sexta-feira, 18 de março de 2016

EM SOUSA, PB



 

Estou retornando da cidade de Sousa, Paraíba, onde fiz um recital no Centro Cultural Banco do Nordeste intitulado “A Peleja de Zé Limeira com Zé Ramalho da Paraíba e Outras Histórias da Poesia Popular”, na Biblioteca do CCBNB. Agradeço a excelente acolhida do público e da equipe de profissionais que me recepcionou. 


AS AVENTURAS DO CANTOR DA BORBOREMA
 NO ABRIL DAS LETRAS

Breve voltaremos à Sousa a fim de realizar uma palestra sobre João Melchíades Ferreira da Silva, ex-combatente da Guerra de Canudos, possivelmente o primeiro poeta popular a escrever e publicar um folheto sobre Antônio Conselheiro e seus seguidores. Dentre o material pesquisado para essa palestra, estão alguns folhetos raríssimos de Melchíades localizados na Biblioteca da USP, no acervo que ficou conhecido como 'Fundos Villa-Lobos'. São eles: 'Os homens da Cordilheira' que fala de velhas figuras do Brejo Paraibano e da Serra da Borborema; e 'Melchíades escreve a Cícero Galvão sobre a açudagem no Seridó'. Esse Cícero Galvão, militar reformado, era bibliotecário da Biblioteca Nacional. De antemão registramos os nossos agradecimentos à dra. Elisabete Marin Ribas e a Lucas Pugliesi, da USP, pela gentileza de localizar e fotografar esses documentos.

No folheto 'Os homens da Cordilheira' Melchíades informa que era neto do Beato Antônio Simão, um seguidor do Padre Ibiapina, que curiosamente vestia-se como Antônio Conselheiro e tinha um modo de vida parecido. O neto, sargento do Exército Brasileiro, combateu em Canudos ao lado das tropas do Governo. O CCBNB vai homenagear, no ABRIL DAS LETRAS, Euclides da Cunha e revelar também outras visões sobre este importante acontecimento de nossa história. Vejamos algumas estrofes extraídas das páginas 19-20:

Tu vês aquela capela
Do Olho D’água de Fora
Bem na testa da montanha
Que Manoel da Silva mora? 
Dá uma história bonita
Que hás de saber agora.

Ali morava um beato
De nome Antônio Simão
Que vivia em penitência
Igual a um ermitão
Porque Padre Ibiapina
Deu-lhe esta obrigação.

Era proibido falar
No dia de sexta-feira,
Jejuava quarta e sexta,
Depois a quaresma inteira
Ensinava a doutrina
Ao povo da Cordilheira.

Trajava um manto azul
Camisola de algodão
E não usava chapéu
Só vivia de oração,
Às quatro da madrugada

Já estava em devoção.
(...)

(In Os homens da Cordilheira - FVL, 12.)


UM MONUMENTO HISTÓRICO

Igreja do Rosário dos Pretos - Sousa, PB

Igreja do Rosário. Em seu frontispício está afixada uma placa, meio desbotada, onde se lê o seguinte:
No dia 3 de outubro de 1924 pernoitou nesta cidade (Sousa-PB) Frei Joaquim do Amor Divino CANECA que, preso pelas ideias liberais que professava, registrou em seu diário a existência dessa igreja (Igreja do Rosário dos Pretos) e desta praça. (Memória da Fundação Cultural do Estado da Paraíba).