quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

ENCANTOS DO SERTÃO


MEU SERTÃO É U'A PINTURA
NO TEMPO DA INVERNADA

Mote de LUIZ ADEMAR MUNIZ
Glosas de ARIEVALDO VIANNA
Pintura: Acrílica do pintor mineiro
WILSON VICENTE
www.wilsonvicentearte.blogspot.com.br


De antemão aviso que vai sair um livreto, com a participação de vários poetas, inclusive o autor do MOTE e a capa será uma belíssima xilogravura do potiguar Jefferson Campos.



TRINA O CARÃO NA FOLHAGEM
QUE O TOM VERDEJANTE ENSEJA
POIS A CHUVA BENFAZEJA
E A DOCE BRISA DA ARAGEM
REVERDECERAM A FORRAGEM
E A CAATINGA RESSECADA;
MUGIU O PAI DA COALHADA
AGRADECENDO A FARTURA
MEU SERTÃO É U’A PINTURA
NO TEMPO DA INVERNADA.


UM VELHO QUEIMA AS COIVARAS
SEGUINDO O MODELO ANTIGO
LEVA NA CUIA, CONSIGO,
SEMENTES PRETAS E CLARAS
VENDO A CHUVA NAS SEARAS
E O CANTO DA PASSARADA
SEGUE A TRADIÇÃO HERDADA
DE SEUS ANCESTRAIS E JURA:
MEU SERTÃO É U’A PINTURA
NO TEMPO DA INVERNADA.


PASSA UM MALANDRO DE MOTO
COM SEU BONÉ ATOLADO
OUVINDO UM FUNK PESADO
PORÉM EU OLHO E NEM NOTO...
O MEU QUADRO NÃO DESBOTO
POIS ISSO NÃO VALE NADA
CULTURA DESVIRTUADA
PARA MIM NÃO É CULTURA!
MEU SERTÃO É U’A PINTURA
NO TEMPO DA INVERNADA.




Xilogravura de Jefferson Campos



PASSA UMA CUNHÃ PEDANTE
QUE NUNCA PEGOU NUM POTE
TODA CHEIA DE FRICOTE
BEBENDO REFRIGERANTE
VAI NO INFERNO DE DANTE
E NÃO ESTRANHA A ZOADA
MAS SE OUVIR TROVOADA
GRITA: - LOCURA! LOUCURA!
MEU SERTÃO É U’A PINTURA
NO TEMPO DA INVERNADA.


A VELHINHA REZADEIRA
QUE NÃO ESTRANHA O INVERNO
REZA COM MEDO DO INFERNO
BOTA OS POTES NA BIQUEIRA
O MATUTO FAZ A FEIRA
COM A SAFRA ASSEGURADA
BOLSA-FAMÍLIA, QUE NADA,
ELE COME É TANAJURA
MEU SERTÃO É U’A PINTURA
NO TEMPO DA INVERNADA.


POIS QUEM NASCE NO SERTÃO
QUEM AO NORDESTE QUER BEM
NÃO SE IMPORTA COM NINGUÉM
QUE VIAJA NA ILUSÃO...
QUE ABANDONA O NOSSO CHÃO
NOSSA CULTURA SAGRADA
O CANTO DA PASSARADA
E A NOSSA LITERATURA;
MEU SERTÃO É U’A PINTURA
NO TEMPO DA INVERNADA.


(Arievaldo Vianna)



E aqui o poeta Luiz Ademar e o xilogravador potiguar