domingo, 11 de maio de 2014

A MÃE NA LITERATURA DE CORDEL


A figura materna, doce e acolhedora, vem sendo retratada com frequência na Literatura de Cordel, sobretudo as mães conselheiras ou sofredoras, que padecem algum "martírio" por causa de seus filhos. Eis algumas capas selecionadas para essa postagem de hoje:



Este folheto, escrito em 2002, é baseado numa história real que eu testemunhei quando era noticiarista numa emissora de rádio de Canindé-CE.

Trechos:

Destino, deus insondável
Que rege as coisas terrenas
Manipula os personagens
Altera o curso das cenas
Transformando em aflições
Horas doces e amenas.

Ninguém poderá fugir
Do que a sorte determina
Vou relatar nestes versos
O poder que tem a sina
N'Os Martírios de uma Mãe
Ou as Dores de Marina

No ano cinqüenta e oito
Do século próximo passado
Nos sertões de Quixadá
Deu-se este caso afamado
Por muita gente ainda é

Hoje em dia comentado.

(...)







Trechos do cordel de Manoel Belisário


Se os filhos dessem ouvido  
Ao que as mães lhes dissessem
Escutassem seus conselhos
Praticassem suas preces
O mundo teria paz
Não essa guerra que cresce.

Os conselhos de uma mãe
São trilhos a percorrer
Porque ela ama o filho
Como nenhum outro ser
E nunca ela quer seu mal
No bem quer vê-lo crescer.

Certa vez presenciei
O que uma mãe dizia
Com os olhos cheios d’água
A um filho que partia
E o filho ali parado
Não sei nem se lhe ouvia.

Mas os conselhos que dera
Servem pra qualquer pessoa:
Boa, má, grande ou pequena;
Seja ocupada ou à toa.
Tudo o que ela falou
Como mandamento soa.

Meu filho eu e teu pai
No dia em que te geramos
Te fizemos com carinho
Porque sempre nos amamos
E assim foste gerado
Sob a luz de tantos planos.

É por isso que te digo
Só case com quem gostar.
O amor é importante
Para os seus filhos criar.
Sem amor nada se cria
Só se leva a odiar.

Nunca use a violência
Quando quiser resolver,
Os problemas, fuja dela
Se possível até correr.
Pregue a paz com os seus gestos
E a paz você vai ter.


Procure educar seus filhos
Se um dia você tiver.
Dê escola para eles
Respeite sua mulher.
Siga pelo bom caminho
E seja um homem de fé.

Admita um Criador
Para não viver perdido
Feito muito pensador
Que não encontra sentido
Na existência de Deus
Fingindo tê-lo esquecido.

Pra realizar seus sonhos
Use a inteligência.
Ao suplicante que roga
Não lhe omita clemência.
Seja servo da virtude
Cujo nome é paciência.

Respeite aos mais idosos
Como sempre ensinei.
Ajude ao pobre que pede 
E a quem não tem voz nem vez
E Deus recompensará
Pelo bem que você fez.

(...)