segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

ZÉ PACHECO, UM MESTRE DO CORDEL

A chegada de Lampião no Inferno 
(adaptação de uma gravura de José Guadalupe Posada)


JOSÉ PACHECO DA ROCHA

Segundo Átila de Almeida e José Alves Sobrinho, em seu Dicionário Bio-Bibliográfico de Repentistas e Poetas de Bancada Volume 1, publicado em 1978 pela Editora Universitária de João Pessoa-PB, "José Pacheco da Rocha nasceu em 1890, em Porto Calvo (AL) e faleceu no dia 27 de abril de 1954, acidentado". Os autores não especificam as causas do acidente. As informações sobre a vida do grande poeta são escassas e cheias de controvérsia. Há quem afirme que ele era Pernambucano de Correntes. Segundo José Costa Leite, que o conheceu pessoalmente no final da década de 40, na feira de Itabaiana-PB, Pacheco era um camarada alegre, brincalhão e irreverente. Era acaboclado, de estatura mediana, e tinha um braço mais grosso que o outro. Gostava de trajar terno branco e promovia verdadeiros espetáculos recitando seus poemas nas feiras nordestinas. É autor de diversos clássicos da poesia popular como A chegada de Lampião no Inferno, A intriga do cachorro com o gato, A festa dos cachorros e A mãe do Calor-de-figo.
Os grandes poetas do presente e os pesquisadores que realmente entendem de Literatura de Cordel, consideram José Pacheco um dos grandes pilares da trindade máxima do cordel, ao lado de Leandro Gomes de Barros e José Camelo de Melo. Seu gênero preferido parece ter sido o gracejo, no qual nos deu verdadeiros clássicos. Escreveu também folhetos de outros gêneros, inclusive romances de grande repercussão, como “A princesa Rosamunda e a morte do gigante”.


Num folheto editado pelo próprio autor na década de 1940, encontra-se um AVISO na contracapa que fala de sua ligação com o editor João Martins de Athayde e dá como seu endereço residencial a Rua Primitivo de Miranda, em Vitória de Santo Antão, Pernambuco. Poetas que o conheceram, como José Alves Sobrinho e João Firmino Cabral informavam que nos últimos anos de sua vida abraçou desregradamente o alcoolismo, sendo encontrado constantemente bêbado pelas feiras.

JOSÉ PACHECO NO TEATRO – Na década de 1970 o folheto mais famoso de José Pacheco inspirou o dramaturgo Sílvio Fróes a montar uma peça teatral com o mesmo título: A chegada de Lampião no Inferno, contando no elenco com o lendário Madame Satã, a cantora Elba Ramalho e o compositor paraibano Vital Farias.



Elba Ramalho, com Madame Satã e o "Grupo Chegança" em "Lampião no Inferno"

Veio uma diaba moça
com a calçola de meia
puxou a vara da cerca
dizendo: a coisa está feia
hoje o negócio se dana!
E gritou: êta baiana
agora a ripa vadeia!

(José Pacheco)


Na antologia de Literatura de Cordel lançada pelo BNB e organizada pelo saudoso Ribamar Lopes verificam-se as seguiantes informações sobre José Pacheco:

Há controvérsia sobre o lugar de nascimento de José Pacheco. Para alguns, ele nasceu em Porto Calvo, Alagoas; há quem afirme ter sido o autor de A Chegada de Lampião no Inferno pernambucano de Correntes. A verdade é que José Pacheco, que teria nascido em 1890, faleceu em Maceió na década de 50, havendo quem informe a data de 27 de abril de 1954, como a do seu falecimento. Seu gênero preferido parece ter sido o gracejo, no qual nos deu verdadeiros clássicos. Escreveu também folhetos de outros gêneros.
(...)

José Pacheco foi poeta fecundo. De sua considerável obra, apresentamos apenas alguns títulos.



GRACEJO:

· A Intriga do Cachorro com o Gato

· As Palhaçadas de um Caboclo na Hora da Confissão

· A Propaganda de um Matuto com um Balaio de Maxixe

· A Chegada de Lampião no Inferno

· O Grande Debate de lampião com São Pedro

· A Festa dos Cachorros

· A mãe do Calor de Figo

OUTROS GÊNEROS:

· A Beata que viu Meu Padrinho Cícero Sexta-feira da Paixão

· Grinaura e Sebastião

· A Mulher no Lugar do Homem

· A Princesa Rosamunda ou a Morte do Gigante

· Os Prantos de Cacilda e a Vingança de Raul

· Peleja de um Embolador de coco com o Diabo

· Os sofrimentos de N. S. Jesus Cristo.


Por: Arievaldo Vianna