sábado, 2 de dezembro de 2017

TEORIA DA TERRA PLANA



É impressionante o que se tem visto nos últimos anos aqui nesse planeta que se 
convencionou chamar de TERRA. O obscurantismo está de volta e a imbecilidade tem atingido níveis acima do permitido. Enquanto algumas ANTAS fascistas destilam seu preconceito, outro bando de PAPANGUS anda pregando a teoria da TERRA PLANA! Mestre Alberto Porfírio, um poeta de Quixadá-CE, tirou o maior sarro com essa galerinha trouxa, em meados da década de 1970, no poema intitulado "IDÉIAS DE CABOCLO". Confiram...



Ilustração: Klévisson | Arievaldo Vianna


IDÉIAS DE CABOCLO

O professô dos menino
Fala, fala chega estronda!
Querendo qui eu acredite
Qui a terra seja redonda.

Não, senhor, num acredito
Nunca pude acreditá
Qui viva assim todo mundo
Andando em cima duma bola
Sem nunca iscorregá!

Vós mincê preste atenção,
Um monstro cuma é o trem!...
Se a terra fosse redonda,
Iscorregava tombém.

Ele só diz qui a terra
Veve solta no espaço
Rodando num canto só
Sem tê nada de embaraço.

Muvimenta... muvimenta
E nunca descansa um pedaço,
E qui é as volta qui ela dá
Qui serve pra controlá
A frieza e o mormaço.

Num acredito!... não! não!
Qué sabê cuma é a terra
Na minha maginação?
É um prato feito de barro
Mal feito mais bem grandão!
Emborcado em riba d’água
N’uma firme pusição,
Cum a gente morando in riba
Cum toda satisfação.

Vou prová cuma é mermo
Vou dá toda a insplicação:

Quando Deus fez este mundo
Mandou a terra secá,
Mandou se juntá as água
E foi assim qui fez os má.
E se a terra fosse doida
Rodando pra se acabá,
Tinha derramado as água
E era até pirigoso
O próprio Deus se afogá.

Tá certo ou num tá?!

Os home religioso
Gostun de dizê a gente
Qui tem um tal de inferno
De fogo qui é munto quente
Qui vai pra dentro desse fogo
As alma dessas pessoa
Qui num vão munto decente

Desses home priguiçoso
Qui num quere trabaiá;
Dessas muié vaidosa
Qui usun as roupa curta
Qui é do juêio pra lá;
Qui usun outras safadage
Fazendo a gente pecá
Dispois tudo morre
Vai morá nesse lugá
Debaixo desse arguidá.

Agora eu aviso os home
Qui pras muié são ingrato
Tombém aviso as muié
Qui andun de ponta-de-pé
Mode os sarto do sapato;
Dão zunhada e esconde as unha
Fazendo a moda de gato
Se morrê nesses pecado
Vão pra debaixo do prato!...

Alberto Porfírio


Extraído do Livro: "Poetas Populares e Cantadores do Ceará", de Alberto Porfírio


Poeta ALBERTO PORFÍRIO.

À guisa de conclusão, reproduzo essas duas estrofes do poeta MANÉ MAGO DE PANELLAS:

Eu não sei se o coco é ôco
Não sei se a terra é redonda
Se existe cobra ANACONDA
Se tem caboré no ôco
Se corno de fato é mouco
Se as regiões abissais
Tem feras descomunais
Se aguardente é de cana
EU NÃO SEI SE A TERRA É PLANA
MAS MEUS ‘EGSS’ SÃO OVAIS.

Não sei quem nasceu primeiro:
Se o OVO, ou a GALINHA,
E não vi quando a bichinha
Se atrepou lá, no poleiro
Vi raposas no terreiro
Com ideias geniais...
E vi tolos bestiais
Aos “pastores” dando a grana
EU NÃO SEI SE A TERRA É PLANA
MAS MEUS ‘EGSS’ SÃO OVAIS.

Eu não sei se a vaca é louca
Se a ESFINGE tem mistério
Se os mortos do cemitério
Acharam a miséria pouca
Se o diabo dorme de touca
No clarão das capitais
Se as esferas federais
Tem corrupto que me engana
EU NÃO SEI SE A TERRA É PLANA
MAS MEUS ‘EGSS’ SÃO OVAIS.