terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

A MAÇÃ



O "FRUTO PROIBIDO" 
DE HUMBERTO DE CAMPOS

Em 2011 foi lançado o livro A Maçã - Objeto de Desejo, da designer Aline Haluch. Trata-se de uma pesquisa de mestrado sobre a revista ilustrada editada por Humberto de Campos entre 1922 e 1928 – sob a ótica do design, fazendo uma análise gráfica e discutindo vários desdobramentos resultantes da pesquisa, como as mudanças de comportamento no início do século 20 e as representações da mulher. A revista tem um projeto gráfico arrojado e era uma publicação “galante” – destinada ao público masculino.
Segundo a autora, Humberto de Campos, já consagrado e membro da ABL, foi muito criticado pelos colegas mais conservadores por suas anedotas picantes publicadas na revista sob o pseudônimo de Conselheiro X.X.
A princípio, Humberto negava ser o Conselheiro e até publicava a foto de um velho de 71 anos de idade (o dobro da sua) como sendo do Conselheiro X.X. Depois essas anedotas foram reunidas em livros, gerando uma série de mais de 10 volumes, dentre os quais destacam-se: Grãos de Mostarda, Seara de Booz, Brasil Anedótico, A funda de Davi, Bacia de Pilatos, dentre outros. O Conselheiro chegou a ser chamado por Luís da Câmara Cascudo de “Boccacio decrépito, acendendo coivaras de volúpia no espírito sôfrego das mulheres”. Por artes dos pecados, depois da sua morte apareceu o IRMÃO X, suposto espírito de HC psicografado por Chico Xavier, que ainda hoje dá o que falar.
Recebi ontem o meu exemplar de A MAÇÃ – edição luxuosa, em papel couchê, capa dura e miolo colorido, editada pelo SENAC. Estou me deliciando com a leitura e, principalmente, com as capas da publicação, bem ousadas para os anos 20 do século passado. Em entrevista ao O GLOBO, a autora afirma o seguinte:
— O Humberto de Campos falava da mulher, das melindrosas, das prostitutas, de maneira positiva. Não tinha uma visão pejorativa dessas moças. Era algo engraçado, ridicularizava os homens, que muitas vezes se tornavam escravos delas. Não é o clichê do homem que ridicularizava a mulher. Campos invertia os papéis sociais e contava histórias, por exemplo, de mulheres jovens casadas com homens mais velhos, sendo que elas tinham amantes — diz Aline.

 Segundo Aline Haluch, A Maçã revolucionou as artes gráficas brasileiras

Essa capa, ousadíssima para a época (1922)
causou escândalo até na Academia de Letras