terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

SE FREI MANÉ FOSSE COXA?


Fotomontagem feita por Madre Carochinha de Jesus

Num de seus inspirados sermões, Frei Mané Mago de Jurema foi interrogado por um jovem coxinha, totalmente alienado, sobre o caminho que deveria tomar daqui por diante. Eis que o mestre, pegando de seu ganzá e coadjuvado pelo pandeiro de Frei Cancão de Fogo do Tuiuti, deu-lhe a seguinte resposta:


SE EU FOSSE UM COXINHA
(Frei Mané Mago de Jurema)

Se eu fosse um COXINHA
Com a cara de pamonha
Morreria de vergonha
Rezaria a ladainha
Me escondia na cozinha
Pedia perdão a Deus
E desculpas aos ateus
Lambia o chão rastejando
Clamando aos céus, implorando
Perdão pros pecados meus.

Se eu fosse um PANELEIRO
Metia a cara num tacho
Me afogava num riacho
Jejuava um ano inteiro
Entrava no marmeleiro
Correndo com a cangalha
Pois o povo que trabalha
Sofre a maior opressão
Mas o COXINHA CRISTÃO
Foi a favor dessa tralha.

Se eu fosse um PAPANGU
Lá da Praça Portugal
Botava vinagre e sal
E uma pimenta no “U”
Morria igual um peru
De véspera, mas bem contente
Aclamando o presidente
Louvando as suas reformas
E aplaudindo essas normas
Feito um babaca demente.

Se eu fosse um CAPACHO
Da elite conservadora
Apátrida e opressora
Bem merecia um escracho
Quem age assim, não é macho
É só massa de manobra
Quem a sua espinha dobra
Diante de um tirano
Não reconhece o engano
É só um BOSTA DE COBRA.

Se eu fosse um GOLPISTA
Um lascado de direita
Um pobre que não se ajeita
Um miserável entreguista
Que odeia socialista,
Que pensa que é moderno,
Reza para o PAI ETERNO
E acende velas pro diabo
Ia espetar o meu rabo
Nas PROFUNDAS DO INFERNO.

Se eu fosse um ABESTADO,
Um trouxa REACIONÁRIO,
Um Zé Mané, um OTÁRIO,
Um babaca retardado
Um COXINHA APALERMADO
Uma toupeira notória
Sub-produto da escória
O maior dos ABESTADOS
Redimia os meus pecados
Dando a mão à PALMATÓRIA.