terça-feira, 10 de junho de 2014

ORAÇÕES DE SANTO ANTÔNIO


JACULATÓRIAS DE SANTO ANTÔNIO

Quando criança eu via a minha avó Alzira, devota fervorosa de Santo Antônio de Pádua, rezar sua Trezena todos os anos, no período de 01 a 13 de junho. O que eu mais gostava era de ouvir o RESPONSO DE SANTO ANTÔNIO e as JACULATÓRIAS, ambas compostas em quadras, em redondinha maior (versos de sete sílabas), o que lembrava-me sempre os folhetos e romances de cordel que ela lia após o jantar.

A seguir, algumas quadras extraídas do ESCUDO ADMIRÁVEL, livreto de orações impresso em Portugal, que pertenceu ao meu bisavô Fitico e depois passou para minha avó:

Ó angélico Santo Antônio
Com Deus-Menino nos braços
Fazei com que Ele me prenda
Com seus amorosos laços.

Ó angélico Santo Antônio
Espelho de castidade
Conserve meu coração
Livre de toda maldade.

Ó angélico Santo Antônio
Em milagres portentoso
Pedi a Deus que me dê
Um coração fervoroso.

Ó angélico Santo Antônio
Dai-me a vossa proteção
Na terra guiai meus passos
Pra lograr a salvação.

Ó angélico Santo Antônio
Que deparais o perdido
Alcançai-me uma dor grande
De ter a Deus ofendido.

Ó angélico Santo Antônio
Se vossa língua é bendita
Fazei que vossa doutrina
Na minh’alma esteja escrita.

Ó angélico Santo Antônio
Se os inocentes livrais
Livrai-me de cometer
Horrendas culpas mortais.

Ó angélico Santo Antônio
Esplendor de Portugal,
Valei-me e acompanhai-me,
Que sou vosso natural.



* * *

O poeta Marco Haurélio, através do blog CORDEL ATEMPORAL, publicou também uma oração de Santo Antônio recolhida no interior da Bahia, que fala do milagre em que ele encontrando-se em Pádua (Itália), conseguiu se transportar até Lisboa (Portugal), em fração de segundos, para livrar o pai da forca:

SANTO ANTÔNIO

Socorre, Antônio, socorre,
Depressa, incontinenti,
Vai livrar seu pai da forca,
Que vai morrer inocente.

— Você fica aqui em Pádua,
Que eu vou lá em Portugal.
Vou livrar meu pai da forca,
Que sem culpa vai pagar.

Tenha, moço, a justiça,
Daí não consiga mais
E olhe que não é esse
O homem que vós pensais.

Veja que não sou Justino
Nem também falando torto.
Vim aqui justificar
Pela boca de um morto.

Te alevanta, corpo morto,
Vem aqui justificar
Se esse homem te matou
Ou sem culpa vai pagar.

— Esse homem não me matou
Nem por mim ele pecou.
Na hora da minha morte,
Mas ante’ ele me ajudou.

— Ô meu padre Santo Antônio,
Vossa glória é de reis.
Sei que é o padre santo Antônio,
Vencedor de todas leis.

Ô meu padre santo Antônio,
Me diga onde foi morar.
Embora eu não lhe conheça,
Mas mando lhe visitar.

— Oh meu pai, eu sinto muito
De você desconhecido.
Eu sendo seu filho Antônio,
Que de vós eu fui nascido.

Eu me chamava Fernando,
Mudei meu nome pra Antônio
Pra livrar as criaturas
Da tentação do demônio.

Eu de vós não quero nada,
Só quero a vossa benção.
Que eu para a Itália
Terminar o meu sermão.

Nota: Santo Antônio de Pádua (ou de Lisboa), o grande taumaturgo, ainda em vida foi considerado santo. O milagre citado no bendito acima, como se pode perceber, deu origem à expressão "tirar o pai da forca".

Fonte: Seu Heliodoro (Dorão), já falecido.
Serra do Ramalho, Bahia.