quarta-feira, 13 de junho de 2018

ENCONTRO DE POETAS



Gustavo Luz e a poesia na sombra
Visita de Bruno Paulino ao país de Mossoró-RN

Estive em Mossoró-RN, e depois de visitar alguns pontos históricos pela manhã fui num sebo do centro da cidade, o Resebo, comprar livros sobre o Cangaço e Lampião, e lá me deparei com o novo trabalho do Arievaldo Vianna, No tempo da Lamparina, e aí que liguei para o poeta e conversa vai conversa vem e ele disse que estando na cidade tinha que ir conhecer seu amigo, o editor Gustavo Luz.
E no fim de tarde depois de outras visitas no centro histórico encontrei com poeta mossoroense criador e chefe da editora Queima-Bucha, que tem fomentado sobretudo a literatura de cordel no Nordeste e em estados do sul como São Paulo.

Gustavo Luz é um sujeito tranquilo e de conversa agradável, um típico poeta, manso e cordato; resistente como todo mundo na cidade da chuva de bala, dos valentes que botaram o cangaceiro Lampião e seu bando pra correr; e desde 1983 que ele se aventura no mundo dos versos quando estreou com o livro: Chuvas de Palavras.
O vate, grande amigo de Arievaldo Vianna, logo me presenteou com seu último livro O Poeta na Sombra (2013), que trata-se de uma brochura com poucas páginas, mas que não significa obra menor, afinal, como dizem: são nos pequenos frascos que se guardam as melhores essências.
E os versos simples e laborados de Gustavo Luz contém a essência das coisas: "na sombra/na poesia/no mar/ e no sertão".


E é caminhando nas sombras, como um flâneur nos "arredores da cidade" que o poeta vislumbra os acontecimentos e filtra imagens para o seu artesanato verbal, cheio de sinfonia e ritmo fazendo do livro todo uma verdadeira viagem de saudades, memória e afetos nos caminhos da poesia.
E assim sendo, Gustavo Luz é um poeta-cronista do hoje, do ontem e do sempre.
Por fim, comprei ainda da edições Queima-Bucha uns cordéis sobre Conselheiro, Canudos e outras revoltas populares ocorridas no Nordeste, do poeta Medeiros Braga.

Por Bruno Paulino, escritor.