sábado, 24 de março de 2018

ANIVERSÁRIO DO MEU PADIM


PADRE CÍCERO, O SANTO DO POVO


Hoje o grande Cícero completa 174 anos de vida pois ele vive na memória do Nordeste, ele pode ser visto na cidade que ele criou na região que ele ajudou a ser uma das que mais crescem no país. Um homem inteligente, à frente do seu tempo. Cícero Romão Batista (Crato, 24 de março de 1844 — Juazeiro do Norte, 20 de julho de 1934) foi um sacerdote católico brasileiro. Na devoção popular, é conhecido como Padre Cícero ou Padim Ciço. Carismático, obteve grande prestígio e influência sobre a vida social, política e religiosa do Ceará bem como do Nordeste.
Publiquei, pelas Edições Demócrito Rocha, o livro “Padre Cícero: O Santo do povo”, que recebeu o selo altamente recomendável da FNLIJ e figurou num catálogo internacional da Feira de Bolonha, Itália.



TRECHOS DA OBRA

Eu vou narrar a história
De um grande brasileiro
Um cearense de fibra
Com fama de milagreiro
Patriarca do sertão
Padre Cícero Romão
O santo de Juazeiro.

É o pastor do romeiro
Nesse sertão nordestino
Conduzir as multidões
Na terra foi seu destino
Sempre mostrou vocação
Já gostava de oração
No seu tempo de menino.

(...)

Com grande facilidade
Atraía as multidões
Que vinham diariamente
Dos mais longínquos rincões
Alguns traziam presentes
Outros traziam doentes
Para escutar seus sermões.

Terminadas as orações
O padre distribuía
Com pobres e maltrapilhos
Parte do que recebia
Praticando a caridade
A sua amada cidade
Rapidamente crescia.

(...)

Embora não seja santo
Perante a Cúria Romana,
O povo diz que ele é,
E seu poder inda emana.
Pois não é ditado novo:
Dizem que a voz do povo
É de Deus e não se engana.

Romeiros chegam a pé
De carro ou de avião
No túmulo do Padre Cícero
Fazem a sua oração
Visitam seu monumento
Pedindo a todo momento
Sua bênção e proteção.

Padre Cícero, foi sem dúvida, um homem à frente do seu tempo quando ninguém se preocupava com o meio ambiente, o Padre, já dava conselhos ao sertanejo para conviver em harmonia com a natureza, preservando a fauna, a flora e o solo. O Padre-conselheiro também orientava o povo no trabalho e na vida. Juazeiro do Norte, a cidade que ele ajudou a construir, é hoje um dos grandes centros de romaria do Brasil, recebendo todos os anos milhares de fiéis que vêm homenagear o Padre, considerado santo pelo povo nordestino.


José Oswaldo ladeado pelas irmãs Maria do Socorro e Heliodória


PADIM CIÇO, SEM FUTURO?

Há bem poucos dias meu tio José Oswaldo completou 80 anos de idade. Continua lúcido e na ativa, apesar de ter quase perdido a visão. Tio Zizó, como o chamam a maioria dos sobrinhos, é baixinho, disposto e macho que só preá de balseiro. Vovô costumava dizer a respeito do seu primogênito:
— Aquele é inteirado. É homem sobrando. O que tem de pequeno tem de disposto. É macho nos quatro aceiros!
E, realmente, quando criança, eu ficava impressionado quando via o meu tio saindo da capoeira, calçado num par de galochas, com um facão na cintura e um feixe de capim na cabeça que era o dobro do seu tamanho. Quando os filhos – 10 ao todo –, chegaram à idade escolar mudou-se com a prole para Canindé, onde montou um bar e depois uma mercearia.
Certa feita foi com a família ao Juazeiro do Norte e por lá adquiriu uma imagem do Padre Cícero, de mais um menos 50 centímetros de altura, com a batina e o chapéu de um preto vivo e brilhante, tendo de branco apenas o rosto e as mãos, e a colocou na prateleira mais alta de sua bodega.
Certa feita um crente chegou-se ao pé do balcão e começou a desfazer do sacerdote. Primeiramente se fez de ingênuo e perguntou:
— Seu Zé, aquilo acolá, em riba da última prateleira, é uma garrafa de Coca-Cola?
— Largue de ser besta! Você não está vendo que é um Padre Cícero? — Respondeu o meu tio, já perdendo as estribeiras... O crente poderia ter se calado com essa, mas foi adiante. E balançando a cabeça, num ar de desalento acrescentou:
— Padim Ciço! Sem futuro...
Titio pulou o balcão num piscar de olhos, sem triscar os pés, agarrou o evangélico pelas bitacas e gritou furioso:
— Sem futuro o quê, seu corno. Sem futuro é a pobre de uma mãe que passa nove meses com uma fela-da-gaita como você na barriga! Vá passando, se não quiser levar uns tabefes agora mesmo!
    Nem é preciso dizer que o crente se escafedeu no ato e saiu vendendo azeite às canadas. Vai, bichão, falar mal do Padre Cícero perto de um devoto.

(De “O livro das Crônicas”)