sábado, 23 de janeiro de 2016

CORDEL NA FEIRA DE BOLONHA



O livro VOZES DO SERTÃO, da editora Cortez, que reúne contos e poemas, organizado por Lenice Gomes, foi selecionado para o Catálogo da Feira do Livro de Bolonha, Itália, publicado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ). A obra inclui três textos em CORDEL, da autoria de Arievaldo Vianna, Arlene Holanda e José Walter Pires. O livro foi ilustrado por Rui de Oliveira, que está sendo homenageado no catálogo da FNLIJ.


VOZES DO SERTÃO
Cortez Editora
Organizador: Lenice Gomes
Ilustrador: Rui de Oliveira
ISBN: 9788524921605
Número de páginas: 100
Formato: 21.00 X 28.00
Peso: 1700 gramas

SINOPSE

Vozes do sertão viagem pela memória traduzida em palavras. São nove histórias, entre cordéis e contos, que fazem um passeio pelo sertão nordestino e também das Minas Gerais. "O sertão é o mundo", como diria Riobaldo, o jagunço sertanejo da Grande Sertão: Veredas, obra-prima de Guimarães Rosa. Um mundo cheio de histórias contadas e recontadas, com a força do sertanejo que enfrenta a vida e a morte e insiste em contemplar a beleza e o encantamento do mundo. O texto que abre a coletânea é o meu cordel O HOMEM QUE QUERIA ENGANAR A MORTE.

Trechos:

Diz um antigo provérbio
Que a morte ninguém desvia
Até mesmo Salomão
Com sua sabedoria
Quis mudar o seu destino
Mas o desígnio divino
Tal coisa não consentia.

Tentar mudar o destino
Que nos traça o Soberano
Mostrou-se, através dos tempos,
O mais lamentável engano
Todo homem, quando nasce
A Morte grava-lhe a face
Com a marca do desengano.

Ceifar da face da terra
Todo e qualquer ser vivente
É esta a sua missão
Imutável, permanente,
Tentar enganar a Morte
É pelejar contra a sorte
Numa luta inconseqüente.

Manter gelo no sol quente
Sem ter refrigerador
É querer guardar dinheiro
Depois que perde o valor;
Renegar o Evangelho,
Viajar num carro velho
Depois que bate o motor.

Num pequeno vilarejo
Encravado no agreste
Residia um potentado
O mais rico do Nordeste
Fazendeiro respeitado
Dono de ouro e de gado
Sovina que só a peste.

(...)