quarta-feira, 9 de abril de 2014

DONA BARATINHA - LANÇAMENTO!


V Feira do Livro Infantil de Fortaleza
De 09 a 12 de abril de 2014
Na Praça do Ferreira e Centro Cultural BNB

Lançamento de DONA BARATINHA E SEU CASÓRIO ATRAPALHADO, do escritor cearense Arievaldo Viana, dia 12 de abril, às 10h00, no Centro Cultural BNB.
Rua Conde D'Eu, 560 - Centro.

sexta-feira, 4 de abril de 2014

ARIEVALDO VIANA NA FLIPINHA 2014


Novo livro de Arievaldo Viana, ilustrado por Jô Oliveira


FLIPINHA 2014  ANUNCIA 

AUTORES CONVIDADOS

Entre 30 de julho e 3 de agosto, o programa educativo da Flip contará com a presença de 9 escritores e 6 ilustradores, que participarão da Ciranda de Autores, uma das mais concorridas atividades da programação da Flip voltada ao público infantil.
Além da programação dos cinco dias de festa, a Flipinha realiza ações permanentes com o objetivo de estimular a leitura e a criatividade entre as 13 mil crianças e jovens matriculados nas escolas públicas e particulares de Paraty. Para isso, oferece atividades durante todo o ano. Desde março de 2013 sua programação já recebeu 1.896 participantes.



Autores que estarão na Flipinha

Para esta edição, a programação traz uma série de autores com temáticas muito diversas. O teatro e o cordel se encontram na obra Othelo e Desdêmona, o mouro de Veneza em cordel, uma adaptação deArievaldo Viana de uma das mais emblemáticas peças de Shakespeare. Outras obras que se aproximam da temática nordestina são Cordel da Candelária e Cordel das Cavalhadas, da escritora Sandra Lopes, com ilustração de Luciana Grether Carvalho, também convidada desta edição.
Os contos de fadas estão presentes no livro Felizes para sempre, do ator e escritor Augusto Pessôa, no qual ele mistura seus próprios personagens aos clássicos da literatura infantil – Cinderela, a Bela e a Fera, e a Moura Torta (de Monteiro Lobato). Também nos contos de fadas se inspira Rosana Rios em O monstro monstruoso da caverna cavernosa, que traz uma princesa entediada e um príncipe atrapalhado.
Em seu trabalho, Fábio Sombra resgata histórias e lendas rurais e da floresta em livros como Arara, tucano, bordados no pano e De onde nascem as histórias: uma lenda do povo Zulu. Mitos brasileiros estão presentes também nos livros dos autores Mario Bag, como Mentiras caipiras e Mitos e lendas do folclore do Brasil, e Roni Wasiry Guará, que recria a cultura indígena em obras como Caíçú Indé: o primeiro grande amor do mundo.
Fonte: http://www.paratyonline.com/jornal/2014/03/flip-paraty-flipinha-2014-anuncia-autores-convidados/

quarta-feira, 26 de março de 2014

ILUSTRAÇÕES DE ARIEVALDO VIANA



As ilustrações aqui postadas foram criadas por Arievaldo Viana para ilustrar o novo livro do poeta MOREIRA DE ACOPIARA, intitulado "Mitos e Lendas em Cordel", que deverá sair em breve pela editora IMEPH.

Trechos:

FOLCLORE. O QUE É ISSO?

Folclore é o conjunto
Das crenças e tradições;
Conhecimentos do povo,
Lendas e superstições,
Adivinhas, festas, causos,
Poesias e canções.

São anedotas, são gestos,
E histórias que causam medos;
Cantigas, jogos, parlendas,
Artesanatos, brinquedos,
Brincadeiras, danças, contos,
Vestuários e segredos.

São orações e crendices,
São ditados populares...
E ele está muito presente
Nos mais diversos lugares,
Desde as mais simples moradas
Aos mais suntuosos lares.

É tudo que se conhece,
Sem se saber do autor;
Nasce no meio do povo,
Nem sempre no interior,
Passa de pai para filho,
Ganha forma, ganha cor.

Melhor representação
Do povo de algum lugar.
Portanto, onde tiver gente,
Sempre há jeito de cantar,
Brincar, dançar, rir, comer,
Fazer, inventar, contar.

Sempre haverá algum jeito
De celebrar nascimentos,
De recordar o passado,
Comemorar casamentos,
Louvar a vida e a morte,
Reinventar sentimentos.



quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

A PELEJA DE PINTO E MILANÊS



Severino Pinto (Pinto do Monteiro)


Severino Milanês da Silva







Por: Arievaldo Viana (da ABLC - Academia Brasileira de Literatura de Cordel)

Um dos poetas que eu mais lia e gostava na minha infância era Severino Milanês da Silva. Li a sua célebre peleja com Severino Pinto (totalmente escrita por Milanês), li “O príncipe do Barro Branco“, “Romance das 3 princesas encantadas“, “O príncipe Guidon e o Cisne Branco“, enfim, sempre fui admirador desse vate sertanejo pela riqueza de imagens que utiliza na descrição dos cenários e dos personagens.


Severino Pinto foi um grande repentista, mas não escreveu cordel. Aliás, segundo as pessoas que o conheceram, dizem que ele mal sabia assinar o nome. Jamais escreveu coisa alguma, pois era um amante do improviso. Alguns apologistas dos improviso costumam enaltecer as qualidades do repentista em detrimento do poeta de bancada, ignorando que uma peleja do quilate desta que foi produzida por Milanês, está repleta de grandes momentos poéticos.
Na opinião do pesquisador Roberto Benjamim, Severino Milanês, pernambucano de Bezerros (18 de maio de 1906 – Vitória de Santo Antão, 1956/1967) “tanto era bom no improviso da cantoria, quanto nos romances, e alguns deles ficaram imortalizados na memória popular, visto sua predileção pelas histórias de amor e de príncipes e princesas de reinos imaginários.”
Milanês não era muito cuidadoso com a geografia nem com a história. Vez por outra abusava da “licença poética” na composição de seus romances, que às vezes beiram o surrealismo, mistura gênios e fadas com índios guerreiros e gigantes desaforados que chamam o herói de “cabrinha” e outros xingamentos tipicamente nordestinos no auge da luta. Deve ter sido leitor assíduo do livro “O mártir do Gólgota”, do espanhol Enrique Pérez Scrich, pois freqüentemente fala da Palestina com a mesma graça e beleza… Confesso que quando vi as primeiras fotos da terra de Nosso Senhor Jesus Cristo fiquei deveras decepcionado, pois na descrição de Scrich e Milanês é o cenário mais bonito do mundo:
O Reino do Barro Branco 
É detrás de uma colina
Cercado por quatro rios 
De água potável e fina
Fica nos confins da Ásia
Bem perto da Palestina.
O Príncipe do Barro Branco, por ser um dos clássicos mais procurados da Literatura de Cordel, foi reescrito por Manoel Pereira Sobrinho, para editora Prelúdio, de São Paulo
Outras obras de Severino Milanês:
- Estória de Rosa e Maximiano; 
- História de dois amigos – Joãozinho e Nequinho; 
- História de Ubirajara e o índio Pojucan; 
- História de Valentão do mundo; 
- Romance de Noêmia e Luís; 
- Romance de Amédio e Lucinda; 
- O valor do dinheiro e a beleza da mulher; 
- O rapaz que mamou na onça.
PINTO DO MONTEIRO, REI DOS REPENTISTAS
Severino Pinto, paraibano da cidade de Monteiro, é uma verdadeira legenda no mundo da cantoria. Alguns cantadores da atualidade chegam mesmo a dizer que ele foi o maior repentista de todos os tempos. Nunca escreveu uma linha para cantar, fazia tudo de improviso, pegando na deixa e fulminando os adversários que pretendiam desbancá-lo. É presença obrigatória em qualquer antologia de cantadores que se pretenda escrever.
É impossível falar de humor na cantoria sem lembrar o velho mestre do Monteiro. Por isso, selecionamos alguns repentes geniais do velho Pinto do Monteiro. Cantando com um parceiro muito atrasado, desses que rimam capim com “passarim”, Pinto foi impiedoso:
“ Cantar com cantador ruim
É como correr na pista,
Num carro velho sem freio,
E um chofer curto da vista,
Com um doido gritando em cima:
- Atola o pé, motorista!”
Numa cantoria, um sujeito com uma enorme verruga no nariz, torcia ardorosamente pelo adversário, o que não passou desapercebido ao menestrel do Monteiro:
“Eu não tenho confiança
Em cabra que tem berruga;
Cachorro da boca preta,
Terreno que pouco enxuga,
Comida que doido enjeita,
Casa que cigano aluga.”
Folheto editado em Juazeiro do Norte-CE, na Tipografia São Francisco
TRECHOS DA PELEJA COM SEVERINO PINTO
Peleja de Pinto com Milanês – Autor: Severino Milanês da Silva
Milanês estava cantando
em vitória de Santo Antão
chegou Severino Pinto
nessa mesma ocasião
em casa de um marchante
travaram uma discussão.
M – Pinto, você veio aqui
se acabar no desespero
eu quero cortar-lhe a crista
desmantelar seu poleiro
aonde tem galo velho
pinto não canta em terreiro
P – mas comigo é diferente
eu sou um pinto graúdo
arranco esporão de galo
ele corre e fica mudo
deixa as galinhas sem dono
eu tomo conta de tudo
M – Para um pinto é bastante
um banho de água quente
um gavião na cabeça
uma raposa na frente
um maracajá atrás
não há pinto que agüente
P – Da raposa eu tiro o couro
de mim não se aproxima
o maracajá se esconde
o gavião desanima
do dono faço poleiro
durmo, canto e choco em cima.
M – Pinto, cantador de fora
aqui não terá partido
tem que ser obediente
cortês e bem resumido
ou rende-me obediência
ou então é destruído
P – Meu passeio nesta terra
foi acabar sua fama
derribar a sua casa
quebrar-lhe as varas da cama
deixar os cacos na rua
você dormindo na lama
M – Quando vier se confessar
deixe em casa uma quantia
encomende o ataúde
e avise a feguezia
que é para ouvir a sua
missa do sétimo dia
P – Ainda eu estando doente
com uma asa quebrada
o bico todo rombudo
e a titela pelada
aonde eu estiver cantando
você não torna chegada
M – O pinto que eu pegar
pélo logo e não prometo
vindo grande sai pequeno
chegando branco sai preto
sendo de aço eu envergo
sendo de ferro eu derreto
P – No dia que eu tenho raiva
o vento sente um cansaço
o dia perde a beleza
a lua perde o espaço
o sol transforma-se em gelo
cai de pedaço em pedaço
M – No dia que dou um grito
estremece o ocidente
o globo fica parado
o fruto não dá semente
a terra foge do eixo
o sol deixa de ser quente
P – Eu sou um pinto de raça
o bico é como marreta
onde bate quebra osso
sai felpa que dá palheta
abre buraco na carne
que dá pra fazer gaveta
M – Eu pego um pinto de raça
e amolo uma faquinha
faço um trabalho com ele
depois pesponto com linha
ele vivendo cem anos
não vai perto de galinha
(…)

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Exposição de Jô Oliveira na RÚSSIA



Exposição de JÔ OLIVEIRA na Rússia


Jô Oliveira, grande ilustrador pernambucano, com o qual já fiz vários projetos em parceria, está realizando uma exposição de seus trabalhos na Rússia. O texto a seguir é uma tradução de um texto russo feita por um programa de computador... 


Na Biblioteca Estadual Infantil o russo abriu América. Latina. Para crianças e adultos.

Começou com "macacos selvagens" do país, a exposição de "Brasil real". Trabalho trouxe ilustrador no exterior Jo Oliveira - ele ama o folclore local e incansavelmente pintando personagens mitológicos. Elas são apresentadas aqui e em toda a sua beleza inumana.
Aqui Iara, sirene brasileiros. Metade mulher, metade peixe - nem carne nem peixe em geral. Iscas homens cantando e destrói. E se alguém será capaz de escapar,
ele ainda fica louco - e sem ritual indiano especial não salvou. Shameless em mais missionários europeus se queixaram - encontrados em todo o corpo encantado aborígene...
Aquele desgraçado e ainda um outro representante do sexo frágil - Matinta Pereira. Baba Yaga do nosso caminho. Casa da velha em pernas de frango praticamente só vale na Amazônia.
Ele não voltar para a selva.Mas sua travessuras amante piores nossos "pés de marfim." Há outros personagens aqui e menor mitologia - uma invenção conjunta de imaginação
das tribos locais, "vêm em grande número" de europeus e Africano "rabsily". Devido a tal diálogo de culturas vermes indiano, por exemplo, poderia ser preto...
Comentários todas essas criaturas encantadoras impressas como notebooks "Cordell" - livros para os pobres, onde as folhas são amarrados em um fio simples.

Tal popular "literatura de cordel" ainda goza de grande popularidade entre os brasileiros. Vendido quase todas as livrarias, onde se penduravam como underwear - clip-on. Esta Brasil!


JÔ OLIVEIRA é meu parceiro em vários livros, dentre os quais se destacam:




VISITE TAMBÉM: http://www.obrasildejooliveira.com.br/#!arte/c11f



sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

O VAQUEIRO CHICO VIANA E O EINSTEIN DO CEARÁ

Francisco de Assis Viana e Geracina Lobo, meus bisavós

Eu tive dois bisavós com o nome de Francisco de Assis, o padroeiro de Canindé, de quem meus ancestrais eram devotos fervorosos. O primeiro Francisco já foi apresentado neste blog... Trata-se de Francisco de Assis e Sousa, que tinha o apelido de Fitico. O segundo Francisco de Assis tinha a alcunha de "Pai Chico" e foi patriarca de uma prole numerosíssima. Era filho de Miguel Martins Viana e Francisca de Sousa Mello (Mãe Sousa), irmã do citado Fitico. Revendo uma antiga foto do Chico Viana, ao lado de sua esposa Geracina Lobo e duas filhas, percebe-se que eram pessoas bonitas e elegantes, apesar de viverem no meio rural. Meu bisavô era vaqueiro. E essa história de "Einstein do Ceará", o que seria? É o que vamos saber, no decorrer da leitura desse texto a seguir.

Eis alguns apontamentos que consegui reunir sobre esse ancestral:


Francisco de Assis Viana e Geracina Lobo Viana


Francisco de Assis Sousa Viana, o Pai Chico, avô paterno de minha mãe, era filho de Miguel Martins Viana e de Mãe Sousa. Casou-se com Geracina Lobo Viana, filha de José Martins Viana e Luzia Geracina de Sousa Lobo, casal procedente de Santa Quitéria, no dia 15 de julho de 1906, na capela de Belém (Itatira). Essa Luzia Geracina era irmã do escritor João Miguel da Fonseca Lobo, considerado o “Einstein do Ceará”, por haver publicado obra pioneira com especulações sobre a Teoria da Relatividade, no ano de 1907. José Martins era irmão de Miguel Martins Viana e Luzia foi professora primária em Belém do Machado, atual Itatira, que até a década de 1940 do século passado pertencia ao território de Quixeramobim. É provável que tenha vindo para Belém na companhia de seu irmão João Miguel da Fonseca Lobo, que negociou com tecidos na Serra do Machado na década de 1850, quando tinha apenas 12 anos de idade, segundo nos informa o Barão de Studart. Durante a terrível seca de 1877-79 seguiu para a Amazônia atraído pela exploração dos seringais e ali fez fortuna, retornando definitivamente 15 anos depois.
Casamento católico de Francisco e Geracina, na capela de Belém do Machado. 
Registrado no livro da Paróquia de Canindé-CE pelo vigário Frei Mathias de Ponterânica.
CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR!

Para quem não conseguiu decifrar o manuscrito eis a sua transcrição integral: "Aos quinze dias do mês de julho do ano de mil novecentos e seis, na capela de Belém, nesta Paróquia de São Francisco de Assis de Canindé, na presença do Reverendíssimo Frei Marcelino, comparareceram para se receberem por marido e mulher Francisco de Assis Viana e Geracina de Sousa Viana, já se achando dispensados de impedimento de consanguinidade em segundo grau colateral e igual, lhes foram dadas as bênçãos nupciais de conformidade com o rito da Santa Madre Igreja Romana, na presença das testemunhas Esmerino Alfonso Lobo e Antônio Maciel de Araújo. E para constar mandei fazer este assento que assino, o Vigário Frei Mathias."

Chico Viana faleceu em 19 de março de 1965. Francisca Geracina Lobo Viana, nascida em 1883, faleceu no dia 16 de janeiro de 1969. Os Vianas vieram de Sobral e Santa Quitéria para Serra do Machado e depois para o Castro e a Cacimbinha. Parece que uma leva anterior já havia chegado na região, esquivando-se do recrutamento de “voluntários” para a Guerra do Paraguai.
As pessoas que conheceram o Chico Viana descrevem-no como um sujeito brincalhão, alegre, expansivo e de conversa agradável. Inicialmente morou no Castro, numa casa próxima a de seus pais (ou seria a mesma?) – depois mudou-se para o município de Capistrano de Abreu, onde foi vaqueiro do coronel Chico Nunes, pai de José Walter Cavalcanti, ex-prefeito de Fortaleza, que hoje dá nome a um populoso bairro de nossa capital. Por volta de 1950 retornou para o meio de sua parentela, indo residir na Várzea Grande. Eis a descendência do casal:

1 – Raimundo de Assis (Lobo) Viana – c.c Preta Maciel
2 – José (Dedé) – c.c Lourdes Guerra / e depois com Raimundinha (mãe do Zé Milton)
3 – Almerinda Lobo Viana – c.c Raimundo Chagas – Pais do Galileu Chagas Viana
4 – Mariquinha – c.c Aristóteles Maciel
5 – Neomísia (Dodó) – c.c José Sousa Viana (Tio Dica)
6 – Ernesto – c.c Edite, natural do município de Capistrano
7 – Miguel de Assis Viana (Caboclo) – casado com Áurea de Sousa Viana, meus avós maternos.
8 – Francisco (Chico Preto) – c.c Iracilda
9 – Antônio – c.c Lucila
10 – Alberto – c.c  Hilda
11 – Expedito – c.c Luizinha
12 – Guilherme (Guedim) – c.c Senhorinha (Natural do Capistrano)
13 – Branca (Geracina) – morreu solteira
14 – Alcides – c.c Moça (Filha do Chicó da Várzea Grande).


ASCENDÊNCIA DO BISAVÔ CHICO VIANA

Francisco de Assis Sousa Viana era filho de Miguel Martins Viana e Mãe Sousa (Francisca de Sousa Melo), filha de Miguel José de Sousa Mello e Francelina Paulino do Amor Divino. Casou-se em 1906 com Geracina Lobo Viana.
Miguel Martins era filho de Francisco Martins Viana e Ana Feijó de Mello.
Geracina Lobo Viana, minha bisavó, nasceu em 1883. Era filha de José Martins Viana (irmão de Miguel Martins Viana) e de Luzia Geracina Alves da Fonseca Lobo, filha de Vicente da Fonseca Lobo, família residente em Santa Quitéria. Luzia era prima (ou tia) do Dr. João Otávio da Fonseca Lobo (filho do Cel. Manoel Alves da Fonseca Lobo, advogado rábula e juiz de paz).
Seus irmãos eram:
1 - Maria Amélia Lobo Viana (Marica), casada com Raimundo Araújo Viana (Raimundo Eustaquilino), pais do Abdísio, Luzia e Francisca.
2 – Laura (solteira)
3 – Francisca (Chiquinha), casada com Antônio Araújo Viana (Eustaquilino). Antônio era viúvo e fora casado anteriormente com Francisca, filha do Miguel Martins e Mãe Sousa;
4 – Senhor Lobo (Raimundo Lobo Viana), nascido em 1880, primeiro marido da tia Francelina de Sousa Viana. Foram pais de numerosa prole, dentre os quais o Chico Lobo, que aos 98 anos de idade prestou boas informações para a nossa pesquisa.
5 – Maria, casada com Abel Pimentel de Sousa (Belo)
6 – Artur Lobo Viana (1879) – casado com Inês Guerra;
7 – Sinhá, casada com Silvestre Guerra (irmão de Inês Guerra);
8 – José, casado com Maria do Espírito Santo (Paulino)
9 – Francisco – solteiro.


Artur Lobo Viana, marido de Inês Guerra


Sobre o escritor e filósofo João Miguel da Fonseca Lobo, irmão da trisavó Luzia Geracina de Sousa Lobo, é interessante registrar o que escreveu sobre ele o Barão de Studart, com a devida atualização da ortografia:

O intrigante filósofo João Miguel da Fonseca Lobo, irmão de minha trisavó Luzia Geracina

João Miguel da Fonseca Lobo - Seus bisavós, paterno e materno, eram portugueses, ricos fazendeiros; um deles, Francisco Lobo dos Santos, residia no município de Quixeramcbim; o outro, José de Souza Maia, residia no município de Santa Quitéria.
Seus pais, Vicente Alves da Fonseca Lobo e D.a Geracina Carolina de Sousa Lobo, já não alcançaram as fortunas dos avós, devido ás vicissitudes más por que sempre tem passado o Ceará.
Nasceu a 29 de Setembro de 1849, em um Sitio denominado —Sussuanha ou Suassú-anha, município do Campo Grande (atualmente Guaraciaba do Norte), sobre a Serra da Ibiapaba.
Na idade de seis anos completos entrou numa escola de primeiras letras, na vila de Santa Quitéria, onde passou a infância e aos doze anos foi negociar com fazendas (tecidos) na Serra do Machado (Itatira). Quando aos 26 preparou-se para ir matricular-se na Escola Militar do Rio de Janeiro, mas, indo antes ao Amazonas a tratar de cobranças lá permaneceu 15 anos, num trabalho permanente, árduo e penosíssimo, com o fim único de ganhar dinheiro para ajudar aos velhos pais e família já muito empobrecidos pela seca de 1877.
Em 1891* mudou-se de vez para Fortaleza.
Publicou:
Fragmentos de Philosophia Natural e Especulativa, in 8." de 290 pp., impresso em Lisboa na Typ. do Annuario Commercial, Praça dos Restauradores n.o 27, 1909.

Fonte: Diccionário Bio-bibliográfico Cearense-Barão de Studart.

A data de seu falecimento, 10 de janeiro de 1938, está registrada na Revista do Instituto Histórico e Geográfico do Ceará. Outras obras publicadas por João Miguel foram:
- A camponesa – Romance, 1914;
- A Hipotipose do Mundo – Premoção de um médium, lenda filosófica, traços românticos; que traz dedicatória ao seu sobrinho Dr. João Otávio Lobo, datada de 4 de setembro de 1923;
- Jesus Cristo e Maria Madalena – Lenda Judaica; romance publicado em Portugal que teve sua primeira edição rapidamente esgotada. Em 2009 saiu uma segunda edição do romance prefaciada e organizada por Moysés Rodrigues Pereira.


Segundo seu bisneto Newton Lobo, a quem devemos a maioria das informações aqui registradas, além dos livros já mencionados, João Miguel deixou outras obras inéditas, que infelizmente se extraviaram durante uma enchente ocorrida na Moitinga, um dos sítios de sua propriedade. 

  
* O Barão de Studart dá como ano de sua fixação em Fortaleza 1871, o que é improvável, pois ele só veio para capital cearense depois de haver trabalhado nos seringais da Amazônia. A data correta, segundo Moysés Pereira, é 1891.

VER ENTREVISTA DE MOYSÉS PEREIRA SOBRE FONSECA LOBO, NO PROGRAMA "PAPO LITERÁRIO"
Link: https://www.youtube.com/watch?v=qY0h8XdlFik



* * *

MEUS AVÓS MATERNOS, AURINHA E MIGUEL


Meus avós maternos Áurea de Souza Vianna e Miguel de Assis Lobo Vianna

Pais do Chico Viana – Miguel Martins e Mãe Sousa
Pais da Geracina – José Martins e Luzia Geracina de Sousa Lobo
Pais de Luzia: Vicente da Fonseca Lobo – Geracina Carolina de Sousa Lobo
Filhos do casal Pai Chico e Mãe Sina: Raimundo, Almerinda, José (Dedé), Miguel (Caboclo), Maria (Mariquinha), Alberto, Ernesto, Guilherme, Alcides, Neomízia (Dodó), Francisco (Chico Preto), Antônio, Expedito, Branca (Geracina). Ao todo, 14 filhos.

* * *

ESSA E MUITAS HISTÓRIAS DAS FAMÍLIAS SOUSA MELLO, MARTINS VIANNA, FONSECA LOBO E SEVERO BARBOSA VOCÊ VAI ENCONTRAR NO LIVRO "SERTÃO EM DESENCANTO"; LANÇAMENTO DIA 07/05/2016.


quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

A CIGANA ESMERALDA


Ilustração: ARIEVALDO VIANA

 

O TESTAMENTO DA


CIGANA ESMERALDA


Autor: Leandro Gomes de Barros
 

QUERES saber tua sorte
Para tua proteção?
Estuda o Livro dos Sonhos
E preste muita atenção
Aprenda a ler tua sina
Nas linhas da tua mão.

 
É a Cigana Esmeralda
Que dá o apontamento,
Com um príncipe da França
Foi feito o seu casamento,
Vamos ver o que ela diz
No seu grande Testamento.
 

É um testamento achado
Por um bando de ciganos
Que andou toda a Europa
No correr de muitos anos
E no rancho de Esmeralda
O descobriu entre panos.
 

Esse bando de ciganos
Veio depois ao Brasil
Trazendo esses papéis
Escondidos num barril
Aportou aqui em quarenta (1840)
A quinze do mês de abril.
 

Quem quiser fazer negócio
No primeiro de janeiro
Não queira vender fiado
Receba logo o dinheiro
Senão venderá fiado
No correr do ano inteiro.
 

Goze o dia do ano
Em festança e brincando
Quem trabalha nesse dia
Passa o ano trabalhando
E quem nele viajar
Passa o ano viajando.
 

Lembrai-vos do Ano Bom
O tempo é coisa que voa
Reparai quando encontrardes
Com a primeira pessoa
Menina, rapaz ou moça
Encontra promessa boa.

 
Não queira em dia de ano
Adquirir intrigado
Porque é dia feliz
Para assistir-se um noivado
É bom para se gozar
A festa de um batizado.
 

A Cigana Esmeralda
Falando em seu natural
Disse que nesse mundo
A vida é comercial
Sem quadras e sem idéias
Não se forma cabedal.
 

E nisso ela não errou
Antes, andou acertada
Antes de entrar em negócio
Estuda logo a parada,
Para não ires cair
Em coisa muito embrulhada.
 

Não jogue na loteria
Que tenha prêmio avultado
Desconfiar das vantagens
Que nunca deu resultado
Como bem, rifas e máquinas
São sonhos de acordado.

(...)