capeta
Sou da terra, como é qualquer vaqueiro.
O futuro tá aí meu companheiro
Revelando o segredo da magia
Vim pra ver e cantar sabedoria
De origem até medieval
Belchior é poeta universal
Já criou e fez tudo em poesia.


(...)



Selo: Arievaldo Vianna

LANÇAMENTO NO PRÓXIMO SÁBADO, DIA 19 DE AGOSTO, NA II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO, NA CAIXA CULTURAL DA PESSOA ANTA - FORTALEZA-CE.








segunda-feira, 10 de outubro de 2016

CORDEL NA TV BRASIL


Ao chegar ao Brasil no século XVII, a poesia de Cordel se adaptou à cultura nordestina. Durante anos, esteve presente no cinema e na televisão, em produções como O Auto da Compadecida e Cordel Encantado, ambas da Rede Globo. Mas essa importante parte do nosso patrimônio cultural ainda é deixado de lado pela grande mídia.
Ver TV recebe o poeta cordelista Varneci Nascimento, coordenador editorial da Editora Louzeiro; a cantora e compositora Edi Maria, que faz poesia musicada e cordéis; o pesquisador Paulo Iumatti, doutor em história pela Universidade de São Paulo e vice-presidente do Instituto de Estudos Brasileiros da USP.

O Museu de Arte Popular da Paraíba, última obra realizada por Oscar Niemayer em vida, tem um dos maiores acervos de Cordel do país. A professora Joseilda Diniz dá detalhes desse espaço dedicado à xilogravura, à divulgação do Cordel e à interação com o público.
O presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, Gonçalo Ferreira, relembra a importância e a credibilidade do Cordel enquanto meio de comunicação.
O Cordel pode ser um ótimo instrumento pedagógico, como mostra ao Ver TV o poeta, radialista e ilustrador Arievaldo Viana, criador do projeto Acorda Cordel na Sala de Aula.
Confira também as entrevistas na íntegra, um conteúdo exclusivo para web:
Museu de Arte Popular da Paraíba apresenta a literatura de cordel para o público
Gonçalo Ferreira declama a sua literatura de cordel
Arievaldo Viana utiliza o cordel na alfabetização de jovens e adultos no Brasil.




Apresentador / Editor-Chefe: Lalo Leal
Produtor Executivo: Vitor Chambon
Apoio à Produção: Patrícia Lima
Jornalista: Renato Fanti

Editora de Imagens: Mariana Velozo

VER ESTE LINK: http://tvbrasil.ebc.com.br/vertv/post/arievaldo-viana-utiliza-o-cordel-na-alfabetizacao-de-jovens-e-adultos-no-brasil

video
https://www.youtube.com/watch?v=RtKE6kNf7tw


segunda-feira, 3 de outubro de 2016

GERALDO MOUZINHO AINDA VIVE DE POESIA



No início da década de 1980 uma dupla de emboladores conquistou o Brasil com um LP impagável, lançado pela gravadora Copacabana. Falo de Cachimbinho e Geraldo Mouzinho, que lançaram um excelente disco contendo, dentre outras emboladas, "Briga em São José dos Cacetes", um clássico do gênero. Cachimbinho converteu-se a uma igreja evangélica e tornou-se o Irmão Tomaz. Não se apresenta mais como embolador. Geraldo Mouzinho, ao contrário, continua exercendo o dom da poesia e vendendo cordéis nas feiras da Paraíba. Veja essa matéria extraída do blog GERALDO MOUZINHO VIDA E POESIA: http://projetogeraldomousinho.blogspot.com.br/



AOS 73 ANOS, GERALDO MOUSINHO EXPÕE 
SEUS CORDÉIS EM FEIRA PÚBLICA

Aos 73 anos de idade, Geraldo Mousinho dá uma demonstração de humildade e vontade de exibir seus mais de 40 cordéis publicados. Com sua barraca localizada em Jacaraú, cidade da Paraíba localizada a 96 km da capital, João Pessoa, Geraldo não só vende seus cordéis, como os de alguns amigos de renome e os de seu próprio filho, Ginaldo Mousinho, poeta abalizado – como gosta de ser chamado.
Aos domingos, das seis da manhã às dez e meia, Geraldo não pára: vende, recita estrofes, conversa sobre política, a vida do músico e sobre todas as resenhas da atualidade que lhe forem indagadas.
Sempre preocupado com a educação das crianças, possui um grande interesse em que seus cordéis - ou de quem quer que seja – sejam incluídos na educação das crianças e adolescentes, fazendo parte do ensino de Literatura e Português, onde o jovem possa entender a estrutura de formação dos versos, a métrica das palavras, compreenda as figuras de linguagem incorporadas neste tipo obra poética, saiba interpretá-las, conheça os artistas da terra e que seja estimulado a produzi-las.
Mesmo sem contar com patrocínio para a produção de seus cordéis e outros projetos e atividades que tem, Geraldo Mousinho é pura simpatia, onde muitas vezes entrega gratuitamente alguns folhetos a quem não possa pagar.
Parar para conversar com Geraldo Mousinho é receber um presente de cultura e amor à arte.


Por Dayvis Nascimento