terça-feira, 1 de agosto de 2017

SERTÃO DESMANTELADO...



...E NUVENS DE ALGODÃO DOCE

João Miguel subiu na cisterna, posou para foto, estirou o dedinho e perguntou:
- Pai, que planta bonita é aquela?
- É algodão, meu filho. Ouro branco que fazia nosso povo feliz...
- Algodão doce?
- Não... Algodão de fibra, para fazer roupas, meias...
- Ah, sim. É o algodão do Luiz Gonzaga?! (O menino gosta do Gonzagão, pois estou sempre escutando suas canções. E Algodão é uma das minhas preferidas).
Durante esse fim de semana, vimos diversos pés de algodão, mocó e verdão, carregados de plumas branquinhas nas margens da BR 020 e também da estrada que liga Macaóca a Itatira. Por conta disso, eu quis lembrar dos meus tempos de menino, quando passava férias escolares no Ouro Preto e ganhava uns trocados apanhando algodão nas capoeiras de meu avô. Às vezes vovô Mané Lima me dava uma "cata" para apanhar de meia e isso me rendia um bom numerário.
À falta de um bornal, peguei um balde de plástico, desses de 20 litros, e resolvi apanhar o algodão. Um formigueiro assanhado quase me devora os pés, mas eu não esmoreci. Apanhei uns três quilos ou mais com a intenção de retirar os caroços para uma planta futura.
Dois "sertanejos" passaram numa moto e eu me fiz de desentendido. Olhei para os cabras e perguntei:
- Vocês sabem me dizer que planta é essa?
Um deles, de brinco na orelha, boné atolado na cabeça e camiseta do Aviões do Forró coçou a cabeça e disse...
- Eu acho que isso aí é COTTON.
- Cotton?
- É! É cotton, que antigamente a galera chamava de algodão, tá ligado?
- Ah, está bem. E por que vocês não apanham esse algodão?
Os caras se entreolharam, aceleraram a moto e saíram sorrindo.
Pensei com meus botões...
- Acho que não apanham o COTTON com medo que caiam as HANDS.