Em 2008, o professor Huberto Rescher entrevistou o poeta Arievaldo Vianna para uma matéria que foi publicada na revista alemã BRASILIEN NACHRICHTEN. A matéria ocupa as páginas 6 e 7 da referida publicação e fazem referências ao projeto ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA e a LEANDRO GOMES DE BARROS, o grande pioneiro do cordel. O título da matéria "ABC AM BANDE" é destaque na capa da publicação. Quem fez a ponte entre o professor Huberto e o poeta foi a professora Odete Uchoa, de Canindé-CE.
quinta-feira, 16 de julho de 2015
ACORDA CORDEL NA ALEMANHA
Em 2008, o professor Huberto Rescher entrevistou o poeta Arievaldo Vianna para uma matéria que foi publicada na revista alemã BRASILIEN NACHRICHTEN. A matéria ocupa as páginas 6 e 7 da referida publicação e fazem referências ao projeto ACORDA CORDEL NA SALA DE AULA e a LEANDRO GOMES DE BARROS, o grande pioneiro do cordel. O título da matéria "ABC AM BANDE" é destaque na capa da publicação. Quem fez a ponte entre o professor Huberto e o poeta foi a professora Odete Uchoa, de Canindé-CE.
terça-feira, 14 de julho de 2015
Do Livro das Crônicas
Fortaleza - Praça José de Alencar (anos 1970) - Do site Fortaleza Antiga
Dividi um livro de memórias que estou escrevendo em três capítulos: GÊNESIS
SERTANEJA (onde trato da origem dos meus ancestrais até as novas gerações);
ÊXODO RURAL (do abandono da terra de origem rumo ilusão das capitais) e LIVRO
DAS CRÔNICAS (relembranças da infância). O "Livro das Crônicas" ganhava
novas pinceladas a cada dia. A tela da memória é fragmentada e nem sempre
apresenta as imagens com nitidez ou por ordem cronológica. São peças de um quebra-cabeças que
já se perdeu na poeira do tempo. É preciso paciência para reconstituí-lo e,
mais ainda, torná-lo palatável para o leitor. Andei lendo, confesso, as memórias de José Lins do Rego, Graciliano Ramos, Humberto de Campos, Viriato Correia, Gustavo Barroso, Herman Lima e outros autores menos famosos. Em cada um deles a gente identifica traços em comum com aquilo que retemos na lembrança. Essa crônica singela que ora reproduzo, retrata meu primeiro encontro com o trem, em Quixeramobim e minha primeira visita à capital, à bordo de uma composição da RFFSA, que fazia a linha Maracanaú-Fortaleza:
Estação Ferroviária de Maracanaú
O TREM –
PRIMEIRA VEZ EM FORTALEZA
A
primeira vez que vi o trem foi no Quixeramobim. Eu tinha uns três ou quatro
anos e naquele momento meus pais visitavam o Acrísio da Tia dos Reis, que
residia num casarão próximo à ponte metálica. Em dado momento sai da vista dos
adultos e fui brincar na linha férrea. Naquele tempo os trens de passageiros
ainda cruzavam os nossos sertões e a sua presença era um deslumbramento para os
matutos que vinham lá dos cafundós. Quando a locomotiva apitou para dar a
partida foi que meus pais perceberam a minha falta e me encontraram justamente
nos trilhos, onde a máquina haveria de passar. Fui salvo pelo gongo, ou melhor,
pelo apito do trem. Para falar a verdade eu nem sabia o que era aquela fila de
“casinhas” com rodas, cheias de cabeças nas janelas. Só quando a locomotiva se
pôs em movimento é que percebi tratar-se de uma fila de carros atrelados,
puxados por uma máquina barulhenta e fumegante, verdadeiro monstrengo que
bufava em nossa direção, soltando apitos estridentes e colunas de fumaça pelo
ar.
Passei
então a ter um misto de medo e fascínio pelo trem, mas a primeira viagem só
aconteceria bem depois, mais precisamente em janeiro de 1978, quando vim
estudar em Maracanaú. Minha mãe precisava comprar meus livros e algumas peças
do meu enxoval, já que dali em diante iria morar na casa alheia. Compramos os
nossos bilhetes cedinho, na estação de Maracanaú e fizemos um animado trajeto
até a Estação Central, em Fortaleza, com várias paradas pelo caminho. Eu só conhecia Fortaleza através de vagas
informações de parentes ou referências de livros didáticos que davam como
fundadores Martins Soares Moreno e/ou o holandês Mathias Beck, o homem que
ergueu o Forte Schoonenborch, no topo da colina Marajaitiba.
Foi
um deslumbramento entrar em Fortaleza pela primeira vez numa manhã ensolarada,
vendo tudo pela janela do trem. Mondubim, Parangaba e depois o Centro, com suas
lojas imensas e movimento tão intenso como eu só havia visto parecido nos
festejos de São Francisco, em Canindé.
Agarrei-me
a mão de minha mãe com medo de ser atropelado. Minhas primas, acostumadas com o
trânsito de Fortaleza, sabiam o que era mão única. Eu, por prudência e
desconfiança, só atravessava quando olhava para os dois lados. Aí foi a vez de
visitar as lojas de departamento, subir e descer em escadas rolantes e namorar
com os estojos de tinta guache, pincéis atômicos, réguas, compassos e outros
materiais de desenho. Me deram um livro ilustrado com a história do Rei Midas,
que li de um só fôlego assim que cheguei em casa.
Fiquei
chateado porque não deu tempo ver o mar. Na verdade, a visita limitou-se ao
centro da cidade. Praças da Estação, José de Alencar e do Ferreira e as ruas
principais do centro histórico. Curioso, como sempre fui, procurei guardar na
memória alguns pontos de referência, para o caso de um dia precisar andar
sozinho por ali. Meses depois vim na companhia do meu pai e falei novamente do
desejo que tinha de ver o mar. Era uma manhã de domingo. O centro estava vazio
e esquisito, as lojas fechadas, tudo bem diferente daquela vez anterior. Descemos
ali em direção à Santa Casa de Misericórdia e das varandas do Passeio Público
tive a primeira visão do Atlântico. Um despropósito, uma imensidão de água em
movimento, despejando ondas na areia da praia. Um deslumbramento para um menino
nascido e criado no sertão.
Entrar
na água, nem pensar. Como sempre eu andava de calça comprida e sapato. Nem meu
pai estava a fim de prolongar aquele passeio. Foram somente uns quinze minutos
de contemplação dos verdes mares bravios, mas foi amor à primeira vista. Ainda
hoje me encanto diante do mar que banha a “Loura desposada do sol”.
Arievaldo Vianna
P.S. - E como se diz no anedotário popular, foi essa a primeira vez que vi o “açudão do governo”, Deu até vontade perguntar naquele momento:
—
Pai, onde é que fica a parede desse bichão?
sexta-feira, 10 de julho de 2015
NO TEMPO DA LAMPARINA
Autor:
Alberto Porfírio
A Cunceição
minha véia
A fia do
véio Joaquim
Ela nunca
foi bonita,
Era a feiúra
sem fim
Mas acho que
só a mamãe
Era tão boa
pra mim.
A Cunceição
era dessas
Da boca cuma
gamela
Cangote cuma
de touro
E os quadri
junto as custela.
Mas se eu
vinha d’uma viagem
E pisava no
terreiro
Na porta da
nossa casa
Era o que
via primêra
Ela vindo me
abraçá
Cum seu amô
verdadeiro
Inté lavava
os meus pés
E dispois
butava chêro.
Passemo
assim muntos anos
Nós vivia
munto bem.
Ela era
munto feia!
Mas eu era
feio tombem!
Fumo assim
inté o capeta
Vim de lá
cum suas paiêta
Pra mexê
nosso xerém.
Um dia eu
fui a uma festa
Na casa do
Zé Romeu
Lá eu vi uma
cabôca
Qui nunca
mais me esqueceu...
Eu oiei
pros zóio dela
Ela oiou
pros zóio meu
Minhas mão
ficaro gelada
Meu corpo
todo tremeu...
Quem nunca
teve paixão
Diga que
nunca sofreu!
Nhô moço,
preste atenção,
Numa coisa
qui eu dei fé
Pode um home
ser valente
Cuma foi o
Josué,
Num tem medo
dôto hoje
Mas tem medo
da muié!
Só dá dessas
dezoiada
Adonde ela
num tive.
Entonce num
é preciso
Dizer o qui
se deu mais,
Num sei qual
o fuxiqueiro
Levado do
Satanás
Que vai
contá as muié
Tudo que os
home faz.
Só sei que
cheguei em casa
Meu rancho
num tava em paz.
A muié, cuma
uma doida,
Falando em
meus procedê
Chorava, se
lastimava,
Falava inté
em morrê
Eu tombem,
arripindido,
Sem tê nada
qui fazê
Só pruquê
num tinha jeito
Pra mode mim
defendê.
Ela dizia: -
Seu cabra!
Eu lhe trato
munto bem
E ocê, lá
pelas festas,
Faz da sua
muié ninguém!...
Vou lhe
dizer uma coisa:
Se ocê num
prometê
Qui num faz
mais u’a desta
Num vivo
mais cum ocê
Vou pra casa
dos meus pais
Nunca mais
você me vê!
Eu iscuitava
essas coisa
E ficava
arrependido
Mas num
podia disfazê
O que já
tinha fazido!
Inté que eu
dixe pra ela:
- Meu bem,
vou lhe prometê
Haja festa
adonde houve
Só vou se
levá você
E se eu
assim num cumpri
Pode aí tudo
fazê
Pode inté me
açoitá
Qui eu num
tenho o que dizê.
Ela cum
essas promessa
Se tornou
mais consolada
Mas num
falou mais cum eu
Sempre
entusiarmada
Butava o
almoço na mesa
E ia cumê
separada
E de noite,
foi drumi
Lá noutro
quarto, apartada!
Agora, ói,
meu senhô,
Cuma foi meu
sofrimento,
Passava as
noite acordado
Sem madorná
um momento
Sintindo no
coração
A dor do
arrependimento.
Qui muié
alpiniosa!
Me butou nas
agonia
Se eu
chegasse na cozinha
Ela pra sala
saía
Se eu
voltava pra sala
Ela ficá num
queria
Eu, já quage
sem juízo
Ia drumi,
num podia,
Cuma qui
dois intrigado
Passemo
assim oito dia!
Agora, nhô
moço, agora
Mim dê
licença qui eu diga
O qui foi
qui eu inventei
O que foi
qui eu pratiquei
Mode acabar
cum a intriga.
Toda muié
neste mundo
Tem medo de
assombração
Sabe o quê
qui eu me lembrei?
Foi de
inventá uma visão.
Garrei logo
a lamparina
E fui botá
lá na cunzinha
Mermo no pé
da parede
E amarrei
cum u’a linha.
Eu cá de
fora puxando
Ela vinha se
arrastando
E cum a
zuada qui fazia
A muié de lá
ouvindo
Mermo
estando drumindo
Ficá só num
arresistia.
Foi mermo
cuma eu pensei,
A lamparina
rolava
Ela chamava
por mim
Eu de cá me
levantava
Agarrava a
lamparina
E no mermo
canto botava.
Assim, nas
duas ou três vez
Ela cum
medo, a tremê,
Já
perguntava: - Neguim!
Eu vou drumi
mais ocê?...
- Num
sinhora! ...Num sinhora!
Eu de cá
arrespondia,
Era dizendo
num venha
Mas só eu
mermo sabia...
Ela chorava
cum medo
A lamparina
tinia,
Eu dava
tanto suspiro
Que inté sem
querê gemia...
Quando o
medo apertou mermo
Ela a
intriga esqueceu
Vei pelo pé
da parede
Sentou na
beira da rede
E passou a
noite mais eu!!!
sábado, 4 de julho de 2015
NOVIDADES LITERÁRIAS
Recebi dos amigos José Paulo Ribeiro e do jornalista Nonato Nunes o livro "Guarabira - 1603-1887 - Missão, vila, cidade", obra que faz um resgate histórico sobre os fundamentos do município, levantando algumas questões de conteúdo historiográfico e apontando para novas vertentes acerca da história de uma das cidades mais importantes do agreste e brejo paraibano.
No mesmo pacote, trazido gentilmente pelo amigo Ricardo Elesbão, vieram também outras obras. O livro do jornalista e professor Gilson Souto "Rádio: História e Radiojornalismo", já lançado em João Pessoa e Campina Grande. Este, então, é mais uma opção de leitura para os colegas de rádio. E de quebra o cordel "A História na visão de um pervertido sexual", do poeta Paulo Gracino, trabalho vencedor do Prêmio Literário Augusto dos Anjos, em João Pessoa-PB.
sábado, 20 de junho de 2015
NOVAS ILUSTRAÇÕES
O CASTIGO VEIO A CAVALO (conto)
CEGO ADERALDO canta para beradeiros
(para o novo livro de Rosemberg Cariry)
O BESOURO
De vez em quando me dá na veneta e eu exercito o meu ofício de ilustrador, muito embora minha atividade principal seja escrever. Desenhar (e pintar) é como andar de bicicleta. Se não praticar todo dia a mão enferruja e o traço sai pesado, às vezes até grosseiro. Proporção, iluminação, perspectiva também são coisas que exigem estudo e paciência. Mesmo assim gostei do resultado desses desenhos.
quarta-feira, 17 de junho de 2015
AS TRES VELHAS FIANDEIRAS
Como se faz a adaptação de um
CONTO POPULAR para o CORDEL?
Primeiramente vamos ler o conto:
AS TRÊS VELHAS FIANDEIRAS
Um conto de Histórias do Arco da Velha, de Viriato
Padilha
Rosália era uma
rapariga muito preguiçosa, que não gostava de fiar. Por mais que a tia Rita, sua mãe, se
encolerizasse, nada podia obter dela. Um dia a preguiça da filha exasperou-a de
tal forma, que chegou a espancá-la, e Rosália pôs-se a chorar e a gritar muito
alto. Justamente nessa ocasião passava a rainha por ali. Ouvindo os gritos, fez parar a carruagem, e
entrando na casa, perguntou à tia Rita por que razão batia na filha com tanta
crueldade, que até os gritos se ouviam na rua.
Tia Rita teve
vergonha de revelar o defeito de Rosália, e disse:
— “Não posso
lhe tirar o fuso da mão. Ela quer sempre
fiar sem cessar, e, como sou pobre, não lhe posso dar linho que chegue.”
A mulher
respondeu:
— “Nada me
agrada mais do que a roca, e o barulho da fiandeira me encanta. Dá-me tua
filha. Levá-la-ei para o palácio onde
tenho linho em quantidade e assim, poderá fiar quanto quiser.”
A velha consentiu
de muito boa vontade e a rainha levou Rosália.
Quando chegaram
ao palácio, ela levou-a a três salas, que estavam cheias do mais belo linho,
desde cima até embaixo, dizendo-lhe:
— “Fia-me todo
esse linho, e quando tudo estiver terminado, far-te-ei desposar meu filho mais
velho. Não te inquietes com a tua pobreza, pois o teu zelo para o trabalho
ser-te-á dote suficiente.”
A moça não
disse palavra, mas interiormente estava consternada, pois ainda que trabalhasse
durante trezentos anos, sem parar, desde a manhã até a noite, não acabaria com
aqueles enormes montes de estopa.
Quando ficou
só, pôs-se a chorar, e assim ficou três dias sem iniciar o trabalho.
No terceiro dia
a soberana veio visitá-la e ficou muito admirada vendo que nada havia feito; mas
a moça desculpou-se, alegando o pesar de haver deixado a mãe.
Sua majestade
teve que se contentar com aquela razão, mas disse ao retirar-se:
— “Vamos,
amanhã é preciso começar a trabalhar”.
Quando a moça
se achou só, não sabendo o que fazer, pôs-se à janela, muito angustiada.
Daí a pouco viu
chegar três mulheres, das quais uma tinha um pé enorme, muito chato; a outra o
lábio inferior tão comprido e pendente que cobria o queixo; e a terceira o dedo
polegar extraordinariamente comprido e achatado.
Colocaram-se na
rua, em frente à janela e perguntaram o que ela queria.
Rosália
contou-lhes as suas mágoas e as três mulheres ofereceram-se para auxiliá-la,
sob a seguinte proposta:
— “Se nos
prometes convidar-nos para o teu casamento e nos chamar tuas primas, sem te
envergonhares de nós, e nos fizeres sentar à tua mesa, vamos fiar o teu linho e
em pouco tempo o trabalho estará terminado”.
— “De todo meu
coração”, respondeu ela. “Podem entrar e começar já”.
Introduziu as
três singulares mulheres e desembaraçou um lugar na primeira sala para as
instalar.
Elas
entregaram-se à obra; a primeira fazia girar a roda; a segunda molhava o fio, a
terceira torcia e apoiava-o na mesa com o polegar.
Todas as vezes
que a rainha entrava, a rapariga ocultava as fiandeiras, mostrava o trabalho
feito, e a soberana não podia conter a sua admiração.
Quando a
primeira sala ficou terminada, passaram à segunda e depois à terceira, sendo
fiado todo o linho com a maior rapidez.
Então as três
mulheres retiraram-se dizendo à moça:
— “Não te
esqueças a tua promessa; pois hás de lucrar com isso”.
Quando Rosália
mostrou à rainha as salas vazias e o linho fiado, fixou-se o dia das núpcias.
O príncipe
ficou contentíssimo por ter uma mulher tão hábil e tão ativa, e principiou a
amá-la com ardor.
— “Tenho três
primas”, disse ela, “que me prestaram muitos serviços e não queria esquecê-las
na minha ventura. Permiti que as convide
para assistirem ao casamento e que se sentem à nossa mesa”.
A rainha e o
príncipe consentiram, pois não viam nenhum impedimento nisso.
No dia da festa
as três mulheres chegaram em magníficas equipagens e a noiva lhes disse:
— “Queridas
primas, sejam bem-vindas”.
— “Ah!”
disse-lhe o príncipe, “as tuas parentas são horrorosas!”
Depois,
dirigindo-se à que tinha o pé chato e comprido, indagou:
— “Como foi que
a senhora ficou com o pé tão disforme?”
— “Foi de tanto
fazer mover a roda da fiandeira”.
À segunda:
— “Como foi que
a senhora ficou com o beiço tão caído?”
— “Foi por
molhar o fio no beiço”.
E à terceira:
— “E a senhora
por que motivo ficou com o dedo polegar tão comprido?”
— “Foi por
haver torcido muito fio”.
O príncipe
aterrorizado por tal perspectiva, declarou que não permitiria mais que a sua
esposa tocasse num fuso, e assim ficou ela livre de tão odiosa ocupação.
* * *
Em: Histórias do Arco
da Velha, Viriato Padilha, Rio de Janeiro, Livraria Quaresma: 1947
Ilustrações do conto, de Nadir Quinto.
As três fiandeiras é um conto muito antigo, transmitido pela
cultura oral principalmente nos países nórdicos. Foi registrado pelos Irmãos Grimm, mas uma
versão mais antiga ainda um pouquinho diferente já aparece no livro de
Giambattista Basile, [ Pentamerone] — uma coleção de histórias folclóricas para
crianças — em 1634, publicado postumamente por sua irmã em Nápoles. Os Irmãos Grimm conheceram esse trabalho e o
elogiaram como uma excelente coleção de histórias. Dando uma olhadinha na rede, podemos ver que
mesmo em Portugal há algumas dezenas de versões com pequeníssimas
diferenças. Há outro conto
Rumpelstiltskin semelhante mas menos divulgado no Brasil.
Viriato Padilha, pseudônio ( Aníbal Mascarenhas, MG 1866 –
Fortaleza, CE 1924) Pseudônimos: Aníbal
Demóstenes, Ticho Brahe de Araújo, Sancho Pança. Contista, poeta, autor de literatura
infantil, historiador, professor, tradutor.
Obras: [lista incompleta]
Histórias do arco da velha, 1897
Os roceiros, 1899
O livro dos fantasmas
Fonte: https://peregrinacultural.wordpress.com
A ADAPTAÇÃO
Versão de VIRIATO PADILHA
Adaptação para o CORDEL: ARIEVALDO VIANNA
A ADAPTAÇÃO
A adaptação de um texto em prosa para o cordel passa por muitos processos. Quando chega o mês de Agosto - e o dia do Folclore (24/08) muitas escolas começam a trabalhar com o cordel e ficam perguntando por onde começar. Vou falar um pouco da minha metodologia, do meu processo de adaptação de contos populares ou clássicos da Literatura para o CORDEL.
Em primeiro lugar vem a empatia. O cordelista precisa gostar do texto que vai adaptar. Precisa conhecê-lo a fundo, precisa ter referências sobre o autor e outras informações que só chegam através de uma leitura aplicada, conhecimentos periféricos e, sobretudo, a tal da empatia. O caminho mais fácil é ter ouvido a história na infância e ter gostado do relato. O segundo passo é saber se os seus leitores também irão gostar... Esse conto de VIRIATO PADILHA está aqui no blog MALA DE ROMANCES desde junho de 2015 e venho percebendo que as visitas nunca cessam. É uma das postagens prediletas dos meus leitores. Eu o li, num velho livro escolar, com outro título, adaptado por outro autor - A DEVOTA DAS ALMAS. No caso, as velhinhas fiandeiras eram seres do outro mundo que vinham socorrer uma mocinha devota das ALMAS DO PURGATÓRIO.
Percebendo que o conto é muito querido e lembrado Brasil afora (pela quantidade de visualizações neste blog) resolvi iniciar a sua adaptação para o cordel e o resultado está ficando, mais ou menos assim. O texto a seguir, em cordel, é a primeira tentativa. Depois virá a fase de lapidação dos versos, para deixá-los fluentes, com métrica e rima.
Percebendo que o conto é muito querido e lembrado Brasil afora (pela quantidade de visualizações neste blog) resolvi iniciar a sua adaptação para o cordel e o resultado está ficando, mais ou menos assim. O texto a seguir, em cordel, é a primeira tentativa. Depois virá a fase de lapidação dos versos, para deixá-los fluentes, com métrica e rima.
AS TRÊS VELHAS FIANDEIRAS
EM CORDEL
Adaptação para o CORDEL: ARIEVALDO VIANNA
Certos contos populares
Atravessam gerações
Vieram nas caravelas
Atravessaram os sertões
E ainda hoje aparecem
Nos impressos e serões.
Circulam na internet
E vão parar no cinema
Seja qual for o suporte
Seguem o antigo sistema;
AS TRÊS VELHAS FIANDEIRAS
Hoje será o meu tema.
Rosália era uma jovem
Muito linda e recatada
Mas era tão preguiçosa
Que parecia lesada;
A sua mãe reclamava
Mas não servia de nada.
Um dia a velha zangou-se
Pois a mandara fiar,
Deu-lhe um fuso e uma roca
E do almoço foi cuidar;
Mas a jovem nem ligou
E no quintal foi brincar.
A velha então se zangou
E com o chinelo na mão
Agarrou a preguiçosa
Para dar-lhe uma lição,
A moça pôs-se a gritar
Chamando muita atenção.
Nesse momento a Rainha
Passava pelo terreiro
Quando ouviu a confusão
E da mocinha o berreiro;
Parou logo a carruagem
E desceu com o cocheiro.
Então perguntou a velha
Porque motivo batia
Naquela pobre mocinha
Que tão bela parecia;
A velhinha envergonhada
Dessa maneira dizia:
— A menina é minha filha
E só pensa em trabalhar
Esquece até de comer
Vim chamá-la pra almoçar
Mas ela não larga o fuso
O seu destino é fiar.
A Rainha comovida
Respondeu dessa maneira:
— Estou mesmo precisando
De uma jovem fiandeira,
Mas tem que ser como ela
Bonita e trabalhadeira.
Gosto de escutar a roca
Tecendo os fios da planta
E o som de uma fiandeira
É o que mais me encanta;
Ela terá bom salário
Aposento, almoço e janta!
Eu possuo três depósitos
Repletos do melhor linho
Se até o final do ano
Rosália fiar tudinho
Eu farei o casamento
Dela com o meu filhinho.
A Rainha na verdade
Dizia aquilo brincando
Porque mesmo que a jovem
Passasse o ano fiando
Não dava conta de um terço
Do que estava lhe esperando.
(...)
segunda-feira, 15 de junho de 2015
O MEIO DA RUA
Guache sobre papel - tamanho 30 x 21cm
Meu filho caçula JOÃO MIGUEL tem uma precoce aptidão para as artes plásticas.
Rabisca desde a idade de um ano e meio. Atualmente tem três anos e quatro meses e começou a experimentar o guache. Esse é um de seus primeiros trabalhos, de tendência abstracionista. A principio eu imaginei se tratar de uma paisagem do fundo do mar mas ele teimou dizendo que o título do quadro era O MEIO DA RUA. Realmente a mãe dele fala sempre para ele ter cuidado e não ir para o meio da rua. Isso deve mexido com a imaginação do menino.
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