sábado, 31 de agosto de 2019

CENTENÁRIO DE JACKSON DO PANDEIRO

Caricatura de William Medeiros

Cantor, instrumentista e compositor, José Gomes Filho, conhecido como Jackson do Pandeiro, nasceu em Alagoa Grande, Paraíba, no dia 31 de agosto de 1919, filho do oleiro José Gomes e da cantora de coco pernambucana Flora Mourão (Glória Maria da Conceição).
Aos oito anos, começou a tocar zabumba e passou a acompanhar sua mãe nas festas de Alagoa Grande. 
Em 1932, após a morte de seu pai, mudou-se com a mãe e os irmãos para a cidade de Campina Grande, também na Paraíba, onde começou a trabalhar como entregador de pão e engraxate, para ajudar a sustentar a família.
Gostava de assistir aos emboladores de coco e repentistas na feira da cidade, assim como adorava cinema, principalmente os filmes de faroeste:
Na época eu brincava de artista, naquele tempo do cinema mudo. Então tinha aquele pessoal do faroeste, e todo menino fazia suas quadrilhas, de índio, de chefe de quadrilha, de bandido, e eu era então o Jack Perry. Comprei um chapelão de palha, um revólver de madeira, e a gente brincava. Depois fui crescendo, tinha que ajudar minha mãe a dar de comer à moçada e tive que trabalhar. Parei com a brincadeira mas fiquei com o nome Jack, só J-a-c-k. Comecei a tocar pandeiro e os caras: – Come que é, e aí, Jack, Jack do Pandeiro… Fiquei sendo Jack do Pandeiro.
Em 1936, aos 17 anos, largou o trabalho e foi ser substituto do baterista de um conjunto musical do Clube Ipiranga, sendo efetivado posteriormente como percussionista do grupo. 
Em 1939, utilizando o nome artístico de Jack do Pandeiro, passou a fazer dupla com o irmão mais velho de Genival Lacerda, José Lacerda, começando a fazer sucesso em Campina Grande.
No início da década de 1940, mudou-se para João Pessoa, capital da Paraíba, onde continuou a tocar em cabarés, sendo depois contratado pela Rádio Tabajara, atuando com o nome artístico de Zé Jack. 
Mudou-se para o Recife, Pernambuco, em 1948, para trabalhar na Rádio Jornal do Commercio, onde passou a adotar o nome artístico de Jackson do Pandeiro, considerado de maior efeito sonoro, formando uma dupla com o já famoso compositor e apresentador Rosil Cavalcanti. 
Só conseguiu gravar seu primeiro disco pela Copacabana, em 1953, um compacto em 78 rpm, contendo dois dos seus maiores sucessos, Sebastiana, de autoria do seu companheiro Rosil Cavalcanti e Forró em Limoeiro, de Edgar Ferreira.
Fonte: GASPAR, Lúcia. Jackson do Pandeiro. Pesquisa Escolar Online, Fundação Joaquim Nabuco, Recife. Disponível em: <http://basilio.fundaj.gov.br/pesquisaescolar/>. Acesso em: dia  mês ano. Ex: 6 ago. 2009.

quinta-feira, 29 de agosto de 2019

RAPUNZEL NAS RIMAS DO CORDEL


RAPUNZEL

Adaptação para o CORDEL: Arievaldo Vianna

Ilustração do Autor. (Direitos Reservados)

Um conto dos Irmãos Grimm
Vou recontar em CORDEL,
Usando a métrica e a rima
Vou rabiscando o papel,
Pois quero contar em versos
A história de RAPUNZEL.

Era uma vez um casal
Que um belo reino habitava
E por viver bem unido
Esse casal desejava
Ter um filho, mas o sonho
Jamais se realizava...

Faziam preces a Deus
Para um filho conceber
Então um dia o marido
Ouviu a mulher dizer:
— Se prepare meu querido,
Pois um filho vamos ter!

Pertinho da casa deles
Morava uma feiticeira
Malvada e muito temida,
Mas muito trabalhadeira,
Que tinha uma bela horta
Com vegetais em fileira.

Porém vou me ocupar
Da mulher do camponês
Que estava muito contente
Com a sua gravidez
Dizendo ser resultado
De uma promessa que fez.

Mas durante a gestação
A tal mulher desejou
Uns vistosos rabanetes
Que da janela avistou;
E o desejo proibido
A cada dia aumentou.

O seu marido notou
Que ela andava abatida
Não comia mais direito
E andava entristecida
Então quis saber a causa
Que a deixava aborrecida.

A mulher do camponês
Lhe disse dessa maneira:
— Eu desejo os rabanetes
Do quintal da feiticeira...
Disse o marido: — Essa não!
Vou comprar outros na feira.

Mas a mulher do campônio
Se mostrou intransigente
Dizendo para o marido
Que seu desejo era urgente;
E tão belos como aqueles
Não havia, certamente.

E tanto disse a mulher
Que o marido concordou
Arranjando uma escada
Logo o tal muro escalou,
Então, apressadamente
Os rabanetes furtou.

Voltou muito cauteloso
À sua pobre morada,
A mulher muito contente
Preparou uma salada
E comeu com muito gosto
Ficando deliciada.

Porém no dia seguinte
Seu desejo retornou
Muito mais forte que antes
E a mulher implorou
Que ele fosse novamente
Até que ele concordou.


(...)

Lançamento em breve, 
na IV FEIRA DO CORDEL BRASILEIRO

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

BIENAL DO LIVRO DO CEARÁ


CLIQUE NA IMAGEM PARA AMPLIAR

PRAÇA DO CORDEL

Na XIII BIENAL INTERNACIONAL 
DO LIVRO DO CEARÁ

De 16 a 25 de agosto, 
no Centro de Eventos do Ceará
COMPAREÇA! PRESTIGIE!

Álbum de fotos:
(Clique nas fotos para ampliar)


Lançamento do livro OS MILAGRES DE ANTÔNIO CONSELHEIRO,
com Manoel Severo Barbosa e Bruno Paulino.


Meu pai, Evaldo de Sousa Lima, declamando na Praça do Cordel.


Com meu "mascote" João Miguel



Com o humorista e poeta Jáder Soares, o Zebrinha


Momento com o secretário de cultura Fabiano Piúba, Governador Camilo Santana,
Klévisson Vianna e Khalil Antonio.


Com Juliana Araújo Silva


Grandes presenças na Praça do Cordel


terça-feira, 6 de agosto de 2019

CEM SONETOS




Lançamento da Antologia: 

100 Sonetos de 100 Poetas


O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade tem a grata satisfação de convidar a todos para o lançamento da coletânea “100 Sonetos de 100 Poetas” que acontecerá às 17h30min do dia 25/08/2019 no Espaço Juvenal Galeno da XIII Bienal Internacional do Livro do Ceará, no Centro de Eventos do Ceará, na Av. Washington Soares, 999 – Edson Queiroz – Fortaleza-CE.
A coletânea, que conta com participação de 100 poetas sonetistas de todo o Brasil, foi organizada por Luciano Dídimo com a colaboração dos professores Bôscoly Morais e Carlos Gildemar Pontes, sendo enaltecida com o prefácio de Sânzio de Azevedo, um dos maiores especialistas cearenses em Teoria do Verso!

Na ocasião o livro poderá ser adquirido pelo preço promocional de R$20,00 a unidade, com desconto de 25% na compra de 10 unidades (R$150,00).
Após, o lançamento, a aquisição dos livros poderá ser feita através do e-mail ihd@institutohoraciodidimo.org ou pelo whatsapp 85 98895 5966

Confira abaixo a lista dos 100 poetas participantes:

Adriano de Alvarenga Azevedo – Ideal de Paz
Airton Uchoa Neto – Andropausa
Julioealana Soares Alana Girão de Alencar – A… calma
Alan Bezerra Torres – Metanoia
Ana Maria Nascimento – Presença de Outono
Ana Néo – Antissoneto
Antônio Francisco Pereira – A Travessia
Antônio Ortiz – Soneto de meu pai
Arievaldo Vianna – Dilemas de Ícaro
Arlindo Tadeu Hagen – O Breu da Ausência
Batista de Lima – Outonal
Bôscoly Morais – Ninho Vazio
Bruno Paulino – Poema do Peregrino
Caio Fraga – Soneto Resoluto
Carlos Gildemar Pontes – Na luz da tua imagem
Carlos Eduardo Vargas – Cristo: Alimento da Igreja
Carlos Vazconcelos– Em defesa do soneto
Célia de Paula – Entardecer
Daniel Perroni Ratto – Soneto da Busca
Décio Romano – Soneto 113
Diana Balls Gisele Sant Ana Lemos – Verdade
Dimas Carvalho Muniz – O Espelho
Diogo Fontenelle – Soneto ao Eu-Menino
Edir Pina de Barros – Confissões
Edmar Freitas – O Tempo
Elimax de Andrade – Solidão
Elvira Drummond – O Muro e a Ponte
Estela da Paz Alma Carmelita Ocds – Soneto à Rainha do Carmelo
Eugênia Carra’h – As Pérolas da Vida
Fabiana Guimarães – Primeiro Soneto
Fernando Vieira Saboia – Soneto para a Alma
Francisco Lopes Neto Franciscus – Cânticos, 6
Francisco Silvino Silvino – O Tempo
Gilliard Santos da Silva – Soneto de Esperança
Giselda Medeiros – Insanidade
Gonzaga Mota – Sentido da Vida
Guiomar VasconcelosFrota – Saudade
Henrique Beltrão – Soneto Torto
Inês Carolina Rilho – Ecoando n’alma
Isabel Furini– Batalha Poética
Ismar Dias de Matos – Diamantina
Issrael Batista de Sousa – Rosemary
Izaíra Izaira Silvino – Sonho Alentado
Jader Soares – Vira-lata
João de Arimateia de Melo – Líquidas Palavras
Jose Feldman – Mistérios da Vida
José M. M. Pedro – Antes que surja o amor
Josenir Lacerda – Anseio
José Valdivino – Carmelitas
J Udine Vasconcelos– A Morte do Velho Monge
Julio César Soares César Martins Soares – A mulher nasce do sonho
Júnior Bonfim – Eu Sou
Karla Karenina – Soneto do Amor Passado
Kléber Cação – Tentativas Vazias
Léo Nogueira Rocha – Sinestesia da Fome
Linhares Filho – À Amada do Octogenário
Luciano Dídimo – Sonetos e Sonatas
Lucineide Souto – Então
Magna Maricelle – Terra à vista
Manoel Virgílio – Nada
Marcio Catunda – O Filho Pródigo
Marcos Antônio de Abreu – Soneto do Amor
Marisa Ribeiro– Morada Poética
Marli Voigt – Palco das Flores
Mary Nascimento – Renascimento
Michelle Gomes Moreira – Detalhados Segredos
Mihai Eminescu (Tradução de Luciano Maia) – Veneza
Nádya Gurgel – Redondilhas Menores Doridas
Nahor Lopes de Souza Junior – Não sou poeta
Nealdo Zaidan – Prova Irreal
Nicodemos Napoleão – Filosofia
Nilze Costa Lula da Silva – Navegando
Oliveira de Castela – Sonito
Oswald Barroso – Amor sem medida
Oswaldo Francisco Martins – Amor e Bem Verdadeiros
Paulo Roberto Coelho Ximenes – Magia no Mundaú
Paulo Roberto de Oliveira Caruso – Soneto Decassilábico de Guia
Pedro Bezerra de Araújo – Caminhar, Errar, Perdoar
Pedro Francisco Alves – Força do Equilíbrio
Pedro Ernesto – Os Falsos Heróis da Modernidade
Pedro Sampaio – Soneto à Liberdade
Roberto Coelho – Onde florescem os sonhos?
Roberto Ferrari – Paixão Sentida
Rosanni Guerra– Quartos Vazios
Sânzio de Azevedo – Versos ao Sono
Sônia Cardoso – Manhã
Sônia Nogueira Sonia – Serenidade
Stelio Torquato Lima – Fugaz
Tetê Macambira – Soneto do Querer
Tito de Andréa – Para Lyria
Totonho Laprovitera – Feliz e Satisfeito
Túlio Monteiro – E há pó de estrelas pelas estradas
Vianney Mesquita – Espirituosidade Comedida
Vicente Delgado Carreto – Razone tendrá la muerte
Vicente Maia – Sorriso de Criança
Vicente Freitas – Soneto ao meu pai morto
Vicente Vieira – Louco Poeta
Virgílio Maia – Soneto de Iracema e de Martim
Jose Wilamy Carneiro Vasconcelos – Soneto de Amor!
XicoTorres – Ide



O Instituto Horácio Dídimo de Arte, Cultura e Espiritualidade agradece a todos os autores que estão participando da Coletânea.
Após o lançamento, o livro poderá ser adquirido por encomenda, pelo valor de R$20,00 + taxa de entrega ou frete, através do e-mail ihd@institutohoraciodidimo ou pelo WhatsApp 85 98895 5966. (Faça logo sua reserva)

Como não foi cobrada taxa de inscrição e não há obrigatoriedade dos autores em comprar livros, como é visto em outras coletâneas, pedimos a generosidade dos autores, bem como dos leitores, para que adquiram a maior quantidade possível de exemplares para que se possa pagar os custos da publicação e criar capital de giro para o Instituto, possibilitando assim a promoção de mais eventos e publicações!

Luciano Dídimo
Presidente do Instituto Horácio Dídimo

quarta-feira, 31 de julho de 2019

CENTENÁRIO DE JACKSON DO PANDEIRO



Jô Oliveira produz imagens em homenagem a Jackson do Pandeiro

As imagens são para as celebrações dos 100 anos de um dos ícones da música brasileira

SF Severino Francisco

Neste 2019, o estado da Paraíba celebra, estuda, pesquisa, analisa, canta, dança, recria e respira Jackson do Pandeiro. O ano foi escolhido para ser tema central de uma série de comemorações conectadas com o sistema de educação. Não se trata de uma sessão naftalina. Jackson não é apresentado na condição apenas de representante da tradição; ele é reapresentado na singularidade de artista moderno, que misturava samba com rock, coco com samba, jazz com coco, chiclete com banana. É Jackson do Pandeiro pop.

E Brasília, onde Jackson do Pandeiro morreu em 10 julho de 1982,  entrou na conexão com o artista gráfico pernambucano/brasiliense Jô Oliveira. Ele fez uma série de cartazes e ilustrações sobre o cantor paraibano para uma megaexposição, sob a curadoria de Fernando Moura (biógrafo do cantor), Joseilda Diniz e Chico Pereira, no chamado Museu dos Três Pandeiros, desenhado por Oscar Niemeyer, em Campina Grande (PB).

As imagens de Jô são usadas como uma espécie de logomarca do evento: “A minha ligação com a música de Jackson do Pandeiro e de Luiz Gonzaga vem desde os tempos de criança”, explica Jô. “Para mim, foram eles que deram a grande revelação de uma imagem do Nordeste. Só havia a imagem de miséria e seca. Embora fizessem música, as canções deles tinham uma narrativa visual. Foram determinantes para que eu escolhesse um caminho popular”.

Jô lembra que ia ao cinema para trocar gibis e ver seriados norte-americanos. Ao mesmo tempo, o Nordeste se materializou também nos bonecos de Vitalino e nas xilogravuras do cordel. O cinema brasileiro ainda não havia abordado o cangaço: “A única informação que tínhamos vinha do rádio. Então, por isso, a música de Jackson foi tão importante para mim”.

Nos cartazes e nas ilustrações que criou para representar Jackson do Pandeiro, Jô incorporou as cores, os traços e os signos da cultura nordestina. Estão impregnados de uma psicodelia popular das festas e dos folguedos de rua: “Eu ilustrei muitos livros de clássicos de Shakespeare, dos Irmãos Grimm ou de Lewis Carroll. Levei algum tempo para compreender que tinham uma conexão forte com a cultura nordestina. Nos tempos de criança, eu achava que Branca de Neve era uma história que acontecia do outro lado da serra perto de onde eu morava. O conto popular se veste com roupa local. Então, tento colocar tudo isso nas imagens do Jackson do Pandeiro”.


Jô Oliveira e Arievaldo Vianna, parceiros em vários trabalhos


Estímulo

Jô foi convidado a participar do projeto pela professora Joseilda Diniz, uma das curadoras de uma grande exposição em cartaz no Museu dos Três Pandeiros (há também um memorial, em Alagoa Grande, com objetos e imagens do filho mais famoso da região). Ela estimulou Jô a compor a figura de Jackson com traços da cultura pop da década de 1960, aliado aos elementos da cultura popular nordestina.

Em uma delas, Jackson toca o globo terrestre como se fosse um pandeiro. O paraibano era um cidadão do mundo pela cultura. O museu fez um mapeamento de toda a produção em cordel e xilogravura sobre Jackson do Pandeiro. Além disso, encomendou aos artistas novas produções sobre o rei do ritmo: “O próprio Jô Oliveira se debruçou sobre esse imaginário”, comenta Joseilda. “Reeditamos folhetos e fizemos editais para a criação de folhetos inéditos sobre Jackson. A Secretaria de Educação do estado estabeleceu como atividade obrigatória o ensino da obra de Jackson do Pandeiro por meio de festivais, palestras e visitas a museus”.

Fonte: Correio Braziliense




sábado, 27 de julho de 2019

LANÇAMENTO DA EDITORA IMEPH


Lucília Garcês lança livro sobre Ariano Suassuna com ilustrações de Jô Oliveira


Credito: Reprodução. Ilustração de Jô Oliveira para o livro Ariano Suassuna, de Lucília Garcez.


Por: Severino Francisco

Ariano Suassuna era um personagem em busca de um autor ou de autores que o apresentassem às crianças. Não é mais. Ele encontrou a escritora Lucília Garcez e o ilustrador Jô Oliveira, uma mineira e um pernambucano que se rebrasileirizaram em Brasília. Eles escreveram uma encantadora biografia de Ariano para as crianças (Editora Imeph), mas, que, como toda obra de qualidade pode ser lida por pessoas de qualquer idade.
Ilustração de Jô Oliveira: o real e o mítico entrelaçados na vida de Ariano Suassuna.

A narrativa de Lucília e Jô evolui como um cortejo de maracatu, numa sintonia perfeita entre palavra e imagem. Nos joga, de maneira sensorial, no mundo de Ariano, com sensibilidade e delicadeza: o cotidiano em Taperoá,cidadezinha do sertão da Paraíba; as feiras, as festas populares, os teatrinhos, as cantorias, a chegada do circo. Na precariedade, era possível garimpar um universo cultural riquíssimo. Ariano puxou o fio da tradição medieval transplantada para o nordeste brasileiro.
Como bem diz Flávia Suassuna na apresentação, a biografia revela não apenas os elementos que fizeram Ariano ser Ariano, mas, também, as formas, os sons e as cores. É, ao mesmo tempo, uma biografia e uma fábula.
Ele parece um personagem saído diretamente de um folheto de cordel para a realidade.


Ilustração de Jô Oliveira: o cordão azul atiçou a imaginação de Ariano Suassuna.

Quando era garoto, quis fugir com o circo e só não conseguiu porque levou uma tremenda bronca da mãe. Ficou a frustração de ser palhaço, mas, na fase final da vida, Ariano realizou a vocação plenamente com as suas aulas-espetáculos, em que mistura a erudição de professor de estética com a verve popular de João Grilo paraibano. Ao arrancar o riso das plateias ele ficava com o brilho nos olhos de menino encantado, comemorava cada gargalhada como se fosse um gol.



 Capa do livro Ariano Suassuna; de Lucília Garcez, com ilustrações de Jô Oliveira.

Antonio Candido disse que os grandes homens desapareceram, pois eles dependem das utopias. E Ariano é dessa linhagem, é um Quixote paraibano de múltiplos talentos, mas, antes de tudo, poeta. O Quixote é um herói moral, tem um ideal tão alto que as derrotas não o desmerecem; as derrotas o engrandecem.




Ilustração de Jô Oliveira: cordão encarnado na biografia que parece uma fábula.

A biografia escrita por Lucília e ilustrada por Jô nos revela que a história de Ariano se entrelaça de maneira indivisível com a história brasileira e com a história da cultura popular nordestina. Ele é um personagem épico. E, neste momento, nós estamos precisando, dramaticamente, de brasileiros que nos engrandeçam.
Imagino que, onde estiver, ao folhear o livrinho de Lucília e Jô, Ariano deve estar chorando as lágrimas de esguicho de que fala Nelson Rodrigues, lágrimas da mais pura alegria.



Ilustração de Jô Oliveira: Ariano tinha múltiplos talentos, mas era, antes de tudo, poeta

Fonte: CORREIO BRAZILIENSE - http://blogs.correiobraziliense.com.br/severino/ariano-sob-o-olhar-de-lucilia-e-jo/