quarta-feira, 6 de março de 2019

05 de março de 2019


Ilustração: ARIEVALDO (Direitos Reservados)

CENTO E DEZ ANOS DE NASCIMENTO 
DO POETA DE ASSARÉ
Autor: Arievaldo Vianna



Patativa: CENTO E DEZ
ANOS DO CABRA DA PESTE,
Foi o bardo que cantou
O roceiro do Nordeste
Foi poeta e lavrador
Um caboclo lutador
Desde o sertão ao agreste.

Ceará, o nosso Estado,
Seguindo esse itinerário
Reconhece a sua luta
E seu valor literário
Seu sucesso é merecido
Jamais será esquecido
É jóia do meu sacrário.

No dia 5 de março,
Mil novecentos e nove,
Nasceu Antonio Gonçalves
Poeta que nos comove
Tenho tudo na memória
E vou contar sua história
Para que ninguém reprove.

Filho de pais lavradores
Lá em Assaré nasceu
No meio daquela gente
Nosso menestrel viveu
Transformando em poesia
As lutas do dia-a-dia,
Só parou quando morreu.

Deixou verdadeiras pérolas
Da poesia matuta
Como o belo “Ingém de ferro”
Cuja força absoluta
Venceu o “Ingém de pau”…
O mestre achou isso mau
Condenou a força bruta.

“Triste Partida” é a página
Do nosso cancioneiro
Que se tornou conhecida
Por este Brasil inteiro
Na voz de Luiz Gonzaga
Narrando a penosa saga
De quem parte sem roteiro.

Com “A morte de Nanã”
Patativa denuncia
O descaso dos políticos
E a grande tirania
Dos senhores abastados
Que tratam seus empregados
Com desprezo e soberbia.

Rolando Boldrin gravou
“Vaca Estrela e boi Fubá”
Onde o poeta matuto
Não nega o seu “naturá”
Quem a conhece, que diga:
É a mais bela cantiga
Nascida no Ceará!

“Cabôca dos zói redondo”
É outra canção gravada
Por nosso Téo Azevedo
Foi a mesma musicada,
O Chico Salles gravou
E em sua obra deixou
Essa pérola registrada.

Gereba então musicou
“A festa da natureza”
Na voz de Raimundo Fagner
Ficou mesmo uma beleza…
Para quem ama este chão
Ele cantou o sertão,
Cariri e Fortaleza!

O Patativa não foi
Propriamente um cordelista
A poesia matuta
Tem outro ponto de vista
A linguagem é diferente
Mesmo assim a gente sente
A grandeza desse artista.

Ele fez alguns cordéis
E fez sonetos também
Numa linguagem correta
(Que talvez passem de cem)
Lia Camões, Castro Alves,
Os poemas de Gonçalves
Por isso escrevia bem.

O seu linguajar matuto
Foi mesmo uma opção
Pois não era analfabeto…
Mas por amar seu torrão
E toda a classe matuta
Descreveu a sua luta
Com singular expressão.

Por essas e muitas outras
PATATIVA tem respaldo
Deixou uma bela obra
Onde o lirismo é o saldo
Nesse tempo e nesse espaço
Receba, pois, o abraço
Do poeta ARIEVALDO.


Xilogravura: ARIEVALDO VIANNA


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