segunda-feira, 11 de julho de 2016

LANÇAMENTO!


UNIVERSAL LANÇA CAIXA COM A OBRA DE JACKSON DO PANDEIRO

Por Mauro Ferreira (blognotasmusicais.com.br)

Sete anos após Luiz Gonzaga (1912 - 1989) ter mostrado em outubro de 1946 como se dançava e fazia o baião, em gravação da música que compôs com o parceiro Humberto Teixeira (1916 - 1979), o cantor, compositor e ritmista paraibano José Gomes Filho (Alagoa Grande - PB, 31 de agosto de 1919 / Brasília - DF, 10 de julho de 1982) convidou a comadre Sebastiana para dançar e xaxar. O convite - feito em 1953 com o lançamento da gravação do então inédito coco Sebastiana (Rosil Cavalcanti) - foi o marco zero da obra fonográfica do artista que, naquela época, já tinha sido rebatizado no rádio como Jackson do Pandeiro. O Jack que foi tão brasileiro, como bem sabe Lenine. Um dos pilares da música da nação nordestina, esse José de Alagoa Grande (PB) - que foi muito mais do que um Zé da Paraíba - tem a parte mais relevante da obra fonográfica eternizada na caixa Jackson do Pandeiro - O rei do ritmo, lançada pela gravadora Universal Music neste mês de junho de 2016. Projeto idealizado por Alice Soares e concretizado com a produção executiva de Rodrigo Faour, autor do texto biográfico publicado no libreto da caixa, O rei do ritmo dá o devido valor à discografia de Jackson. 

Sua majestade O REI DO RITMO

Nada menos do que 235 fonogramas do artista estão condensados - devidamente remasterizados por Ricardo Garcia neste ano de 2016 - nos nove CDs da caixa, sendo que seis CDs são duplos. Estes discos oferecem a melhor amostra possível da arte de Jackson do Pandeiro, entronizado como o rei do ritmo pela habilidade de brincar com os tempos musicais, pela destreza no toque do instrumento acoplado ao nome artístico e pela divisão singular com que repartia cocos, rojões, emboladas, baiões, frevos e sambas. A caixa agrupa fonogramas gravados por Jackson de 1953 - ano em que o artista foi lançado no mercado fonográfico com o disco de 78 rotações por minuto que, além de Sebastiana, apresentou Forró em Limoeiro (Edgar Ferreira, 1953) - até 1981, ano do derradeiro álbum, Isso é que é forró! (Polydor, 1981). A propósito, a caixa embala reedições em CD somente de dois álbuns originais. Além de Isso é que é forró!, há também a reedição de Aqui tô eu, Jackson (Philips, 1970), álbum gravado pelo artista em período em que começava a superar período de ostracismo vivido na segunda metade da década de 1960 (a fase de 1966 a 1969 está coberta pela complementar caixa lançada em 2014 pelo Selo Discobertas). Contudo, o fato de trazer somente dois álbuns originais jamais desmerece o valor da caixa da Universal Music.