quarta-feira, 22 de abril de 2015

NA TERRA DE LEANDRO E CANCÃO DE FOGO





O escritor cearense Arievaldo Vianna lança, neste sábado (25), a biografia do poeta paraibano Leandro Gomes de Barros. O lançamento acontece às 18h, no mezanino 2 do Espaço Cultural José Lins do Rego, em João Pessoa. A programação da noite conta com as presenças de Iponax Vila Nova (declamador) e dos repentistas Rogério Meneses e Antônio Lisboa. A entrada é gratuita.
O evento realizado pelo Governo do Estado, por meio da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc), antecipa as comemorações pelo sesquicentenário de nascimento do poeta paraibano natural da cidade de Pombal, que acontece em 19 de novembro.
O autor da biografia apresenta um trabalho amparado em fotos, documentos e informações inéditas sobre a vida e obra de Leandro de Barros. No texto de apresentação do livro, o poeta e pesquisador baiano Marco Haurélio, afirma: “Trata-se da biografia do nosso mais importante poeta popular, Leandro Gomes de Barros, patriarca da literatura de cordel e autor de, pelo menos, vinte clássicos incontestáveis do gênero. Arievaldo salda o débito que contraiu com o mestre paraibano desde que foi apresentado, na infância, pela avó Alzira de Souza Lima (1912-1994) ao grande pícaro Cancão de Fogo, espécie de Lazarillo de Tormes sertanejo, e maior criação de Leandro.”
O cordelista paraibano é autor de dois folhetos que influenciaram Ariano Suassuna na criação de sua obra mais famosa, o ‘Auto da Compadecida’. Trata-se de ‘O Dinheiro’ (ou O testamento do Cachorro), de 1909 e ‘O cavalo que defecava dinheiro’. Em artigo que escreveu e publicou em 1976, o poeta Carlos Drummond de Andrade considera Leandro ‘Rei da poesia sertaneja’ e reivindica para ele o título de ‘Príncipe dos Poetas Brasileiros’, que foi concedido a Olavo Bilac, em 1913. Esse polêmico artigo de Drummond é cuidadosamente analisado em um dos capítulos da biografia escrita por Arievaldo. Segundo o autor, foi uma pesquisa árdua e persistente, ao longo dos últimos dez anos, sem contar com apoio financeiro de qualquer espécie, apenas a colaboração de amigos que também admiram a obra do grande poeta.
Na opinião do professor Gilmar de Carvalho, estudioso da cultura popular que assina o prefácio da obra, “Leandro é daquelas unanimidades a favor. Inegável que foi o grande nome do folheto e um dos sistematizadores da edição de cordéis no Brasil, com rima, métrica e folheto múltiplo de quatro páginas, com capa gráfica, no início, e com xilogravura, tempos depois. Curiosa essa passagem do violeiro para o poeta de bancada. Importante compreender como a maquinaria obsoleta para os grandes centros se interiorizava e dava lugar a jornais políticos e depois a uma atividade que movimentou a economia, que revolveu nossas camadas de memória e se fixou no imaginário social”, destacou.
Poeta atemporal, Leandro se valeu da sátira para criticar os desmandos de seu tempo: a influência estrangeira em Pernambuco, estado onde se estabeleceu. Com o chicote da sátira, vergastou os coronéis da Velha República. Pleno de graça, lançou chispas em direção ao clero, sem esquecer os protestantes e a justiça (dos tribunais). Ao mesmo tempo, exaltou os cangaceiros liderados por Antônio Silvino, criando o modelo que seria seguido pelos futuros biógrafos de Lampião no cordel: a fusão do cangaceiro nordestino com o cavaleiro andante do Medievo europeu.
Em 176 páginas, o livro reúne, além dos fatos relacionados à vida do poeta, raridades como fotos de familiares, documentos que esclarecem aspectos antes obscuros da biografia de Leandro. A pesquisa tem colaboração de Cristina Nóbrega, bisneta de Daniel, irmão de Leandro.  Merecem destaque também, as entrevistas com o escritor Pedro Nunes Filho e o consagrado cordelista Paulo Nunes Batista. O primeiro é bisneto de Josefa Xavier de Farias, irmã de Adelaide (mãe de Leandro). O segundo é filho do pioneiro do cordelismo, Francisco das Chagas Batista, amigo do criador de Cancão de Fogo, e guarda na memória episódios interessantes que ouvia de seu irmão Pedro Werta, afilhado do biografado.


Serviço
Lançamento da biografia Leandro Gomes de Barros – O Mestre da Literatura de Cordel, vida e obra – autor: Arievaldo Vianna
Participações: de Iponax Vila Nova (declamador), Rogério Meneses e Antônio Lisboa (repentistas)
Data: 25/04/2015
Hora: 18h
Local: Mezanino 2, Espaço Cultural José Lins do Rego
Entrada: gratuita

quarta-feira, 8 de abril de 2015

CORDEL EM RECIFE


 
RELATÓRIO DE ATIVIDADES NAS ESCOLAS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO DO RECIFE-PE

Por: Arievaldo Vianna

 A Editora Imeph, através do projeto “Nas Ondas da Leitura”, vem desenvolvendo um trabalho magnífico na formação de jovens leitores em diversos municípios nordestinos. Desde que começou a publicação de livros infanto-juvenis, por volta de 2005, essa editora vem se firmando como uma das melhores do gênero. Logo em 2006 tivemos a sorte de termos um livro incluído no PNBE – Programa Nacional da Biblioteca da Escola, do MEC, justamente uma obra de minha autoria, intitulada “A raposa e o canção”, que havia participado de um projeto anterior do Governo do Estado do Ceará intitulado “Baião das Letras”. Naquele ensejo, publicamos mais dois “cordelivros” ilustrados – “O Pavão Misterioso” (releitura da obra de João Melchíades e José Camelo Rezende) e “O Bicho Folharal”, um conto popular que meu avô gostava de repassar para os netos no alpendre da casa grande da fazenda Ouro Preto, Sertão do Central, onde vivi meus verdes anos.
O sucesso de meus trabalhos pela Editora IMEPH motivaram convites de outras editoras para adaptação de clássicos da literatura brasileira e universal para a linguagem do cordel, além de textos originais ou baseados em lendas populares que logo se firmaram no gosto de estudantes e educadores de todo o Brasil, resultado em diversas inclusões no Catálogo da Feira Internacional de livros infanto-juvenis da Bolonha-Itália e mais 4 inclusões no PNBE, além do selo “Altamente recomendável”, da FNLIJ, presente em algumas obras. Enquanto isso, a editora IMEPH não parou de crescer e se firmar com uma grande empresa do mercado editorial, graças à qualidade de seus autores e ao dinamismo de sua equipe, que tem a frente a incansável Lucinda Azevedo.
Em março deste ano, recebi convite da Editora IMEPH para realizar um trabalho de visitação às escolas da rede municipal de ensino de Recife-PE, onde o projeto “Nas ondas da leitura” chegou com força total, espalhando milhares de “kits” com livros paradidáticos para várias faixas de público, desde as séries iniciais a adolescentes das séries mais adiantadas e até mesmo alunos do EJA.
A missão que me foi confiada foi cumprida à risca e com todo o empenho e dedicação que costumo empregar em atividades desse porte. Logo na primeira escola visitada, em companhia da coordenadora pedagógica Michelly Almeida, percebi que o mestre Ariano Suassuna, incansável defensor da cultura popular e da literatura de cordel foi escolhido pela Secretaria de Educação do Município de Recife para ser o PATRONO do ano letivo no que se refere à difusão da prática da leitura. Como se diz na linguagem popular corrente, “caiu a sopa no mel”. Além de participar e palestras, recitais e sessões de autógrafos do livro “O pavão misterioso”, uma das obras selecionadas para o projeto, discorri também sobre a obra de Suassuna, com ênfase no seu trabalho mais conhecido – O AUTO DA COMPADECIDA que é inteiramente baseado em diversos folhetos da chamada Literatura de Cordel, a saber: O Dinheiro (Testamento do Cachorro) e O cavalo que defecava dinheiro, ambos de Leandro Gomes de Barros, além de “As proezas de João Grilo”, de João Ferreira de Lima e “O castigo da soberba”, de Manoel Vieira do Paraíso. Ora, João Grilo foi o primeiro anti-herói que conheci na minha infância, antes mesmo de aprender as primeiras letras. Quando fui alfabetizado por minha avó paterna, Alzira de Sousa Lima, logo decorei diversas estrofes do folheto de João Grilo, que ainda hoje declamo com desembaraço nas minhas apresentações, para deleite das novas gerações, inclusive aquelas que não têm intimidade com o cordel.
As escolas visitadas, durante os três dias em que permaneci na capital pernambucana foram: Arraial Novo Bom Jesus, Osvaldo Lima Filho, Dom Bosco e Nadir Colaço. Em todas elas, sem exceção, houve excelente acolhida por parte dos educadores e notável interesse por parte dos estudantes, que acompanharam com interesse a palestra, fazendo perguntas sobre o livro em questão e querendo saber mais sobre as atividades de um escritor, suas fontes de inspiração e metodologia de trabalho. Note-se que, infelizmente, não é comum que autores visitem escolas públicas, fato que por si só, já diferencia positivamente o trabalho realizado pela Editora IMEPH.
Além da ótima orientação da equipe local (Amelinha, Thays, Rouxinol e Márcia) eu quero ressaltar a boa acolhida da equipe de Pernambuco (Rodrigo, Michelly, Alessandro e Carlinhos) que deram todo o suporte para que o trabalho se realizasse da melhor forma possível. Soube que o projeto está sendo expandido para outros municípios pernambucanos como Jaboatão, Cabo de Santo Agostinho, Garanhuns etc, o que contribui para a consolidação do projeto “Nas ondas da leitura” em nosso estado vizinho. Espero retornar outras vezes a Pernambuco e ter muitas outras obras trabalhadas junto aos estudantes daquela região. 

Fortaleza, 08 de abril de 2015
 
 

terça-feira, 10 de março de 2015

CORDEL EM QUIXERAMOBIM

Alunos da Escola Estadual Maria Pimenta
 
 
Casa de Antônio Conselheiro
 
Alunos da Escola Agrícola de Quixeramobim
 

 
Estivemos estaa semana em Quixeramobim-CE, participando das atividades culturais da SEMANA DO CONSELHEIRO, realizando oficinas de cordel e palestras nas escolas, a convite do SESC. A primeira oficina foi realizada na Escola Agrícola, com excelente nível de aproveitamento. A turma produziu um cordel de 16 estrofes sobre os Milagres de Antônio Conselheiro. À tarde estivemos na escola Maria Pimenta, onde também houve bom rendimento. A noite, trabalhos com alunos do EJA no próprio SESC, falando da trajetória de Antônio Vicente Mendes Maciel ao deixar sua terra natal, o Quixeramobim, rumo à Bahia, onde fundou Belo Monte, que entrou para a história com o nome de Arraial de Canudos. Nossas atividades tiveram a colaboração do escritor Bruno Paulino. Segue um resumo do evento publicado no blog QUIXERAMOBIM AGORA:

Conselheiro Vivo 2015 começou na terça-feira, 10 e prossegue até hoje, 13/03. 
 
 
Com o tema “Artes para escrever histórias”, tem início nesta terça-feira, 10, a edição 2015 do Conselheiro Vivo, em Quixeramobim, cidade natal de Antônio Conselheiro.

Conforme a coordenação do evento, a programação, alusiva ao mártir de Canudos, segue até sexta-feira, 13 de março, feriado municipal que marca o aniversário de Antônio Conselheiro, ápice das atividades com apresentação da proposta de criação na cidade do Centro de Memória e Artes do Belo Monte. A importância de um Lugar dinâmico de pesquisa e atividades artísticas será debatida em uma Mesa Redonda com a participação do Professor Emérito da Universidade Federal Fluminense (UFF), Doutor Paulo Emílio Matos Martins, e do artista visual Alexandre Veras, desenvolvendo Projetos no campo audiovisual e realizando vídeos com grupos de jovens da cidade.

“De longa data, temos uma ideia forte para o Ceará, em Quixeramobim, cidade do Conselheiro, para funcionamento de um Centro respeitado de pesquisa, na altura da importância para o Brasil de Antônio Conselheiro, personagem de repercussão internacional. Reunindo forças, aposto que pode ser viabilizado esse espaço e por isso viajo com muito ânimo, para reencontrar pessoas e estar em contato com outras que se inseriram nessa missão, esperando que juntos possamos definir rumos nesse sentido”, disse o professor Paulo Emílio, que possui um dos maiores acervos do país sobre Conselheiro/Canudos, com parte já doada para o Projeto, que ele comentará, a partir dos documentos, na sua participação durante o Conselheiro Vivo, na sexta, 18h, na Casa Antônio Conselheiro.

Coordenador Geral do Conselheiro Vivo 2015, o historiador Aílton Brasil, que trabalha com documentos impressos na cidade, vê o momento como possibilidade de que a proposta seja recebida institucionalmente pelo município e entidades participantes, através da definição de local para sede e estrutura inicial, como material básico específico e pessoal habilitado, a ser alocado, para atuar diretamente na proposta.

 “Temos a grande contribuição do professor Paulo Emílio, a força e entusiasmos de Alexandre Veras e os jovens que com ele atuam. Recebemos vários apoios informais em contatos feitos, por exemplo, com o Iphan Ceará, o Arquivo Público Estadual, a Universidade Estadual da Bahia (UneB) e outros centros de pesquisa pelo país. Esperamos que a proposta seja compreendida institucionalmente pela Secretaria Estadual da Cultura (Secult CE) e pelo município, através da Câmara Municipal, com quem já conversamos, e do prefeito, com adesão na prática aos encaminhamentos necessários”, vislumbra Brasil,  presidente da ONG Iphanaq, confirmando que entre as proposta de locais está a Casa de Câmara e Cadeia, único prédio na cidade tombado pelo patrimônio nacional, com possibilidade de funcionamento para que o Centro inicie suas atividades.

O Conselheiro Vivo tem início na terça, 10, 7h, com caminhada pelas ruas do Centro de Quixeramobim. A abertura oficial ocorre às 19h, na Casa Antônio Conselheiro, com apresentação da proposta de 2015 e abertura da 2ª Feira do Belo Monte, com barracas de produtores da Agricultura Familiar e Música com sanfoneiros, em frente à Casa de Antônio Conselheiro, no Centro da cidade.

Ao longo da semana, a programação segue com lançamento de produtos artísticos e linguagens artísticas diversas (livros, vídeos, teatro, poesia, música) e atividades das escolas, com participação marcante nos últimos anos. Na quinta-feira, 12, ocorrem atividades na Comunidade de Tigre, onde Conselheiro atuou como professor, entre a saída de Quixeramobim e a chegada aos sertões baianos. Além de entrevistas e informações – nas emissoras locais e pelo www.patrimoniovivo.org.br - , diariamente serão realizados debates na FM Canudos 106,7 com organizadores e convidados que participarão a cada dia do Conselheiro Vivo.

Postado por: Jornalismo - Sistema Maior de Comunicação // http://quixeramobimagora.blogspot.com.br/2015/03/conselheiro-vivo-2015-inicia-nesta.html

Professora Leni, do SESC de Quixeramobim
 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

EXPOENTES DO CORDEL

 
 
  
Folhetos de Joaquim Batista de Sena, editados em Juazeiro do Norte, na Tipografia CASA DOS HORÓSCOPOS, de Manoel Caboclo e Silva
 
 
JOAQUIM BATISTA DE SENA – nasceu no dia 21 de maio de 1912, em Fazenda Velha, do termo de Bananeiras, hoje pertencente ao município de Solânea-PB. Faleceu no distrito de Antônio Diogo (Redenção-CE) no início da década de 90 do século recém-findo. Autodidata, adquiriu vasto conhecimento sobre cultura popular e era um defensor intransigente da poesia popular nordestina. Começou como cantador de viola, permanecendo três anos neste ofício, no final da década de 30.
No início da década de 40, vendeu um sítio de sua propriedade e adquiriu sua primeira tipografia, que funcionou algum tempo na cidade de Guarabira-PB, transferindo-se depois para Fortaleza, onde atuou durante muitos anos. Dizia-se discípulo de Leandro Gomes de Barros e era admirador incondicional de José Camelo de Melo. Durante a Segunda Guerra Mundial, quando viajava de navio de Belém a Fortaleza, foi vítima de um naufrágio da Baía de Quebra-Potes (Maranhão). Salvou-se nadando, mas perdeu uma mala de folhetos, contendo diversos originais. Na capital cearense sua tipografia adotou o nome de “Graças Fátima”. O poeta explicava a razão desse título: durante a passagem da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima pelo Nordeste, na década de 50, ele conseguiu ganhar muito dinheiro vendendo folhetos sobre a visita da santa, ampliando consideravelmente seus negócios.
Em 1973 vendeu sua gráfica e sua propriedade literária para Manoel Caboclo e Silva e tentou estabelecer-se no Rio de Janeiro, também no ramo da literatura de cordel, mas não foi bem sucedido. De volta ao Ceará, ainda editou alguns folhetos de sucesso, como o que escreveu em parceria com Vidal Santos, sobre o desastre aéreo da Serra da Aratanha (Pacatuba-CE), onde faleceu, dentre outros, o industrial Edson Queiroz.
Sena era um grande poeta, de verve apurada e rico vocabulário. Conhecia bem os costumes, a fauna, a flora e a geografia nordestina, motivo pelo qual seus romances eram ricos em descrições dessa natureza. Pode-se dizer que com a sua morte, fechou-se um ciclo na poesia popular nordestina e o gênero “romance” perdeu um de seus maiores poetas. Só agora, no início deste novo século, surgem novos romancistas que pretendem dar continuidade à trilha deixada pelo mestre.
Dentre as suas obras de maior aceitação popular, destacamos: A filha noiva do pai ou Amor culpa e perdão; A morte comanda o cangaço; As sete espadas de dores de Maria Santíssima; Estória de Manoel Seguro e Manoel Xexeiro; História de João Mimoso e o castelo maldito; História de Braz e Anália; Os amores de Chiquinha e as bravuras de Apolinário; História do assassinato de Manoel Machado e a vingança do seu filho Samuel; História do Príncipe João Corajoso e a princesa do Reino Não-vai-ninguém.
 
(In “Acorda Cordel na Sala de Aula”, Arievaldo Viana)
 
 

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

A MULHER QUE FUGIU COM UM ET NO CARNAVAL...

 
 
 
 
Feijão branco era tingido com corante para ficar com cor verde (Foto: TV Verdes Mares/Reprodução)

FONTE: http://g1.globo.com/ceara/noticia/2015/02/grupo-e-preso-por-vender-feijao-verde-tingido-no-centro-de-fortaleza.html

 

O CASO DO FEIJÃO FALSIFICADO

E DA MULHER QUE FUGIU COM UM ET NO CARNAVAL

Autores: Arievaldo Vianna, Jota Batista e Pedro Paulo Paulino.

 

Ao lançar da minha pena

Nas páginas desse caderno,

- Enquanto o povo sofrido

Suspira pelo inverno -,

Outros da parte do Cão

Estão pintando feijão

Fazendo o maior inferno.

 

Eu pergunto ao Pai Eterno

O que mais falta se vê?

É só roubo e violência

Nos jornais e na TV,

Inda mais, no carnaval,

Uma mulher, só de mal,

Teve um caso com um ET.

 

Primeiro eu conto a você

A história do feijão

Que se deu em Fortaleza

Causando admiração;

Uma mente “satanável”

Fez o caso mais notável

De uma falsificação.

 

De posse de um galão

De uma tinta esverdeada

Um saco de feijão branco

Água fervida ou gelada

Fez logo o feijão inchar

Ficar verde e embalar

Para vender na calçada.

 

Virgem Mãe Imaculada

Que sujeito astucioso!

O povo comprou feijão

Por ser verdinho e “gostoso”;

Mas quem provava uma vez

Não se tornava freguês,

Por ficar branco e pastoso.

 

Mesmo assim, algum guloso,

Se passando por incauto

Comprava bem baratinho

Pra vender por preço alto;

Uma velha “sacripanta”

Foi comprar feijão pra janta

Desconfiou do assalto.

 

E depois gritou bem alto:

- Numa seca como esta,

Se vê tanto feijão verde

Numa quantidade desta?!

Lhe respondeu o “Camonge”:

- Isso vem de muito longe,

Lá do bairro da Floresta!
 
(...)
 
 
CASO DA MULHER FALSA AO MARIDO ABDUZIDA POR ET'S (TRECHOS)
 
 

Não aprende quem não quer

Besta é quem vive iludido
Se não existisse otário
Que seria do sabido?
Uma mulher sem pudor
Foi num disco voador
Trair o próprio marido.
 
Esse mundo está perdido
E mergulhado no mal
A mulher saiu de casa
Na véspera do carnaval
E voltou na quarta-feira
Contando, toda faceira,
Um caso bem anormal.
 
Disse a cuja, num jornal,
Com a cara mais lambida
Que ia para a igreja
Contente e feliz da vida
Quando durante o trajeto
Surgiu um grande objeto
Sendo a mesma abduzida.
 
E o marido da "bandida"
Caiu num golpe de mestre
Para um jumento só falta
O rabo e a carcaça equestre;
Em figura de raposa
Dizia que a sua esposa
Fugiu com um extraterrestre.

 
(...)
 
 

domingo, 8 de fevereiro de 2015

CADERNO 3 - DN

A SAGA AVENTUROSA DO CANTOR DA BORBOREMA
 
Ilustração: Jô Oliveira

 
No dia 7 de setembro de 1869, nascia mais um patriota no município de Bananeiras-PB: o menino João Melchíades Ferreira da Silva, que se auto-intitularia, no futuro, O Cantor da Borborema. No folheto "Os homens da cordilheira" (há um exemplar catalogado nos Fundos Villa Lobos, organizado por Mário de Andrade), João Melchíades diz que seu avô materno, o beato Antônio Simão, construiu uma igreja na serra, a pedido do padre Ibiapina. Ele teria fundado também uma escola para educar crianças, onde o próprio Melchíades aprendeu as primeiras letras. No terrível triênio de seca que foi de 1877a 1879, já órfão de pai e criado sob a tutela desse avô, o menino João Melchíades foi raptado por um grupo de ciganos. Dizem que ele teria se encantado pela música e resolveu acompanhá-los. Sua mãe só foi resgatá-lo de volta cerca de dois anos depois.
De espírito inquieto e aventureiro, sua sina era correr o mundo. Aos 18 anos sentou praça no exército, ainda na Monarquia. Em 1897 João Melchíades, integrante do 27º Batalhão de Infantaria das Forças Armadas, foi convocado para combater na Guerra de Canudos, onde quase perdeu a vida. Após a guerra, foi promovido a Sargento-Mor. Lembranças familiares, recolhidas num velho manuscrito por sua neta Lela Melchíades, a partir dos relatos de sua avó Senhorinha, informam que ele voltou traumatizado da Guerra e não gostava de tocar no assunto. Ficou muito chocado ao ver os cadáveres de mães carbonizados e abraçadas aos filhinhos, naquilo que Euclides da Cunha batizou de "a nossa Vendeia" ou "Troia sertaneja". Ele participou ativamente da tomada das trincheiras às margens do rio Cocorobó, uma das refregas mais sangrentas daquela luta fratricida.
Informa a pesquisadora Ruth Brito Lêmos Terra que a atividade poética de Melchíades é anterior a 1898. Ela baseia-se no poema "Melchíades escreve a Cícero de Brito Galvão, no Rio de Janeiro, sobre a açudagem do Seridó", onde o poeta faz referência a um açude de propriedade do cangaceiro Silvino Ayres, mentor de Antônio Silvino. O ano de 1898 foi o mesmo em Silvino foi preso e, por conta disso, sucedido por seu êmulo no comando do cangaço.
Em 1903, João Melchíades foi designado para combater na fronteira do Acre com a Bolívia, onde contraiu a febre béri-béri, que quase o vitimou. Nesse período, o poeta andava na companhia do cantador Joaquim Jaqueira e chegou a fazer apresentações em Manaus e em Belém do Pará, ao som da viola. No ano seguinte, segundo apurou o pesquisador baiano José Calasans, Melchíades resolveu publicar, em cordel, suas memórias sobre Canudos. É possível que tenha sido escrito ainda no século XIX, após o término da guerra. Sua visão é alinhada com a propaganda difamatória que se fazia contra o beato Antônio Conselheiro, por meio de libelos divulgados na imprensa, sob a orientação do Ministério da Guerra. Mas nem por isso ele deixa de reconhecer a bravura dos conselheiristas em estrofes antológicas como esta: "Escapa, escapa, soldado/ Quem tiver perna que corra/ Quem quiser ficar que fique/ Quem quiser morrer que morra/ Há de nascer duas vezes/ Quem sair desta gangorra".
Na opinião de Calasans, Melchíades era poeta de reconhecida capacidade, como podemos comprovar nesses versos que consignam um instante dramático da fuga dos soldados da terceira expedição. Na década de 1970, a pesquisadora Ruth Terra entrevistou uma filha do poeta, Santina, e teve acesso a uma carta de 1914, dirigida à sua esposa, Senhorinha (mãe de seus quatro filhos), falando sobre o folheto do Matador de Onças ("História do Capitão Cazuza Sátyro"). Nessa correspondência, o poeta fala também de outras obras e de seus filhos. O pesquisador Mário de Andrade considerou esse poema excelente ("Cazuza Sátyro, o Matador de Onças") e anotou isso, de próprio punho, num exemplar que se encontra na coleção dos Fundos Villa-Lobos. Diz Mário de Andrade: "Estupendo! Não porque esteja feito com espírito, mas pelo interesse extraordinário de quanto conta pelo realismo, às vezes duma firmeza homérica, com que conta. É admirável e vale mais que qualquer espírito". Outro folheto muito elogiado, que tornou-se um dos maiores clássicos da chamada Literatura de Cordel é a "História do Valente Sertanejo Zé Garcia", assim avaliado por mestre Câmara Cascudo, em seu "Vaqueiros e Cantadores": "Retrata deliciosamente o sertão de outrora, com as pegas de barbatão, escolhas de cavalos para montar, rapto de moças, assaltos de cangaceiros, chefes onipotentes e vaqueiros afoitos, cantadores famosos e passagens românticas. Pertence bem ao ciclo social que terminou no século XX e que durara até o século XIX".
 
Xilogravura: João Pedro Neto

 
Pavão Misterioso
 
Entre 1925 e 1929, circula a primeira edição impressa do folheto "O Pavão Misterioso", assinada por João Melchíades Ferreira da Silva. Alguns pesquisadores asseguram que já havia uma versão do poema, escrita anteriormente pelo paraibano José Camelo de Melo Rezende (1885 - 1964) mas que ainda não fora publicada, mas cantada ao vivo. José Camelo era um autor imaginoso e brilhante, de grandes recursos poéticos. Ao que parece, a polêmica em torno da autoria só ganhou repercussão após a morte de Melchíades, em 1933. Depois que o folheto se consolidou como um estrondoso sucesso, tornou-se objeto de cobiça de vários editores, que incitavam a polêmica para facilitar a sua publicação sem pagar direitos autorais a nenhum dos dois poetas.
Segundo as fontes mais acreditadas, nesse período, José Camelo vinha sofrendo perseguições e havia se afastado da Paraíba e se refugiado no Rio Grande do Norte. Essa situação nunca foi devidamente esclarecida. Aroldo Camelo de Melo, sobrinho do poeta, assegura que ele estava preso, em João Pessoa, por causa de dinheiro falso que recebera de um editor no Recife (PE), mas não há provas concretas que endossem essa versão.
Em seus livros, a pesquisadora Ruth Terra apresenta uma lista completa (ou quase) de todos os poetas populares que haviam publicado folhetos entre 1898 e 1930. Na Casa de Rui Barbosa e outras coleções pesquisadas pela autora, aparecem diversos folhetos de João Melchíades, mas nenhum de José Camelo, até o ano de 1930. Segundo o testemunho do poeta Antônio Ferreira da Cruz, que escreveu um folheto intitulado "A morte de João Melchíades - O Cantor da Borborema", publicado pela tipografia da Popular Editora, de João Pessoa, Melchíades era uma espécie de "professor de cantoria" e tinha muitos discípulos. Um de seus parceiros era justamente o cantador José Camelo de Melo, com quem viajava fazendo apresentações. Aroldo Camelo informa que, durante uma dessas apresentações, a questão da autoria do "Pavão Misterioso" veio à baila, mas em clima amistoso. Camelo terminou uma estrofe dizendo: "O pavão tem duas asas / pode voar com nós dois". Melchíades respondeu com outra estrofe, no mesmo tom. Eis o que diz Antônio Ferreira da Cruz, na página 4 do folheto já mencionado, falando inicialmente de uma polêmica (poética) que Melchíades (católico fervoroso) mantinha com os evangélicos: "Era um cantor educado/ Na regra de divertir/ Não bebia, não jogava,/ Nem gostava de mentir;/ Com qualquer pastor da crença/ Gostava de discutir./ Em toda zona brejeira/ Mostrava bem seu emblema/ Era muito conhecido/ Por Cantor da Borborema/ Desde o Pico do Jabre/ Ao Boqueirão da Jurema./ Ensinou muitos cantores,/ Era um escritor de fé/ Andou com José Camelo/ Ensinou Antônio Thomé/ Ensinou José Thomás/ Lecionou Josué./ Em toda escala de versos/ Ele sabia cantar/ Ensinou a cantador/ Que não sabia falar/ Ainda que alguém lhe desse/ A paga de o difamar".
No romance "A pedra do reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta", de Ariano Suassuna, João Melchíades Ferreira aparece como padrinho de crisma e mestre de cantoria de Quaderna e de seu parceiro Lino Pedra Verde. Pelo visto, mestre Ariano tinha ciência dessa atividade de Melchíades. A saga do Cantor da Borborema deverá virar livro. Para isso estamos iniciando uma cuidadosa pesquisa a fim de contar a sua história sem acirrar, ainda mais, essa polêmica infrutífera que ainda hoje norteia os voos do Pavão Misterioso.

Arievaldo Viana*
Poeta e escritor

Arievaldo Viana nasceu em Quixeramobim (Ceará), em 1967. É poeta, cordelista, escritor e ilustrador. Seu livro mais recente é a biografia "Leandro Gomes de Barros - Vida e Obra" (2014)



Fonte: http://diariodonordeste.verdesmares.com.br/cadernos/caderno-3/coluna/sound-1.160/materia-1.1215774

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

NO TEMPO DA LAMPARINA...

(Foto: A. C. Alves)
... E DO ENXUÍ MAGRO
(Porque não sou CHARLIE HEBDO)
Apesar de não parecer tão velho eu sou um menino das antigas, do tempo da lamparina, do pano de coar café armado em duas varetas de marmeleiro, do ferro de engomar à brasa e do leite mugido tomado na porteira do curral. Sou do tempo da cueca de morim ou de algodãozinho infestado, do par de 'quinaipes', da calça de tergal, do kichute e da camisa de volta-ao-mundo. No meu tempo se tangia gado montado à cavalo e não nessas motocicletas possantes de hoje em dia. Havia merenda a base de jerimum com leite e ceias de coalhada com farinha e rapadura. Iogurte! Que diabo é isso? A velha e boa coalhada era cem vezes melhor do que esses laticínios enlatados de hoje em dia e eu não troco a minha tapioca pela pizza de ninguém.

No meu tempo se chupava manga tirada do pé e não das prateleiras dos supermercados. Nada de manga “Tommy”... era manguita, manga coité, jordão, manga rosa, manga foice e manga espada. Sim, naquele tempo menino de verdade tinha que ser espada... arrebentava os joelhos numa queda de jumento e não podia chorar na hora de passar o velho merthiolate. Eu acredito que os meninos da minha geração foram os últimos dessa estirpe. De 75 pra cá eu comecei a ver menino comendo maçã raspada de colher, geleias acondicionadas em embalagens de luxo, além dos achocolatados e afins. No meu tempo era o velho mingau de araruta que até servia de rima quando se queria xingar alguém.

A primeira vez que eu vi um picolé foi no Quixeramobim. Foi um dia especial... Fomos numa Rural marca Willys, do meu tio Zé Adauto, vi a ponte, a matriz e o trem da velha cidade sertaneja pela primeira vez. Nesse tempo ainda havia trens de passageiros e eu fui brincar justo na linha do trem, para vexame dos meus pais, que me salvaram por um tris de ser esmagado pelas rodas de ferro da locomotiva. Me deram um picolé da Maguary, que eu recebi muito animado e curioso, mas na hora de chupar, por não ter a menor noção daquela temperatura, “rebolei o picolé no mato” dizendo que o mesmo estava muito quente!

Mel em sachê? Eu nunca vi isso no meu tempo de menino... a gente saia era armado de baladeira para derrubar enchuís a pedradas e voltava pra casa sempre com um olho fechado e os beiços inchados devido a ferroada das abelhas. Menino brabo era chamado de enchuí magro. Se fosse grande demais para idade era galalau e se fosse raquítico diziam que era “movido”. Até hoje não entendi o significado desse termo... “movido”. Talvez, forçando a barra, seria uma corruptela da palavra mirrado. Quem não crescia era encruado ou batoré.

Todo menino sabia construir seus próprios brinquedos. Nesse tempo, “blay-blade” se chamava carrapeta e “arraia” era feita com papel seda, molambos e palitos de coqueiro. Sem falar no cavalinho de tala de carnaúba, pandeirinhos de lata de doce com guizos de tampa de guaraná amassadas e na flauta de taboca. Só se andava por veredas, à noite, dizendo essa quadrinha em voz alta:

São Bento, água benta
Jesus Cristo no altar
Quem tiver no 'mei' do caminho
Se arrede pra mim passar.

Era oração poderosa para São nos livrar de mordida de cobra. Se caía um argueiro no olho, a avó ou a tia mais próxima ensinava logo:

Corre, corre, cavaleiro
Vai na casa de São Pedro
Dizer a Santa Luzia
que mande o lencinho dela
Para tirar esse argueiro.

Por falar em Santa Luzia, todo ano a vovó fazia a experiência das pedrinhas de sal, na noite de 12 para 13 de dezembro, a fim de saber se haveria chuva no ano seguinte. O grande folclorista Sílvio Romero fala de um cientista (o naturalista George Gardner) que esteve aqui pelo Ceará em meados do século XIX e ao presenciar o resultado de uma dessas experiências sertanejas, contradisse a dona da casa, baseado nas suas pesquisas meteorológicas:

- Non, non, non chove... Luzia mentiu!

Eu fiz até um livreto de cordel narrando um episódio parecido, intitulado “O jumento Melindroso desafiando a Ciência”, onde o jegue, é claro, leva vantagem sobre as previsões desse ancestral dos homens da FUNCEME (Fundação Cearense de Meteorologia), que segundo dizem, não dá uma dentro.




No que tange à religião todo menino era batizado um mês depois de nascido e começava a frequentar aulas de catecismo assim que completava os sete anos de idade. De pequeno já acompanhava terços, novenas, procissões missas e outras celebrações da igreja católica, à qual a grande maioria era filiada. Na semana santa se cobria os santos da casa com panos roxos e não se ligava o rádio para não ouvir música no dia da Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Até as emissoras de rádio botavam uma programação especial, com música clássica da melhor qualidade. Algumas encenavam a paixão de Cristo com radioatores, com direito a muito choro e efeitos especiais. Era impossível não ser tomado por uma sensação de tristeza e respeito por toda aquela aura de misticismo. A própria atmosfera conspirava para isso e a natureza se calava também. Era raro se ouvir o canto de um pássaro nesses dias. Ainda lembro da visita pastoral de Dom Rufino, bispo da Diocese de Quixadá, que andou em Santas Missões pelo Castro, Lacrau (hoje se chama União) e São José da Macaóca. Não perdíamos uma sequer. De manhã cedo papai selava os cavalos e botava a meninada miúda em caçuás, no lombo do jumento Piau. Os maiores iam na garupa do cavalo. Os meninos de 14 anos já podiam se crismar... Era a confirmação do batismo. A Dilma do Marçal, uma velha doida e atoleimada, queria crismar os seus antes do tempo. Botou o Antônio mesmo na cabeça do pelotão dos que iam se crismar. Acho até que ele nem frequentara as reuniões da Crisma. Dom Rufino, com seu jeito simpático e bonachão indagou:

- Que idade tem esse menino?

A Dilma era doida, mas não era burra, então foi logo dizendo:

- Tem doze... tem treze... é mesmo que ter catorze!!! Pode crismar logo!

O bispo sorriu, balançou a cabeça e crismou.

Eu vi televisão pela primeira vez aos 10 anos de idade... E era televisão pública, na praça de Madalena, com imagem em preto e branco e som distorcido, com direito a todo tipo de chiado. E ainda tinha mulher que suspirava quando aparecia o Francisco Cuoco com aquele seu olhar de cabra morta e seu jeito canastrão.

Afinal de contas, meu povo, para encurtar essa conversa, eu sou do tempo do Scooby Doo! É por isso que eu não sou nem quero ser esse tal de CHARLIE HEBDO. Não sei, não quero saber e tenho raiva de quem sabe. Os franceses que mexam o seu angu escaldado pois quem provar desse pirão, come cinturão. Ofender a crença religiosa dos outros é mesmo que mexer com enxuí magro. E o Scooby Doo entrou aqui por força de rima... é o poeta querendo ocupar o lugar do cronista.



Arievaldo Viana (14-01-2015)