segunda-feira, 13 de junho de 2016

SANTO ANTÔNIO

NA LITERATURA DE CORDEL





Hoje, dia 13 de junho, dia consagrado a Santo Antônio, resolvemos resgatar mais um cordel onde o Taumaturgo Português aparece como personagem central. Este folheto, atribuído a João Martins de Athayde, nesta edição cuja capa está retratada acima, vem a ser, na verdade de Antônio Ferreira da Cruz conforme atesta Leonardo Mota* e outros pesquisadores mais antigos. A obra do poeta Antônio da Cruz está praticamente esquecida porque muitos de seus folhetos foram publicados em Guarabira-PB, por Pedro Baptista e tiveram somente uma única edição. Daí que pouco se sabe sobre este vate sertanejo e menos ainda sobre a sua obra. É mais que oportuno o resgate desse folheto que apesar do sabor de ingenuidade, próprio do catolicismo arcaico do sertão nordestino, traz uma mensagem positiva no final.

Amava a sua mulher
E muito bem lhe queria
Principalmente ao filho
Que beijava todo dia
Também estimava muito
Um ‘quartau’ que possuía.

Amava sua mulher
E a seu filhinho inocente
E também a seu cavalo
Por achar muito decente
Pediu a Deus que seus trastes
Ficassem para semente.

Um dia estava dormindo
Quando despertou em sonho
Então uma voz lhe disse:
- Não é arte do demônio
Pra seus trastes não morrerem
Vai adorar Santo Antonio.

(...)

Quando foi no outro dia
Fizeram invocação
Trazendo aquele santo
Contrito no coração
Daquele dia em diante
Começaram a devoação.

Adoravam a Santo Antônio
Com toda força que tinha
Rezavam o padre-nosso
Também a Salve Rainha
Com muita jaculatória
Rezavam a ladainha.

Um dia estava dormindo
Acordou sobressaltado
Quando chegou na cocheira
Tava o cavalo laçado
Com a corda no pescoço
Tinha morrido enforcado.

Ele acordou a mulher
Lhe disse o que se passou
- Senhora, neste flagrante
Meu cavalo se enforcou
Pelo jeito que estou vendo
Santo Antônio me enganou.