quarta-feira, 27 de abril de 2016

JOÃO MELCHÍADES FERREIRA NO CCBNB DE SOUSA



A apresentação da palestra "A GUERRA DE CANUDOS NA LITERATURA DE CORDEL" foi uma noite memorável, com público atento e interagindo em todos os momentos na biblioteca do Centro Cultural BNB de Sousa-PB. Vejam algumas fotos do evento:





Fatos marcantes da vida do poeta paraibano João Melchíades Ferreira da Silva, autor do primeiro folheto publicado sobre a GUERRA DE CANUDOS foram divulgados em ordem cronológica:

CRONOLOGIA

1869 – Nasce João Melchíades Ferreira da Silva, a 7 de setembro.
Na infância (década de 1870) frequenta uma escola mantida por seu avô materno, o beato Antônio Simão, seguidor do padre Ibiapina. O que liam os antigos poetas de cordel? Eis o que diz Márcia Abreu, numa tese intitulada “Pobres Leitores”:
Freqüentar escolas não parece ser requisito fundamental para o sucesso na vida de poeta. Entretanto, é necessário entrar em contato com alguns dos conteúdos da tradição letrada. A formação para cantador ou para autor de folhetos passa pela leitura de alguns livros, como a Bíblia, o Lunário Perpétuo, História de Carlos Magno, geografias e histórias do Brasil, alguns romances eruditos, além da indispensável leitura de folhetos de cordel. Diz Manuel Camilo: Eu já sabia ler quando comecei a cantar, graças a Deus. Mas achei pouco. Me preparei mais... A Geografia, as Ciências Físicas, a língua materna, a Bíblia. A Bíblia, então, é um livro que, Deus que me perdoe, não tem igual no mundo. Se todo brasileiro soubesse a Bíblia de cor, a gente nem precisava escrever...  
Seca de 1877 – 1879 – O menino João Melchíades é raptado da porta de sua casa por um grupo de Ciganos, que acompanha durante um certo período. A mãe (Dona Neném Melchíades) consegue tomá-lo de volta, tempos depois.
13 de abril de 1885 – Nasce José Camelo de Melo Resende. José Camelo chegou a cantar em dupla com João Melchíades na década de 1920, conforme atesta Antônio Ferreira da Cruz no folheto onde apresentou o necrológio do Cantor da Borborema.
1889 – O poeta paraibano Leandro Gomes de Barros começa a escrever e publicar seus folhetos. É considerado o pai da Literatura de Cordel.
1896 – 1897 – João Melchíades, integrante das Forças Armadas, é convocado para combater na Guerra de Canudos, onde quase perdeu a vida. Após a guerra, foi promovido a Sargento-Mor e recebeu elogios e condecorações de seus superiores.
1903 – João Melchíades é designado para combater na fronteira do Acre com a Bolívia, onde contraiu a febre “Béri-béri”, que quase o vitimou.
1904 – Segundo o pesquisador baiano José Calasans, foi neste ano que Melchíades resolveu publicar suas memórias em cordel sobre A guerra de Canudos.
1923 ou 24 – Sai a primeira edição impressa do folheto “O pavão misterioso”, assinada por João Melchíades Ferreira da Silva. Antes de Melchíades publicar a sua versão, já circulava um poema escrito anteriormente por José Camelo de Melo Resende, porém não havia sido publicado, pois o autor utilizava-o somente para cantá-la ao vivo, nas suas apresentações. Tal polêmica, entretanto, só veio à tona após a morte do Cantor da Borborema.
10/12/1933 – Morre o poeta João Melchíades. Conforme o poeta Antônio Ferreira da Cruz, que escreveu o seu necrológio, o que agravou seu estado de saúde foi a queda de um cavalo, ocorrida dias antes de sua morte.
Década de 1940 – Anos depois da morte do Cantor da Borborema, circula uma versão do folheto EVANGELISTA E CREUSA, HISTÓRIA DO PAVÃO MISTERIOSO, com 40 páginas, assinado por José Camelo de Melo Rezende, que começa com um protesto, onde Camelo acusa João Melchíades de plagiar a sua obra.

Por: ARIEVALDO VIANNA 
(Só reproduzir citando a fonte, com a devida autorização)