domingo, 20 de agosto de 2017

FEIRA DO CORDEL


EM SEU ÚLTIMO DIA, FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO HOMENAGEIA O CEGO ADERALDO

Em seu quarto dia, a II Feira do Cordel Brasileiro presta homenagem ao famoso CEGO ADERALDO (Aderaldo Ferreira de Araújo), relembrando os 50 anos de sua morte.
(Crato - 24 de junho de 1878 + Fortaleza  - 29 de junho de 1967)
No dia 29 de julho de 2017, completaram-se 50 anos do desaparecimento daquele que é considerado um dos mais importantes poetas populares nordestinos, Aderaldo Ferreira de Araújo - o famoso Cego Aderaldo. Nascido no Crato (CE), ele veio morar muito jovem na cidade de Quixadá (CE), depois de ficar órfão de pai, empregando-se na estrada de ferro. Cegou aos 18 anos. Trabalhava abastecendo uma caldeira quando tomou um copo de água fria e os olhos estalaram imediatamente, fazendo com que perdesse a visão pelo resto da vida. Comprou então o seu primeiro instrumento e descobriu que sabia fazer versos. Achava humilhante ter que pedir esmolas por isso exerceu diversas profissões: além de cantador foi comerciante e exibia filmes num cinematógrafo lhe presenteado por Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo.


Livro de Cláudio Portela, sobre o Cego Aderaldo


20 de agosto (Domingo)
Teatro
14h – Palestra “Cego Aderaldo, o trovador do Nordeste”
Exibição do Filme Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito – Classificação: Livre
Palestrantes: Rosemberg Cariry (Fortaleza/CE), João Eudes Costa (Quixadá/CE) e Arievaldo Viana (Caucaia/CE)
           Mediação: Poeta Orlando Queiroz (Quixadá/CE)

Palco Cego Aderaldo
16h – Chico Pedrosa (Olinda-PE) e Antônio Francisco (Mossoró/RN)
16h30min – Forró pé-de-serra: Kutuka a Burra (Fortaleza/CE)
17h – Canções de Viola: Antônio Jocélio (Fortaleza/CE)
17h30min – Marcus Lucenna (RJ) e Cacimba de Aluá (Fortaleza/CE)
18h30min – Show de Encerramento: Mestre Bule-Bule (Camaçari/BA)



EXPOSITORES:

1.    ABLC (Rio de Janeiro/RJ)
2.    AESTROFE (Fortaleza/CE)
3.    Arievaldo Viana (Sertão Central/CE)
4.    CECORDEL (Fortaleza/CE)
5.    Chico Pedrosa (Olinda/PE)
6.    Cordelaria Flor da Serra (Fortaleza/CE)
7.    Edições Patabego (Tauá/CE)
8.    Editora Coqueiro (Olinda/PE)
9.    Eduardo Macedo (Fortaleza/CE)
10.  Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE)
11.  Francisco Melchiades (Fortaleza/CE)
12.  Francorli (Juazeiro do Norte/CE)
13.  Geraldo Amâncio (Fortaleza/CE)
14.  Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)
15.  João Pedro do Juazeiro (Fortaleza/CE)
16.  José Lourenço (Juazeiro do Norte/CE)
17.  Jotabê (Fortaleza/CE)
18.  Lucarocas (Fortaleza/CE)
19.  Nonato Araújo (Fortaleza/CE)
20.  Olegário Alfredo (Belo Horizonte/MG)
21.  Regina Drozina (Guararema/SP)
22.  Ricardo Evangelista (Belo Horizonte/MG)
23.  Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE)
24.  Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)
25.  Valentina Monteiro (Campina Grande/PB)
26.  Tupynanquim Editora (Fortaleza/CE)

Serviço:
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema
Data: De 17 a 20 de agosto de 2017
Horários: Quinta a sábado: 14 às 20h | Domingo: 14 às 19h
Classificação indicativa: Livre
GRATUITO

Atendimento à imprensa:
Helena Félix – (085) 99993-4920 / pontualcomunicacao@gmail.com e
Kiko Bloc-Boris – (085) 98892-1195 / kikobb@gmail.com

Assessoria de Imprensa da CAIXA Cultural Fortaleza (CE):
Bebel Medal – (85) 99934-0866
bebelmedal@gmail.com
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quinta-feira, 17 de agosto de 2017

JÁ COMEÇOU!


Biblioteca de Cordel "Mala de Romances", uma das novidades 
da II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO.


A festa do cordel

Expoentes da literatura popular participam de feira na Caixa Cultural Fortaleza, com programação gratuita que vai de hoje a domingo (20)

por Roberta Souza - Repórter

A literatura de cordel e outras manifestações artísticas tipicamente nordestinas ganham, a partir de hoje (17), quatro dias para intensa expressão na Caixa Cultural Fortaleza. O cenário contempla logo mais, a partir das 14h, a II Feira do Cordel Brasileiro, com uma programação de shows, oficinas, palestras, lançamentos literários, exibição de documentário, além de exposição e venda de folhetos e outros artigos que dão conta dessa linguagem.

Entre as atrações convidadas estão os músicos-cordelistas Jorge Mello, parceiro musical de Belchior; o cordelista, repentista e sambador Mestre Bule-Bule; o Mestre Valdeck de Garanhuns, bonequeiro, cordelista, repentista e xilogravador; a médica, cantora e cordelista Paola Torres; os grupos Tempo de Brincar; o jovem Rafael Brito e a Rabecaria; dos forrós Kutuca a Burra e Cacimba de Aluá.

O show de repente pela dupla Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre, além de muitas declamações pelos cordelistas Chico Pedrosa, Antônio Francisco, Evaristo Geraldo, Lucarocas, Paulo de Tarso, Raul Poeta, Arievaldo Vianna e Tiago Monteiro são outros destaques da programação, cuja curadoria foi realizada por Klévisson Viana. Também curador na Praça do Cordel presente na Bienal do Livro do Ceará, ele reconhece a importância desta para a realização da feira.

"Foi o 'know-how' ao longo de uma década trabalhando com a Bienal que nos deu condições de realizar a Feira do Cordel, inicialmente pensada pequena, mas que já começou grande", observa Klévisson. A primeira edição na Caixa Cultural aconteceu em abril passado, mas antes tinha sido organizada uma também no Dragão do Mar. A contagem de edições pela organização, no entanto, começa a levar em consideração o evento de 2016, e pretende-se dar continuidade pelos próximos anos. "A parceria tem dado super certo", salienta o curador da Feira.

Realizada a partir de uma iniciativa da Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (Aestrofe), com patrocínio da Caixa Econômica Federal e Governo Federal, e apoio cultural da Tupynanquim Editora, Cariri Filmes, Editora Imeph, Programa A Hora do Rei do Baião e Premius Editora, a Feira do Cordel é também uma ação de resistência em tempos de crise. "Seria impossível fazer esse evento somente com dinheiro. Contamos com know-how, amizades e credibilidade para ela acontecer, mas o orçamento deveria ser três vezes maior do que os 120 mil que usamos", explica Klévisson Viana.


Arte: JÔ OLIVEIRA

Homenageados

Como de costume, alguns nomes serão homenageados pela Feira. Nessa edição, os escolhidos foram o repentista Cego Aderaldo (50 anos de morte), os cordelistas Gonçalo Ferreira (80 anos), Arievaldo Vianna (50 anos), o Mestre Bule-Bule (70 anos), Zé Maria de Fortaleza (60 anos de viola) e o cordelista e xilogravador Mestre José Costa Leite (90 anos de vida e 72 anos de arte).

Da Bahia, o Mestre Bule-Bule demonstra satisfação em vir pela segunda vez ao Ceará este ano, afinal ele também estava na programação da Bienal. A homenagem, um diferencial, foi recebida com entusiasmo e humildade. "É uma satisfação ser de um lugar tão distante - da Bahia ao Ceará são várias divisões de estado, núcleos de grandes poetas e cantadores e escritores - , e meu nome ser bem visto no meio de tantos valores de nobreza poética que tem aí. É uma honra, não tenho palavras no meu fraco vocabulário para descrever tamanha vantagem. Só agradecer a Deus, aos homens e mulheres de boas vontade que me deixam na frente de determinada função", valoriza o mestre.

LEIA A MATÉRIA COMPLETA NO CADERNO 3 DO DIÁRIO DO NORDESTE

Link: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/a-festa-do-cordel-1.1805485

NA PAREDE DA MEMÓRIA



A RURAL, O TOCA-FITAS, O TREM 

E O PICOLÉ DA MAGUARY



Dedicado ao escritor Bruno Paulino


A primeira vez que vi o trem foi no Quixeramobim, em 1971. Eu tinha uns três ou quatro anos e naquele momento meus pais visitavam o Acrísio da Tia dos Reis, que residia num casarão próximo à ponte metálica. Fizemos a viagem, de Ouro Preto a Quixeramobim, numa Rural Willys do meu tio Zé Adauto, novinha em folha, ouvindo as cantigas dos The Fevers num toca-fitas, verdadeiro luxo naquela época. Passamos pela Cacimba Nova, Ferros, Chapéu, Canafístula, e chegamos a Quixeramobim por volta de 8 horas da manhã, a tempo de assistir uma missa na Matriz de Santo Antônio. Depois é que saímos em visita aos parentes. Foi também a primeira vez que chupei um picolé. Menino matuto, nascido e criado no tempo da lamparina, eu não fazia a menor ideia do que fosse um doce gelado. O picolé, da marca Maguary Kibon, saiu “fumaçando” do congelador. Na primeira mordida tive a sensação de que o danado era quente e sacudi no meio do calçamento! Foi ainda a primeira vez que vi o Chico Doido, também apelidado de "Dinheirão", pois o maluco abordava as pessoas de forma ríspida e impertinente, pedindo um dinheirão! Um dinheirão, no seu entender, era uma cédula. Moeda era "dinheirinho".

Em dado momento saí da vista dos adultos e fui brincar na linha férrea. Naquele tempo os trens de passageiros ainda cruzavam os nossos sertões e a sua presença era um deslumbramento para os matutos que vinham lá dos cafundós. Quando a locomotiva apitou para dar a partida foi que meus pais perceberam a minha falta e me encontraram justamente nos trilhos, onde a máquina haveria de passar. Fui salvo pelo gongo, ou melhor, pelo apito do trem. Para falar a verdade, eu nem sabia o que era aquela fila de “casinhas” com rodas, cheias de cabeças nas janelas. Só quando a locomotiva se pôs em movimento é que percebi tratar-se de uma fila de carros atrelados, puxados por uma máquina barulhenta e fumegante, verdadeiro monstrengo que bufava em nossa direção, soltando apitos estridentes e colunas de fumaça pelo ar.



Passei então a ter um misto de medo e fascínio pelo trem, mas a primeira viagem só aconteceria bem depois, mais precisamente em janeiro de 1978, quando vim estudar em Maracanaú. Minha mãe precisava comprar meus livros e algumas peças do meu enxoval, já que dali em diante iria morar na casa alheia. Compramos os nossos bilhetes cedinho, na estação de Maracanaú, e fizemos um animado trajeto até a Estação Central, em Fortaleza, com várias paradas pelo caminho.  Eu só conhecia Fortaleza através de vagas informações de parentes ou referências colhidas em livros didáticos que davam como fundadores da capital alencarina o português Martins Soares Moreno e/ou o holandês Mathias Beck, o homem que ergueu o Forte Schoonenborch, no topo da colina Marajaitiba.

Foi um deslumbramento entrar em Fortaleza pela primeira vez numa manhã ensolarada, vendo tudo pela janela do trem. Mondubim, Parangaba e depois o Centro, com suas lojas imensas e movimento tão intenso como eu só havia visto parecido nos festejos de São Francisco, em Canindé.

Agarrei-me a mão de minha mãe com medo de me perder ou ser atropelado. Minhas primas, acostumadas com o trânsito de Fortaleza, sabiam o que era mão única. Eu, por prudência e desconfiança, só atravessava quando olhava para os dois lados. Aí foi a vez de visitar as lojas de departamento, subir e descer em escadas rolantes e namorar com os estojos de tinta guache, pincéis atômicos, réguas, compassos e outros materiais de desenho. Me deram um livro ilustrado com a história do Rei Midas, que li de um só fôlego assim que cheguei em casa.

Fiquei chateado porque não deu tempo ver o mar. Na verdade, a visita limitou-se ao centro da cidade. Praças da Estação, José de Alencar e do Ferreira, e as ruas principais do centro histórico. Curioso, como sempre fui, procurei guardar na memória alguns pontos de referência, para o caso de um dia precisar andar sozinho por ali. Meses depois vim na companhia do meu pai e falei novamente do desejo que tinha de ver o mar. Era uma manhã de domingo. O centro estava vazio e esquisito, as lojas fechadas, tudo bem diferente daquela vez anterior. Descemos ali em direção à Santa Casa de Misericórdia e das varandas do Passeio Público tive a primeira visão do Atlântico. Um despropósito, uma imensidão de água em movimento, despejando ondas na areia da praia. Verdadeiro alumbramento para um menino nascido e criado no sertão.

Entrar na água, nem pensar. Como sempre, eu andava de calça comprida e sapato. Nem meu pai estava a fim de prolongar aquele passeio. Foram somente uns quinze minutos de contemplação dos verdes mares bravios, mas foi amor à primeira vista. Ainda hoje me encanto diante do mar que banha a “Loura desposada do sol”. O “açudão do governo”, como ainda se diz pelo sertão. Deu até vontade perguntar na ocasião:


— Pai, onde é que fica a parede desse bichão?

Ao contrário da canção de Belchior, na parede da memória essa lembrança é o quadro mais legal.

(De "O LIVRO DAS CRÔNICAS - VOLUME II DE MEMÓRIAS - Arievaldo Vianna)

terça-feira, 8 de agosto de 2017

NA CAIXA CULTURAL

DEFINIDA A PROGRAMAÇÃO DA 
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO


Foto: Leonardo Costa


CAIXA CULTURAL FORTALEZA RECEBE A SEGUNDA EDIÇÃO DA FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

Com curadoria do cordelista e editor Klévisson Viana, evento reúne os principais expoentes da literatura popular em versão tipicamente nordestina




A CAIXA Cultural Fortaleza apresenta, de 17 a 20 de agosto de 2017, a II Feira do Cordel Brasileiro, que tem o objetivo de incentivar e promover a literatura popular e as manifestações artísticas tipicamente nordestinas. Com aproximadamente 30 expositores, o evento também pretende fomentar o encontro do público geral com os artistas, como forma de conhecer melhor a expressiva produção do melhor do cordel, da cantoria e da xilogravura nacional.



Com entrada gratuita, a Feira do Cordel Brasileiro reúne vários dos principais nomes da literatura de cordel no País, além de emboladores, cantadores de viola e da música regional. Entre as atrações estão os músicos-cordelistas Jorge Mello, parceiro de Belchior em aproximadamente 40 canções; o cordelista, repentista e sambador Mestre Bule-Bule; o Mestre Valdeck de Garanhuns, bonequeiro, cordelista, repentista e xilogravador; a médica, cantora e cordelista Paola Torres; os grupos Tempo de Brincar; o jovem Rafael Brito e a Rabecaria; dos forrós Kutuca a Burra e Cacimba de Aluá. O evento conta ainda com show de repente pela dupla Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre, além de muitas declamações pelos cordelistas Chico Pedrosa, Antônio Francisco, Klévisson Viana, Evaristo Geraldo, Lucarocas, Paulo de Tarso, Raul Poeta, Paiva Neves, Arievaldo Vianna e Tiago Monteiro.
A Feira vai promover palestras, lançamentos literários, a exibição do documentário “Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito”, de Rosemberg Cariry, como também a exposição e venda de folhetos de cordel, livro, camisetas e CDs. A curadoria é do cordelista e editor Klévisson Viana, vencedor do Prêmio Jabuti de Literatura (2015) com o livro "O Guarani em cordel" (Ed. Amarylis, baseado na obra de José de Alencar).
Além disso, os interessados poderão participar de oficinas de xilogravura e de cordel. As inscrições estarão abertas de 07 a 16 de agosto de 2017, por meio dos emails encenaproducoes@gmail.com e aestrofe@gmail.com ou pelo telefone. (85) 3023-3064. Cada oficina terá limite de 20 vagas.
Nessa edição, os homenageados serão o repentista Cego Aderaldo (50 anos de morte), os cordelistas Gonçalo Ferreira (80 anos), Arievaldo Vianna (50 anos), o Mestre Bule-Bule (70 anos), Zé Maria de Fortaleza (60 anos de viola) e o cordelista e xilogravador Mestre José Costa Leite (90 anos de vida e 72 anos de arte).


  
Manifestação literária

O Ceará se perpetua como o maior polo produtor de Literatura de Cordel desde os longínquos tempos da Tipografia São Francisco, em Juazeiro do Norte, posteriormente rebatizada de Lira Nordestina. A partir da década de 1990, essa produção se acentuou na capital do Estado, sobretudo após o surgimento de associações de poetas, trovadores e folheteiros, tais como o Centro Cultural dos Cordelistas do Nordeste (CECORDEL), a Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE), entre outras, além da consolidada casa editorial Tupynanquim Editora e da Cordelaria Flor da Serra.

Apesar do linguajar simples e informal, a literatura de cordel é, hoje, revista como importante manifestação literária, pois é compreendida como uma das nossas primeiras manifestações poéticas em língua portuguesa, tendo sua origem na produção oral trovadoresca. Neste sentido, a literatura de cordel vem sendo cada vez mais aceita e estudada pelas academias e já possui uma Academia Brasileira de Cordel, fundada em 07 de setembro de 1988 com sede no Rio de Janeiro.

A II Feira do Cordel Brasileiro é uma iniciativa é da AESTROFE (Associação de Escritores, Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará) com patrocínio da CAIXA Econômica Federal e Governo Federal com o apoio cultural da Tupynanquim Editora, Cariri Filmes, Editora Imeph, Programa A Hora do Rei do Baião e Premius Editora.

Sobre os homenageados



CEGO ADERALDO (Aderaldo Ferreira de Araújo) – 50 anos de morte (24 de junho de 1878 + 29 de junho de 1967)
No dia 29 de julho de 2017, completaram-se 50 anos do desaparecimento daquele que é considerado um dos mais importantes poetas populares nordestinos, Aderaldo Ferreira de Araújo - o famoso Cego Aderaldo. Nascido no Crato (CE), ele veio morar muito jovem na cidade de Quixadá (CE), depois de ficar órfão de pai, empregando-se na estrada de ferro. Cegou aos 18 anos. Trabalhava abastecendo uma caldeira quando tomou um copo de água fria e os olhos estalaram imediatamente, fazendo com que perdesse a visão pelo resto da vida. Comprou então o seu primeiro instrumento e descobriu que sabia fazer versos. Achava humilhante ter que pedir esmolas por isso exerceu diversas profissões: além de cantador foi comerciante e exibia filmes num cinematógrafo lhe presenteado por Ademar de Barros, ex-governador de São Paulo.



GONÇALO FERREIRA – 80 anos
Cearense da cidade de Ipu, o poeta, contista e ensaísta Gonçalo Ferreira da Silva nasceu no dia 20 de dezembro de 1937. Aos 14 anos transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde, em 1963, publicou pela Editora da Revista Rural Fluminense o primeiro livro: “Um resto de razão”, coletânea de contos regionais do Nordeste. Em 1978 iniciou sua produção de literatura em cordel, quando, ao realizar estudos sobre cultura popular na Fundação Casa de Rui Barbosa, conheceu o pesquisador Sebastião Nunes Batista e em companhia dele passou a frequentar a Feira de São Cristóvão. Muito exigente com a forma, tem estrofes primorosas em seus mais de 200 trabalhos já publicados. Também escreveu livros em prosa, como uma biografia romanceada do cangaceiro Lampião. É fundador e atual presidente da Academia Brasileira de Literatura de Cordel – ABLC, situada no bairro de Santa Tereza (RJ).


ARIEVALDO VIANNA (Arievaldo Vianna Lima) 50 anos
Nascido aos 18 de setembro de 1967 na fazenda Ouro Preto (Sertão Central do Ceará), o escritor Arievaldo Vianna foi criado à luz de lamparina, em contato permanente com as cacimbas dos saberes do povo nordestino. Foi alfabetizado em meados de 1970, graças ao valioso auxílio da Literatura de Cordel. Estreou na imprensa em 1982 no Jornal de Canindé e, logo em seguida, passou a publicar seus trabalhos no Caderno de Domingo do jornal O POVO, de Fortaleza. A partir dos anos 1980 vem publicando diversos folhetos, alguns em parceria com Gonzaga Vieira, Klévisson Viana, Pedro Paulo Paulino, Jota Batista e Sílvio Roberto Santos, entre as dezenas de livros com temática diversa e mais de 120 folhetos de cordel já publicados. É também xilogravador, chargista e ilustrador. Participou, ao lado de Dominguinhos, Assis Ângelo e Sinval Sá, de documentário da TV Câmara de Brasília sobre o Centenário de Luiz Gonzaga.



MESTRE BULE-BULE (Antônio Ribeiro da Conceição) – 70 anos
Um dos mestres da cultura popular nordestina mais renomados do Brasil, Antônio Ribeiro da Conceição, cujo nome artístico é Bule-Bule, nasceu em 22 de outubro de 1947 na cidade de Antônio Cardoso (BA), uma região onde as influências culturais do sertão e do recôncavo baiano se misturam e contribuíram decisivamente para o arcabouço artístico deste grande poeta. Figura emblemática da cultura popular, também é um excelente cordelista com mais de 100 títulos publicados; um exímio sambador e tiraneiro, além de forrozeiro de grande valor, tendo todas estas virtudes comprovadas nos oito discos e dois DVDs gravados em mais de 45 anos de carreira. Já dividiu o palco com renomadas figuras como Gilberto Gil, Beth Carvalho, Gabriel o Pensador e Tom Zé, em apresentações nos Estados Unidos, na Alemanha, Espanha e em Portugal. Em 2008, Bule Bule foi condecorado com a maior premiação brasileira para a Cultura, a Ordem do Mérito Cultural do Ministério da Cultura, e em 2017 foi um dos homenageados da XII Bienal Internacional do Livro do Ceará.



ZÉ MARIA DE FORTALEZA (José Maria do Nascimento) – 60 anos de viola
 Zé Maria de Fortaleza é o nome artístico de José Maria do Nascimento, nascido em Aracoiaba (CE) em 07 de agosto de 1945. É cantador, repentista, músico, ator e cordelista. Membro da Academia Brasileira da Literatura de Cordel (ABLC), cadeira nº 24, que tem como patrono o poeta Francisco Sales Areda. Vice-presidente da Academia Brasileira de Cordel (ABC), filiado à Ordem dos Músicos do Brasil, à União dos Compositores Cearenses (UCC), à Associação dos Cantadores do Nordeste (ACN), à Sociedade dos Amigos da Arte (SOAMA) e vice-presidente da Associação de Escritores Trovadores e Folheteiros do Estado do Ceará (AESTROFE). Também cursou Teoria Musical no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno e foi certificado nos cursos “Influência afro na cultura brasileira” e “História da música popular brasileira”.



JOSÉ COSTA LEITE – 90 anos

José Costa Leite nasceu em 27 de julho de 1927, em Sapé (Paraíba). Diz que nunca frequentou a escola tradicional, tendo aprendido a ler soletrando folhetos de cordel. Em 1938 muda-se com a família para Pernambuco, fixando residência em Condado, cidade aonde mora até hoje. Em 1947 começa a vender folhetos nas feiras do interior e, em 1949, publica os seus primeiros títulos: Eduardo e Alzira e Discussão de José Costa com Manuel Vicente. Verseja sobre praticamente todos os temas do cordel, escrevendo clássicos como A carta misteriosa do Padre Cícero Romão Batista, O dicionário do amor e Os dez mandamentos, o Pai Nosso e o Credo dos cachaceiros.
Suas xilogravuras ilustram inúmeros folhetos – tanto os seus, como os de outros poetas – e ganharam status de obra de arte a partir dos anos 1960, quando passaram a ser publicadas em álbuns e expostas em museus, no Brasil e no exterior. Em 2005, José Costa Leite foi o convidado especial de uma exposição realizada no Musée du Dessin et de l’Estampe Originale de Gravelines (França), aonde também fez ateliês de xilogravura.
Fonte: www.casaderuibarbosa.gov.br/cordel

Programação da II Feira do Cordel Brasileiro

17 de agosto (Quinta-feira)
Teatro
14h – Abertura Oficial da II Feira do Cordel Brasileiro – Recital dos Mestres
14h40min – “Bagunça dos Brinquedos” – Apresentação teatral com texto adaptado do cordel de Mariane Bigio e participação especial das crianças da cidade de Pio IX/PI

Palco Cego Aderaldo
15h – Forró de raiz: Cecília do Acordeom (Redenção/CE)
15h30min – Rafael Brito e a Rabecaria (Fortaleza/CE)
16h – Raul Poeta (Juazeiro do Norte/CE)
16h30min – Olegário Alfredo e Ricardo Evangelista (Belo Horizonte/MG)
17h – Tempo de Brincar (Sorocaba/SP)
18h – Geraldo Amâncio e Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)
19h – Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)

18 de agosto (Sexta-feira)
Teatro
14h – Palestra “Receitando Cordel”
Palestrantes: Paola Torres (Fortaleza/CE), Sávio Pinheiro (Várzea Alegre/CE) e Breno de Holanda (Fortaleza/CE)
         Mediador: Assis Almeida (Fortaleza/CE)

Sala de Ensaio
14h – Oficina de Xilogravura - Facilitador: Sergio Magalhães (Itapajé/CE) – para o público a partir de 14 anos
14h – Oficina de Xilogravura - Facilitador: João Pedro do Juazeiro (Fortaleza/CE) - para o público a partir de 14 anos

Palco Cego Aderaldo
16h – Recital: Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE), Lucarocas (Fortaleza/CE) e Arievaldo Viana (Caucaia/CE)
16h40 – Lançamentos da Cordelaria Flor da Serra com os poetas Arievaldo Vianna, Evaristo Geraldo da Silva, Auri Lopes, Marco Haurélio, Paiva Neves e Orlando Paiva.
17h – Declamação: Dideus Sales (Aracati/CE)
17h30min – Embolada: Marreco e convidado (Fortaleza/CE)
18h15min –“A grande peleja de Benedito com Guilherme Nobre” Mestre Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)
19h15min – Mestre Chico Pedrosa (Olinda/PE)

19 de agosto (Sábado)
Teatro
14h – Palestra “A Literatura de Cordel no panorama brasileiro”
Palestrantes: Jorge Melo (São Paulo/SP), Marco Haurélio (São Paulo/SP), Oswald Barroso (Fortaleza/CE)
Mediação: Eduardo Macedo (Fortaleza/CE)

Sala de Ensaio:
14h – Oficina de Cordel - Facilitador: Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE) - para o público a partir de 12 anos

Palco Cego Aderaldo:
15h – Recital: Antônio Francisco (Mossoró/RN)
16h – Tempo de Brincar (Sorocaba/SP)
17h – Declamação – Tiago Monteiro (Pocinhos/PB)
17h30min – Francine Maria (Ibiapina/CE)
18h – Show: Canto Cordel - Tião Simpatia (Fortaleza/CE)
18h50min – Eugênio Leandro (Limoeiro do Norte/CE)
19h10min – Mestre Bule-Bule (Camaçari/BA)

20 de agosto (Domingo)
Teatro
14h – Palestra “Cego Aderaldo, o trovador do Nordeste”
Exibição do Filme Cego Aderaldo – o Cantador  e o Mito – Classificação: Livre
Palestrantes: Rosemberg Cariry (Fortaleza/CE), João Eudes Costa (Quixadá/CE) e Arievaldo Viana (Caucaia/CE)
           Mediação: Poeta Orlando Queiroz (Quixadá/CE)

Palco Cego Aderaldo
16h – Chico Pedrosa (Olinda-PE) e Antônio Francisco (Mossoró/RN)
16h30min – Forró pé-de-serra: Kutuka a Burra (Fortaleza/CE)
17h – Canções de Viola: Antônio Jocélio (Fortaleza/CE)
17h30min – Marco Lucena (RJ) e Cacimba de Aluá (Fortaleza/CE)
18h30min – Show de Encerramento: Mestre Bule-Bule (Camaçari/BA)

EXPOSITORES:
1.    ABLC (Rio de Janeiro/RJ)
2.    AESTROFE (Fortaleza/CE)
3.    Arievaldo Viana (Caucaia/CE)
4.    CECORDEL (Fortaleza/CE)
5.    Chico Pedrosa (Olinda/PE)
6.    Cordelaria Flor da Serra (Fortaleza/CE)
7.    Edições Patabego (Tauá/CE)
8.    Editora Coqueiro (Olinda/PE)
9.    Eduardo Macedo (Fortaleza/CE)
10.  Evaristo Geraldo da Silva (Alto Santo/CE)
11.  Francisco Melchiades (Fortaleza/CE)
12.  Francorli (Juazeiro do Norte/CE)
13.  Geraldo Amâncio (Fortaleza/CE)
14.  Guilherme Nobre (Fortaleza/CE)
15.  João Pedro do Juazeiro (Fortaleza/CE)
16.  José Lourenço (Juazeiro do Norte/CE)
17.  Jotabê (Fortaleza/CE) 
18.  Lucarocas (Fortaleza/CE)
19.  Nonato Araújo (Fortaleza/CE)
20.  Olegário Alfredo (Belo Horizonte/MG)
21.  Regina Drozina (Guararema/SP)
22.  Ricardo Evangelista (Belo Horizonte/MG)
23.  Rouxinol do Rinaré (Fortaleza/CE)
24.  Valdeck de Garanhuns (Guararema/SP)
25.  Valentina Monteiro (Campina Grande/PB)
26.  Tupynanquim Editora (Fortaleza/CE)

Serviço:
II FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO
Local: CAIXA Cultural Fortaleza
Endereço: Av. Pessoa Anta, 287, Praia de Iracema

Data: De 17 a 20 de agosto de 2017
Horários: Quinta a sábado: 14 às 20h | Domingo: 14 às 19h
Classificação indicativa: Livre

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