quarta-feira, 20 de agosto de 2014

LENDAS DO FOLCLORE BRASILEIRO



Agosto, mês do FOLCLORE, é grande o número de visitas no blog ACORDA CORDEL (www.acordacordel.blogspot.com.br), sobretudo de professores e estudantes querendo pesquisar sobre Lendas Brasileiras em Cordel. Eis aqui mais um trabalho que fiz em parceria com JÔ OLIVEIRA. O livreto LENDAS FOLCLÓRICAS EM CORDEL, onde narro em cordel as lendas da MÃE DO OURO, CURUPIRA, BOTO COR-DE-ROSA e A MULA SEM CABEÇA. O trabalho foi feito por encomenda dos CORREIOS que lançou quatro selos de Jô Oliveira referentes à essas lendas do povo brasileiro. A seguir, trechos da LENDA DO CURUPIRA:



A LENDA DO CURUPIRA EM CORDEL

Autor: Arievaldo Viana – Desenhos: Jô Oliveira




1 - A poesia é um dom

Que a musa divina inspira

É a pepita que ofusca

O cascalho da mentira

Peço ajuda ao universo

Para narrar, no meu verso,

A lenda do Curupira.


2 - Tem os cabelos vermelhos

Dentes de rara beleza

Verdes como a esmeralda

Luz de vagalume acesa

Não gosta de caçador

É o gênio protetor

Das coisas da Natureza.

3 - Diz a lenda que um índio

Um dia, por distração,

Adormeceu na floresta

E acordou de supetão

Na sua frente sorria

O Curupira e queria

Comer o seu coração.


4 - O caçador já matara

Ali alguns animais

Então concebeu um plano

Astucioso e sagaz

Um coração lhe arranjou

O Curupira provou

E sorriu, pedindo mais.


5 - Um coração de macaco

O caçador lhe entregou

O Curupira comeu

O coração e gostou,

O caçador respondeu:

- Agora me dê o seu;

Que o meu você devorou...


6 - O Curupira inocente

Agiu com todo respeito

Pediu a faca do índio

E cravou no próprio peito

Depois ficou estirado

E o caçador assombrado

Saiu depressa, sem jeito.


7 - Por muito tempo o tal índio

Não queria mais caçar

Por mais que os seus amigos

Viessem lhe convidar

Ele inventava desculpa

No peito trazia a culpa

Medo, tristeza e pesar.


8 - A filha do caçador

Pediu a ele um colar

O índio, pai devotado,

Resolveu ir procurar

Os dentes do Curupira

Brilhantes como safira

Para a filhinha enfeitar.


9 - Achou o crânio do gênio

E ali mesmo procurou

Bater com ele na pedra

Mas logo que o tocou

De uma maneira funesta

O espírito da floresta

Depressa ressuscitou.


10 - O Curupira entendeu

Que ele fosse o responsável

Por sua ressurreição

E de modo muito amável

Deu-lhe um arco pra caçada

E uma flecha encantada

De valor inestimável.



(...)