sexta-feira, 10 de novembro de 2017

PÉROLAS AOS PORCOS


MINHA VÃ FILOSOFIA
(Do Livro de Cânticos de Frei Mané Mago de Jurema)

Agnus Dei,
Qui tollis peccata mundi,
Miserere nobis.

Canto I

Não sinto necessidade
De estudar filosofia;
Não gosto de frases feitas
E doutrina me entedia...
Minhas frases são pensadas
Medidas e calculadas
Nas lutas do dia a dia.

Se meu coração batia
Do lado que relampeia
Não fujo de trovoada
E nem temo cara feia
Não mudo a minha conduta
Eu nunca fugi da luta
Pois não sou cabra de peia.

Varo deserto de areia
Ao pino do meio dia
E enfrento a besta-fera
Que inventou a tirania
Segundo vovó contava:
Quando eu ia ela voltava,
Quando eu voltava ela ia.

Eu não me meto em porfia
Com um sujeito ignaro
Um “papangu de quaresma”
Conheço só pelo faro
Sua burrice me dói:
Chama INQUISIDOR de “herói”
E vota no Bolsonaro.



CANTO II (Pérolas aos porcos)


Atireis non margaritas ante porcos

Um quilo de tempo é caro
E a nossa luta é urgente
Não há como convencer
Um retardado ou demente
Para evitar contratempo
Eu nunca perco o meu tempo
Com esse tipo de gente.

Não digo que gelo é quente
E nem prego no deserto
Não jogo pérolas aos porcos
Nem durmo de peito aberto;
Conheço bem os seus vultos
Dessa manada de estultos
Não quero passar nem perto.

De uma coisa estou certo
Já sei metade da missa
Falácia não me convence
A mídia não me enfeitiça
Tenho a minha visão crítica
Sei bem o que é política
Sei como age a Justiça.

Partindo dessa premissa
Não aceito discussão
Se alguém concorda comigo
Dê-me um aperto de mão;
Se não, meu bom companheiro,
Vá pregar noutro terreiro
Não venha propor questão.