quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

BLOGS, OS NOVOS ALMANAQUES



O que são os blogs, senão verdadeiros almanaques de variedades? Vejamos por exemplo o caso deste MALA DE ROMANCES… São centenas de postagens tratando dos mais variados assuntos: música, política, artes gráficas, cultura popular nordestina, história, curiosidades, enfim, um verdadeiro balaio de informações, com um ótimo diferencial que é a qualidade e bom humor com que cada assunto é tratado.


Almanaque O JUÍZO DO ANO, de Manoel Caboclo e Silva


Os ALMANAQUES POPULARES 
e a LITERATURA DE CORDEL

Essa ligação da Literatura de Cordel com os almanaques é muito antiga… Na primeira metade do século passado já circulava em todo o Nordeste o famoso ALMANAQUE DE PERNAMBUCO, do poeta e editor João Ferreira de Lima, que era um verdadeiro livro de cabeceira dos matutos de outrora. Basicamente eram informações sobre a quadra invernosa, os melhores dias para o plantio, receitas caseiras, plantas medicinais, astrologia, tábua das marés e curiosidades. A matriz parece ter sido o famoso LUNÁRIO PERPÉTUO que, segundo Câmara Cascudo, era uma das leituras prediletas do povo nordestino no século XIX, exercendo grande influência sobre os cantadores e poetas populares que exerciam o ofício de “cantar Ciência”, modalidade muito apreciada nos primórdios da cantoria.
No seu rastro surgiram outros almanaques similares, escritos e editados por poetas populares, como é o caso de Costa Leite, Vicente Vitorino de Melo e Manoel Caboclo e Silva. Destes, o único que ainda se encontra em atividade é Costa Leite, editando seu vetusto almanaque pela Editora Coqueiro.



O QUE É ALMANAQUE?


almanaque

substantivo masculino
  1. 1.
    calendário com os dias e os meses do ano, os feriados, as luas, as festas etc.; folhinha.
  2. 2.
    folheto ou livro que, além do calendário do ano, traz diversas indicações úteis, poesias, trechos literários, anedotas, curiosidades etc.




O criador da palavra foi o filósofo e frei franciscano, Roger Bacon. Também conhecido como Doutor Mirabilis, que significa professor maravilhoso. Este Bacon foi homem da ciência e da fé, um luminar das falsas trevas da Idade Média. A palavra Almanac ou Almanach foi usada para designar textos relativos à astrologia e aos eventos ligados à passagem do tempo. Vem daí uma das fontes para o nome: al manak que significaria “a conta”, ou seja, a contagem dos dias, como um calendário. Mas não seria a única possibilidade: será que o nome não teria origem do pedaço de madeiro onde era traçado o curso lunar (al managht), ou a união de duas palavras egípcias (al + men, que seria cálculo + memória)? Mais ainda, em saxão al-monac seria uma variação de al-mooned (que significaria todas as luas). Existem ainda aqueles que admitem a palavra árabe “Manah”, uma variação encontrada na península espanhola, como sendo a fonte, e cujo possível significado seja calendário. E se olharmos em um dicionário, encontraremos a palavra “al-manakh”, que significa clima. Ainda assim, dois dicionários com o título de Dicionário etimológico da Língua portuguesa, mas de autores diferentes, identificam a palavra como tendo origem árabe, mas significando: lugar onde o camelo se ajoelha. Indicando os locais onde os camelos e os viajantes repousariam e trocariam informações. O grande problema é que qualquer que seja o significado, a palavra Almanaque não é encontrada em textos árabes, o que fez alguns linguistas sugerirem que Bacon inventou um neologismo, relacionando-o com árabe por meio do “al” por que no meio filosófico medieval, assuntos relacionados à astrologia e a matemática adquiriam status ao serem relacionados ao árabe, da mesma forma que a retórica é ainda muitas vezes relacionada com o latim.

Em Portugal, o primeiro almanaque foi publicado em 1496, em Leiria, por Abraão Zacuto e foi batizado de Almanach Perpetuum. Os almanaques foram se tornando cada vez mais populares, na medida na qual a ciência tornava-se mais exigente. Mesmo que Benjamin Franklin tenha editado seu próprio almanaque, quando chegamos ao século XX, o conteúdo havia se tornado mais e mais abrangente, apresentando curiosidades, com leitura simples e rápida. Não é tão importante a precisão acadêmica, é mais importante a forma de apresentar a curiosidade, portanto, o lugar onde o camelo se ajoelha é bem mais interessante que folhinha do tempo.

(Fonte: http://www.aletria.com.br/)



PHILOSOPHIA DE ALMANAQUE

Qualquer construção começa no chão...

• Pretensão e água benta, cada um tem quanto quer
• Preguiça não vai a missa
• Prece de pobre é pedido. Prece de rico é recibo
• Pra quem tem cavalo esperto, toda lonjura é perto
• Praga de urubu não mata cavalo velho
• Pra barriga cheia toda goiaba tem bicho
• Pequenos riachos formam grandes rios
• Pense rápido, fale devagar
• Passarinho que anda com morcego acaba dormindo de ponta-cabeça
• Parar é morrer
• O tempo é o senhor da razão
• O tambor é barulhento, mas por dentro só tem vento
• O que urubu não conhece não come
• O que o berço dá, a tumba leva
• O que é moda não incomoda
• O prometido é devido
• O pouco basta. O muito se gasta
• O pé do dono aduba o terreno
• O fácil de contentar tem menos para chorar.